Falando sobre cultura com Vivente Andante

Créditos: Divulgação

Alvaro Tallarico estudou na Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch (ETEAB), onde cursou ensino-médio técnico em publicidade e propaganda.

Posteriormente, formou-se em jornalismo pela FACHA. Em 2019, entrou na pós-graduação em jornalismo cultural da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e, com a ajuda de alguns de seus colegas, nasceu o Vivente Andante que virou um portal cultural que tem como missão divulgar as artes em diversas plataformas.

Assim, um grupo de jornalistas e colaboradores de diversas áreas, como Letras, Cinema e Dança, encontrou uma nova plataforma para divulgar a cultura em todas as suas formas, sem preconceitos, sem amarras.

Victor Hugo Cavalcante: Primeiro é um prazer poder recebê-los em nosso site, e gostaria de começar perguntando: Como surgiu a ideia de criar o Vivente Andante?

Vivente Andante: Nós que agradecemos pela oportunidade e espaço. Sem jamais esquecer-se de parabenizar pelo ótimo trabalho de jornalismo cultural que vocês fazem. A diversidade impressiona.

Sobre o Vivente Andante Jornalismo Cultural, o portal surgiu como um blog de um viajante.

Em 2015, estava realizando diversas viagens, no estilo mochilão, em especial, pela maravilhosa e apaixonante América Latina.

Assim, sem esquecer também de dar ênfase ao Brasil e minha cidade natal, o Rio de Janeiro, resolvi escrever sobre alguns dos locais que estava visitando. 

Como um ser vivente e andante mesmo. Por causa de outros trabalhos e tarefas, não consegui produzir tanto conteúdo como gostaria, mas fui mantendo como dava.

Porém, no fim de 2018, fiz uma seleção para a pós-graduação de Jornalismo Cultural da UERJ e passei.

Assim, em 2019, com o aprendizado que surgia, profissionalizei o negócio e transformei o blog em site.

Chamei, em verdade, convoquei os colegas para colocarmos em prática os conhecimentos adquiridos.

Victor Hugo Cavalcante: Vivemos atualmente numa realidade pandêmica, graças ao coronavírus, como mídias virtuais como o Vivente Andante pode ajudar na divulgação da arte e da cultura mesmo em tempos como o que vivemos?

Mais do que nunca a cultura mostra sua importância. O que as pessoas estão fazendo em casa? Como estão sobrevivendo ao momento de incerteza e medo?

Lendo livros, ouvindo música, vendo filmes, séries, artes diversas.

Então, iniciativas como o Folk e o Vivente Andante são os meios para que as pessoas encontrem conteúdo de qualidade e possam ter melhores escolhas, ao mesmo tempo em que conhecem novas opções.

O jornalismo cultural está sendo mais valorizado.

Victor Hugo Cavalcante: Qual tem sido o feedback do público para os materiais (vídeos, matérias e podcasts) do Vivente Andante?

No geral, o site é onde mais temos retorno e visualizações. É o que tem mais alcance e cliques.

Há mais visitantes do Brasil, claro, seguido pelos EUA, Portugal, Angola, França, Japão, Moçambique, Alemanha e Cabo Verde, entre outros.

O Podcast, tanto nos tocadores, quando no YouTube, também se destaca pelas entrevistas tão variadas, mas sempre com destaque para cultura e arte, é um dos carros-chefes.

No geral, temos um foco e um retorno maior dos visitantes negros e mulheres. Valorizamos muito esse público, muito mesmo.

Realmente damos maior atenção a esse tipo de divulgação, inclusive novos artistas, os quais nem sempre recebem o valor que deveriam das grandes mídias.

Victor Hugo Cavalcante No sábado, 03 de outubro de 2020, o canal Vivente Andante lançou uma entrevista feita com Flávio Augusto Ferreira da Costa, mais conhecido como Flávio Ferreira, diretor de fotografia, professor cinematográfico e consultor de cinematografia digital. Como surgiu esta oportunidade e o contato entre vocês?

Fui cobrir um festival de cinema no Rio de Janeiro e conheci o Flávio Ferreira.

Logo tivemos uma afinidade pela nossa paixão em comum pela Sétima Arte, eu como crítico e jornalista, e ele como diretor de fotografia.

Então, ao pesquisar e descobrir mais sobre seu incrível currículo, em conjunto com o Estúdio Pato Rouco Records, convidei-o para uma entrevista visando explicar para as pessoas o que é a fotografia no audiovisual. E o resultado ficou ótimo, didático e divertido.

Victor Hugo Cavalcante: O portal Vivente Andante foi premiado pelo #CulturaPresenteNasRedes, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (SECEC), graças aos assuntos que aborda dentro do caminho de jornalismo cultural que escolheu. O quanto esta premiação significou para vocês enquanto divulgadores de assuntos culturais?

Olha, foi um grande reconhecimento. Afinal, eram cinco anos de trabalho.

Ficamos muito felizes por sermos um dos vencedores desse edital de emergência lançado pela SECEC.

E utilizamos o que ganhamos para melhorar o site e realizar uma produção cultural que louvasse a cultura afro-brasileira.

Victor Hugo Cavalcante: Sobre o canal e o podcast do Vivente Andante quais foram os materiais de cada mídia que vocês mais curtiram fazer e quais foram os mais complicados? Por quê?

Pergunta bastante interessante.

Essa é uma parte que eu tomo bastante a frente. É um xodó.

A conversa com o percussionista Zinho Brown é uma das mais ouvidas, ele dá uma aula, assim como a que fiz com Marcelo Monteiro e Ana Catão sobre Cosmogonia Africana Ioruba. Ah, o professor André Tenório falando de filosofia é lindo.

Uma das últimas entrevistas que fiz vem tendo grande repercussão, sobre o livro Sentença de Vida, da médica Márcia Rachid, traçando paralelos entre AIDS e a Covid-19.

As mais engraçadas foram com as bandas Balla e os Cristais e Os Caras e Carol.

A que fiz com o músico português, Tiago Nacarato, na Universidade do Porto, em Portugal, também foi interessante.

Foram mais de 60 entrevistas já, um trabalho consistente e delicioso, onde uso o que aprendi trabalhando na Rádio Rio de Janeiro com redação e locução.

Victor Hugo Cavalcante: Existe alguma diferença entre os tipos de conteúdos que são criados no site, no Spotify como podcast e nos vídeos do canal do YouTube? Porque decidiram fazer esta diferenciação?

Existem aqueles que vão idênticos para os tocadores de podcast e para o YouTube, porém, há diversos vídeos de viagens e entrevistas gravadas também.

É importante produzir conteúdo específico para cada plataforma. Nem sempre é possível, mas procuramos fazer assim.

Victor Hugo Cavalcante: Para vocês existe alguma fórmula mágica para fazerem boas/bons matéria, vídeos ou podcasts? Por quê?

A fórmula é estudar, ler, pesquisar. Não é mágica, é esforço, trabalho mesmo. E cansa, é exaustivo, porém, engrandecedor.

Victor Hugo Cavalcante: Quais dicas vocês dariam para quem pretende falar sobre arte e cultura nas mídias virtuais?

A dica é, novamente, estudar. Não basta assistir muita coisa. Tem que ler os sites de jornalismo cultural, acompanhar diariamente vários diferentes.

Além disso, ler muito sobre tudo, só assim para escrever melhor e com desenvoltura. Manter a mente aberta, não ter preconceitos, é obrigatório.

Victor Hugo Cavalcante: Conte-nos o que podemos esperar para os próximos trabalhos além do que já foi comentado nas perguntas acima.

Estamos crescendo mais a cada dia em número de visualizações e acessos nos diferentes meios que estamos inseridos.

A ideia é manter o profissionalismo e ampliar as reportagens exclusivas, assim como as parcerias.

Se há algo que aprendi é que sozinho, até dá para chegar mais rápido, entretanto, juntos, chegamos mais longe.

Quando levava o blog sozinho, era mais fácil de certa forma, mas, hoje com a equipe maior, apesar de mais trabalho, principalmente como editor principal, o retorno é melhor em todos os sentidos.