MC Gra leva o rap e Hip Hop de Rio Preto para o Brasil todo

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MC Gra é uma representante do hip hop e rap brasileiro com 20 anos de carreira e muita autoridade no universo de Hip Hop.

Com voz potente e timbre marcante, a cantora e compositora sempre traz temas atuais nas letras de suas músicas e atitude e carisma em suas apresentações ao vivo.

A cantora de São José do Rio Preto vem conquistando seu espaço na cena do rap nacional com grandes parceiros, Kl Jay (Racionais Mc's), Dj Hum, StereoDubs, Luiz Café (Um só Caminho), Buguinha Dub (Nação Zumbi) e DJ GUG, são alguns nomes que trabalharam com a cantora na produção de seu primeiro disco O Jogo Só Acaba Quando Termina.

Apresentou-se em diversas cidades brasileiras ao lado de importantes artistas e bandas como, Racionais MC's, onde participou do lançamento da turnê Cores e Valores em 2015, Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock, DJ KL Jay, Negra Li, etc.

A artista eclética tem como influências a ampla diversidade musical, como a MPB de Elis Regina, Tim Maia, o rap conceituado de Public Enemy, Wu Tang Clan, Cypress Hill, Racionais Mc's, o rock de Rage Against The Machine, Nirvana e reggae de Bob Marley, Buju Banton, Sean Paul entre outros.

Multifacetada, a rapper é formada em Educação Física, é pentacampeã em capoeira na região de São José do Rio Preto e praticante do esporte de patinação e é especializada em organização de eventos e área social.

Confira abaixo a entrevista com a rio-pretense para saber mais da sua carreira, influências e muito mais.

Victor Hugo Cavalcante: Primeiro é um prazer poder recebê-la em nosso site, e gostaria de começar perguntando: Como surgiu a sua relação com a música e principalmente com o Rap e Hip Hop?

MC Gra: O prazer é meu e obrigada pela oportunidade.

A relação com a música vem de muito pequena, meus pais sempre foram muito apaixonados por arte e música, meu pai radialista tinha muitos vinis, a família fazia parte da produção do carnaval de rua e por aí vai.

Me formei em violão popular com 12 anos, iniciei o clássico e depois virei adolescente queria uma guitarra, tive uma banda, sempre amei poesia, já curtia Rap até que conheci o Freestyle as batalhas de improviso e me apaixonei.

Foi onde conheci o Hip Hop como cultura e comecei a fazer meus raps e me apresentar.

Victor Hugo Cavalcante: O single autoral Vacinada, lançado recentemente, é um rap com influências do ritmo latino que exalta a força de opinião, o conhecimento, a experiência da mulher e traz uma crítica social à superficialidade e jogos de interesse nos relacionamentos humanos, na vida e no trabalho. Como surgiu a letra deste single?

Surgiu desse momento único que estamos passando, já vínhamos de um momento social muito estranho onde assistimos a um filme triste da relação do ser humano com o poder no Brasil.

Muito ódio nas redes e tretas por opiniões que divergiam e veio a pandemia, medo, crise, dúvidas e a necessidade de organizar a mente e os sentimentos para não surtar e se manter seguro.

Foi onde nasceu vacinada me lembrando das prioridades, me convidando a ser forte, mentalmente, fisicamente e espiritualmente, por isso o refrão começa lembrando que deus é o guia.

Victor Hugo Cavalcante: Ainda sobre o single Vacinada, ele conta com videoclipe que foi gravado em São José do Rio Preto e Olímpia, interior de SP, no Mirante Praia Clube e no Catarina Skate Music Bar, cenários paradisíacos que ressaltaram ainda mais a sua beleza, talento e musicalidade.

Conte-nos sobre a produção deste clipe, como surgiu a oportunidade de lança-lo/grava-lo e sobre o feedback dos fãs.

O videoclipe já nasce desse feedback positivo dos amigos que ouviram o single, era a primeira reação deles "tem que ter o clipe" esse som tá demais.

Recebi o convite do Gomma Filmes para filmarmos em parceria e pronto... Deus vai guiando.

Agora com o clipe pronto, a segunda reação dos fãs "tem que lançar direito" com assessoria e blá blá blá quero ver o vídeo na TV, eles me pilham. O trabalho são eles e pra eles sou porta voz. (Risos)

Victor Hugo Cavalcante: Suas apresentações são cheias de musicalidade e atitude, com repertório eclético formado por canções autorais e releituras onde você solta a voz acompanhada pelas dançarinas em apresentações coreografadas. Mas afinal, o que nunca pode faltar em seus shows e nas letras das suas músicas?

Poesia, arte, mensagem, solução, respeito, consciência e energia positiva.

Isso não pode faltar nunca.

Sou representante de uma cultura que amo e admiro, sou representante das mulheres, da minha família e de mim mesma.

Victor Hugo Cavalcante: Como você consegue driblar a ansiedade antes de entrar nos palcos?

Eu driblo tentando me divertir.

Sou muito ansiosa, perfeccionista e muito crítica comigo mesma, e se eu entrar nessa vibe antes do show não cumpro meu papel de levar boas energias.

Tem de ser genuíno porque as pessoas merecem e elas sentem.

Na hora H mesmo quando o microfone tá na mão e o pé direito entrando no palco, eu viro a Gra muleca de 15 anos que cantou seu rap pela primeira vez e sentiu aquilo correndo nas suas veias.

Eu me esqueço de tudo e me divirto.

Victor Hugo Cavalcante: Quantas músicas autorais e trabalhos audiovisuais você já possui e quem produziu os clipes?

Nossa, não sei se consigo contar os trabalhos (são 20 anos de rap), os áudios visuais sim acredito que uns 10 clipes né? Porque se você procurar no Google e Youtube vão ter muitos vídeos de shows e etc.

Victor Hugo Cavalcante: Sobre as releituras que você já fez, quais suas prediletas e quais são as mais pedidas do público em seus shows?

Coisa Feia (Ponto de Equilíbrio), Exército do Rap (Negra Li) Roda Viva (Chico Buarque) e Mulher Elétrica (Mano Brown).

Victor Hugo Cavalcante: Quais músicos que você mais se influencia e admira e no que eles te influenciam?

Nossa... São muitos. Vou citar alguns que seriam Zack De la rocha (Rage Against the Machine) e Planet Hemp.

A inteligência e a energia, a mistura de ritmos, pesados, poéticos, divertidos, políticos, criativos e críticos te convidam a dançar, a pensar, a buscar e a pular, louco, né?

Victor Hugo Cavalcante: Quais as principais dicas que você dá para quem deseja algum dia se tornar cantor de Rap e Hip Hop?

Ouvir muito Rap, ouvir muita música, estudar música, se preparar, buscar versatilidade de conhecimentos como na área de marketing cultural, eventos, mídias digitais, sociais e por aí vai.

O conhecimento é o que faz tudo acontecer ou não.

Victor Hugo Cavalcante: Dentro do cenário brasileiro do Rap e Hip Hop, você costuma acompanhar algum artista com trabalho autoral?

No cenário do Rap e Hip Hop quase 100 % dos artistas tem trabalhos autorais, daí nasceu a vontade de cantar essas poesias de trabalhos do Rap Nacional, reggae, funk e pop nos meus shows.

Acompanho sim e tento ouvir tudo.

Victor Hugo Cavalcante: Conte-nos um pouco sobre como é a representatividade Rap e Hip Hop na região onde mora?

Rio Preto é zica tio. Vários artistas fodas do cenário do Hip Hop nacional.

Eu amo ter conhecido a cultura Hip Hop aqui, com a visão que minha terra tem.

Rio Preto é conservadora e a cultura Hip Hop é libertária, era um grande choque e uma bagunça deliciosa que eu acredito que trazia equilíbrio, os caras e minas da cultura aqui eram muito apaixonados e levavam muito a sério, e ao mesmo tempo era diversão e opção pra nós.

Victor Hugo Cavalcante: Quais são suas maiores inspirações para compor uma letra e sobre que tipos de assuntos são mais tratados nas letras de suas músicas?

Situações que me tragam lições e que me ensinem algo, é isso que eu acho que vale a pena ser compartilhado e para mim frisado.

E quero mais, mais swing, mais alegria, mais ideia, mais solução.

Porque o momento exige solução, conhecimento, preparo real, a realidade que estamos vivendo atualmente não é para amadores e por isso está tão complicado... Falta de preparo.

Victor Hugo Cavalcante: Qual foi o show mais fantástico de todos que você já fez?

Para mim foram três shows fantásticos: O primeiro deles foi quando KL Jay e o DJ Hum foram DJs no meu show em Rio Preto... Eu morri.

Outro show fantástico foi quando fiz meu primeiro show pela Boogie Naipe em Recife eram "só" eu, Racionais Mcs, Dexter, Thaide, Haisskais e mais uma galera (eu era a única atração feminina)... Morri de novo.

E o terceiro show mais fantástico foi quando cantei em Manaus.

Tem outros vários shows, mas essas foram surpreendentes.

Victor Hugo Cavalcante: Como está sua carreira musical no momento de quarentena devido coronavírus?

Vários shows estão sendo cancelados, então estou lançando muitos trabalhos paralelos para manter meu sustento, mas estou feliz e grata e fazendo algumas lives.

E criando sempre, cantar e fazer rap é minha paixão independente de carreira ou não, alias faço amor com o rap a muito mais tempo do que tenho uma carreira com ele.

Victor Hugo Cavalcante: Conte-nos o que podemos esperar para os próximos trabalhos além do que já foi comentado nas perguntas acima.

Mais sons na pegada de Vacinada e Confusão e o EP que quero conseguir trazer para julho ou agosto deste ano.