Entrefolk com João Portinari

Créditos: João Leão

Um acontecimento que poderia muito bem estar no roteiro de um filme de Steven Spielberg. Em 1997, João Pedro Portinari Leão tinha acabado de voltar de uma viagem de seis meses no Havaí.

Ele e um amigo tinham comprado uma prancha de windsurfe e estavam testando até onde poderiam chegar com o "brinquedinho novo", mas algo impressionante aconteceria com ele e é sobre este impressionante fato relatado em sua autobiografia que conversamos com o escritor.

Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente é sempre um prazer poder recebê-lo em nosso site, e gostaria de começar perguntando: Como surgiu a ideia de escrever o livro A Isca que relata a história do dia que você foi atacado por um tubarão?

João Portinari: Obrigado, prazer todo meu. A ideia de um livro sempre me rondou, contando a história para amigos e amigos de amigos muitas vezes era questionado: porque vocês não escreve um livro?

Depois do nascimento dos meus filhos, passei a contar essa história toda noite, eles adoravam. De contar para meus filhos em casa passei a contar nas festinhas de crianças. Aos poucas, a ideai foi ganhando força e eu coragem.

A princípio era para ser um livro infantil, iniciei as primeiras linhas, o tempo foi passando meus filhos crescendo e o livro junto, de infantil para juvenil e finalmente para o formato de hoje que é uma autobiografia.

Victor Hugo Cavalcante: Após o ataque do tubarão o que mudou na sua vida enquanto apaixonado por windsurf e enquanto pessoa?

Passei a respeitar mais o mar, respeito que se estende para terra firme também. Entendi que todo ser tem seu espaço/território.

Quando o assunto é natureza entendi ainda melhor os limites entre homem e animais, esse respeito é fundamental tanto para conservação das espécies quanto para nossa segurança.

Meu amor pelo windsurf continua o mesmo, mas minha coragem mudou. Descobri o tubarão fantasma, que está sempre por perto quanto subo em uma prancha para velejar.

Victor Hugo Cavalcante: Como foi repassar na memória os traumas que você viveu durante o ataque do tubarão enquanto escrevia o livro?

Ótima pergunta! Quis passar no livro o relato mais fiel possível aos fatos. Para isso, tentava ao máximo me colocar de volta as cenas e momentos vividos.

Muitas vezes voltei aos locais para respirar o ar e sentir o cheiro me concentrando para levar minha mente de volta à cena e não perder nenhum detalhe. Só ficava satisfeito quando ao escrever e reler sentia emoção, para isso não economizei caneta!

Victor Hugo Cavalcante: Para você escrever o livro funcionou como algum tratamento terapêutico ou mais como relato de sobrevivência? Por quê?

Difícil definir de uma só forma, com certeza funcionou como terapia, tive de mergulhar nos meus sentimentos e em histórias que me cercam, passei por momentos de muita tristeza, outros de angustia e também por momentos de harmonia e felicidade ao escrever.

Do choro ao sorriso muitas vezes, em uma mesma seção na frente do teclado. Tudo isso para escrever o melhor relato de sobrevivência possível.

Victor Hugo Cavalcante: Quais as principais dicas que você dá para quem deseja algum dia se tornar escritor e deseja escrever sobre algum trauma/superação por ela passada?

Coragem! Vá em frente! Não importa quanto tempo leve 6 meses ou 20 anos. O dia que seu livro chegar pronto as suas mãos todo o esforço será recompensado.

Victor Hugo Cavalcante: O que podemos esperar deste livro? E qual está sendo o feedback das pessoas que já leram o livro?

Pode esperar um relato fiel e sincero de um encontro raríssimo entre o homem e um dos animais mais antigos e temidos do nosso planeta. Um mergulho direto aos fatos e acontecimentos do dia em que estive frente a frente com tubarão-branco.

O feedback está sendo maravilhoso, com leitores me escrevendo sobre o que sentiram ao ler a obra, muitos passando a diante o livro para seus familiares e amigos.

Ainda com uma surpresa maravilhosa, aqueles que deixam seus livros em cima da mesa, logo percebem que o livro sumiu. Para em seguida achar dentro da mochila de seus filhos! Isso para mim é recompensador!