Paola Rabetti: Um achado especial nas artes cênicas

Créditos: Mzotte Photography

O Festival ProfestTeatro 2020 aconteceu de maneira totalmente online, e reuniu diversos espetáculos de teatro para serem exibidos pelo YouTube, para entreter e levar um pouco de cultura para as pessoas durante esse período de pandemia.

O musical Achados e Perdidos que mostra o drama de um grupo de crianças e adolescentes que precisam aprender a se virarem sozinhos após o sumiço de todos os adultos, e lidar com grandes questões como o aquecimento global, e o desmatamento foi um dos espetáculos transmitidos.

A atriz mirim Paola Rabetti interpretou a Menina do Casarão, a dona da casa onde todas essas crianças estão vivendo. Na peça Paola canta, dança, interpreta e sapateia ao vivo.

Paola Pili Rabetti é atriz e cantora e já participou do elenco dos espetáculos Marias do Brasil, com direção de Fernanda Chamma, onde interpretou a Maria Louca, e do mega espetáculo de natal A Christmas Carol, também com direção de Fernanda Chamma.

Quer conhecer um pouco mais da atriz que inclusive foi premiada no festival online? Confira a entrevista.

Victor Hugo Cavalcante: Primeiro é um prazer poder recebê-la em nosso site, e gostaria de começar perguntando: Como começou sua relação com as artes cênicas?

Paola Pili Rabetti: Quando eu tinha cinco anos, ainda no ensino infantil, comecei a falar para meus pais que queria trabalhar na televisão e perguntei o que eu tinha que fazer.

Como eles não são do meio começaram a pesquisar e descobriram uma escola de teatro próxima de nossa casa, porém conflitava com meu horário do colégio.

Com seis anos, já no ensino fundamental comecei o curso de teatro musical no Teenbroadway e fiquei lá por três anos, participando de seis espetáculos de conclusão de curso.

Para mim foi o início de uma grande paixão pelo teatro, pois logo em seguida fiz audição para Marias do Brasil, do Estúdio Broadway, dirigido pela Fernanda Chamma e interpretei Maria Louca em curta temporada, o que me animou ainda mais.

Victor Hugo Cavalcante: Quais foram os trabalhos mais incríveis e os mais complicados que você já interpretou? Por quê?

O mais incrível e também mais complicado foi o Achados e Perdidos, pois tivemos dois dias de audição e 20 dias consecutivos de ensaio, onde tínhamos que aprender as coreografias, os textos, as músicas, para dançar, sapatear, cantar e interpretar de forma sincronizada nos nossos dois elencos, um espetáculo que exigiu muito do elenco e de toda a equipe CN Artes.

Victor Hugo Cavalcante: Como você consegue driblar a ansiedade antes de entrar nos palcos?

Faço uma oração e começo a me concentrar, mentalizando a história do personagem, o que ele passou, seus sentimentos, ou seja, "encarnar" o personagem.

Victor Hugo Cavalcante: O Festival Profesteatro 2020 aconteceu de maneira totalmente online, e reuniu diversos espetáculos de teatro para serem exibidos pelo YouTube, para entreter e levar um pouco de cultura para as pessoas durante esse período de pandemia.

O musical Achados e Perdidos foi um dos espetáculos transmitidos. E por causa de sua personagem nesta peça você levou o prêmio como atriz revelação, o que e o quanto esta premiação significa para você?

Primeiro foi uma grande alegria para mim o espetáculo ter ficado entre os 40 selecionados para a fase final, dentre os quase 270 inscritos no Profesteatro.

Eu não conhecia bem o formato da premiação, até porque foi a primeira vez que foi feita online ao vivo pelo Youtube, mas ao começar assistir vi que tinham vários prêmios em cada categoria e começaram a chegar várias indicações na categoria Musical para o Achados e Perdidos como: Melhor Iluminação, Melhor Texto, Melhor Direção Geral, Melhor Direção Musical, Melhor Coreógrafo e eu fui uma das indicadas como Melhor Atriz, o que para mim, já era maravilhoso ser indicada dentre tantas excelentes atrizes do teatro musical.

Daí começaram a chegar os prêmios e Achados e Perdidos ganhou Premio Destaque Especial para o Elenco, Premio de Melhor Espetáculo no Júri Popular e eu ganhei Prêmio de Atriz Revelação, o que foi uma experiência muito boa e inesperada, um reconhecimento incrível para quem só está começando.

Difícil de descrever a sensação, pois éramos o único elenco formado somente por crianças e adolescentes disputando com atrizes e atores ótimos e com muita experiência. Este prêmio só me estimula a estudar cada vez mais e querer seguir neste caminho.

Victor Hugo Cavalcante: Quais as principais dicas que você dá para quem deseja algum dia se tornar ator/atriz?

Procurar escolas de teatro, cinema e TV sérias que possam lhe orientar neste caminho e lhe dê oportunidades conforme seu desenvolvimento, para exercitar seu aprendizado em palco.

Conforme for sua possibilidade e disponibilidade, tentar aulas especificas para desenvolver técnicas de canto, interpretação e dança.

Victor Hugo Cavalcante: Em Achados e perdidos você interpreta a personagem Menina do Casarão, a dona da casa onde todas essas crianças estão vivendo. Enfim, quanto de roteiro tem na personagem e o quanto de Paola tem na Menina do Casarão?

A Menina do Casarão tem um personalidade muito forte e dela, que adquiriu em função do que ela já viveu e sofreu, ela passa para os outros o mesmo tratamento que teve, sendo rude muitas vezes.

O que eu acho que a Menina do Casarão tem da Paola é determinação, falar diretamente o que pensa e um pouco debochada de vez em quando.

Victor Hugo Cavalcante: Quais artistas mais te influenciam e no que eles te influenciam?

Cynthia Falabella que além de atriz é minha professora e me ensina muito na arte de interpretar.

Cininha de Paula, nossa diretora no Achados e Perdidos, conjuntamente com Gustavo Klein, que sempre passa os feedbacks de interpretação nas aulas da CN Artes.

Nick Vila Maior que é ator de teatro musical e meu coaching de canto. Todos meus professores Juliana Moulin, Aurora Dias, Cesar Viggianni, Fernanda Chamma, Dani Cury, Amanda Bamonte, Felippe Moraes Almeida que em cada momento de convívio me fizeram crescer na arte do teatro musical.

Além de tantos maravilhosos artistas que acompanho e já tive oportunidade de ter algum contato como Arizio Magalhães, Selton Melo, Debora Secco, Debora Falabella, Fabiana Karla, Marco Luque, Marta Metzler e outros que assisto como Dani Calabresa e Miguel Falabella, pela capacidade de improviso, inteligência e por serem engraçados.

Victor Hugo Cavalcante: Se fosse possível contracenar com algum ator/atriz brasileiro quais seriam suas preferências e por quê?

Difícil escolher um só, pois gostaria de trabalhar com vários, como Miguel Falabella, Selton Melo, Dani Calabresa, Cynthia e Debora Falabella, Mateus Ribeiro, Julio Assad, Andrezza Massei, entre outros, porque acho todos excelentes artistas que levam seus trabalhos muito a sério, ainda que algumas vezes sejam cômicos, e transmitem muita emoção e alegria no que fazem, além de parecerem muito generosos.

Victor Hugo Cavalcante: Por estarmos numa quarentena os serviços ditos não essenciais foram interrompidos, como foi a rotina de ensaio para a peça Achados e Perdidos? E como está sendo sua rotina de tempo livre?

A rotina de ensaios do Achados e Perdidos foi intensa, mas antes da quarentena, o que foi interrompida foi nossa temporada em cartaz.

Na verdade, na quarentena quase não tenho tempo livre, pois nem mesmo a cochilada que eu dava no trânsito está sendo possível.

Tenho feito aulas online de teatro musical, canto, teatro, TV e cinema, ensino a distância, faço lives no projeto Artistinha Solidário e aos sábados me divirto online, nas festas de pijama virtuais, brincando e jogando com minhas amigas.

Victor Hugo Cavalcante: Conte-nos o que podemos esperar para os próximos trabalhos além do que já foi comentado nas perguntas acima.

Continuo estudando teatro musical e o curso de teatro, TV e cinema na CN Artes, onde espero que tenhamos apresentações de conclusão de curso.

Enquanto isto fico torcendo para Achados e Perdidos poder voltar aos palcos, fico me atualizando para futuras audições de espetáculos, que espero que apareçam após o término da pandemia e aguardando novos projetos como webseries e outras formas de espetáculo que poderão surgir em função deste novo mundo.