Folkeando com Fernanda Piacentini

Créditos: Fernanda Piacentini

Seja no ar todas as segundas às 23h e terças às 22h pelo canal 26.1 (aberto) ou via streaming dentro do horário pelo site da emissora e aos domingos pelo YouTube às 21h, uma coisa é inegável, o programa Sem Frescura apresentado pela jornalista Fernanda Piacentini tem como objetivo a valorização da cultura nacional utilizando-se do humor, entretenimento e informação.

Confira esta entrevista sem frescura sobre o programa com a diretora e apresentadora Fernanda Piacentini.

Victor Hugo Cavalcante: Primeiro agradecemos por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar perguntando: Como surgiu sua relação com o jornalismo e como surgiu a oportunidade de se criar o programa Sem Frescura?

Fernanda Piacentini: Bom, eu venho da produção visual de moda, muita coisa parecida só que com a moda. Fiz mestrado em comunicação, e então, conheço mais a fundo o universo do jornalismo.

Mas, na verdade, vim pro Rio buscando trabalho na área, abandonei a carreira acadêmica e mais minha produtora. Queria trabalhar com figurino, não consegui, depois de tanto tentar, busquei outras áreas, uma vez que já havia deixado tudo pra trás, a única coisa que me apareceu foi trabalhar como apresentadora em uma web TV (para tentar resumir).

Fiz dois vídeos, sobre assuntos aleatórios e em troca de divulgar meu trabalho com a moda. Enfim... Acabou que fiquei gravando só mais este e só mais este e aí, pensei ok, mas, continuo se for com cultura, eu e a outra apresentadora a Tais (que me convencia a ficar, me incentivava muito, porque ela que tinha experiência frente às câmeras)!

No fim, pegamos o desafio pra nós e o transformamos em cultura! Eu acabava acumulando funções, produzindo, pesquisando e até editando. Com o tempo, a proposta foi se aprimorando, a Tais buscou novos horizontes! Não é fácil o trabalho, mas, me apaixonei pelas biografias, pela arte ainda mais! 

Victor Hugo Cavalcante: Você está a frente do Sem Frescura como diretora e apresentadora, saindo assim de trás das câmeras para atuar como front woman no programa, como surgiu esta oportunidade de ser apresentadora e diretora do programa produzido pela Rede Rio TV?

Eu comecei apresentando e com o tempo estava fazendo tudo, dirigindo, editando, mal, (Risos) roteirizando, fazendo a pesquisa, sugerindo os entrevistados!

Só não faço o contato, parte de produção. Quem cuida disso é o Marcondi Marques (que também não tem nada a ver com o meio, é engenheiro. Mas, teve que me ajudar.

Victor Hugo Cavalcante: Ainda sobre o acumulo de funções no programa, como você consegue manejar estas funções? Por ser diretora você acha que isso facilita na hora de realizar apresentar o programa e vice versa? Por quê?

Olha, eu venho de produção, PRODUÇÕES de espetáculos de dança (desde os 13), depois produção de moda, é pancadão! Fiz isso por anos (produção geral, desfiles, eventos, stylish, campanhas etc..). Acumular funções é minha vida, mas, não é opcional!

Victor Hugo Cavalcante: O Sem frescura é um programa de entrevistas biográficas, que registra a trajetória das personalidades da cultura brasileira. Aqueles que ajudaram a construí-la e constroem de algum modo! Quais entrevistas que já têm no canal do Youtube do programa que você mais recomenda?

Ah, não dá! Depende muito da pegada de cada expectador! Eu me apaixono por cada história, por como elas se cruzam, por como a história da cultura se cruza e se complementa, é mágico!

Tem muita coisa lá! Não tem ninguém que tem uma contribuição mais ou menos! Tem algumas com a qualidade "prejudicada" tecnicamente falando, agora, diria estamos BEM MELHORES! MAS, conteúdo, em todas!

Talvez para os iniciantes eu indicaria entrevistas como: Cininha de Paula, Carlos Vereza e Flávio MIGLIACCIO!

Aí já fica batizado e vai indo pro ROOTZ! Tem de Amir Haddad a Sérgio Mallandro! Todos com pesos na cultura embora completamente diferentes!

Victor Hugo Cavalcante: Ainda sobre as entrevistas já feitas no programa, cite algumas das entrevistas mais fantásticas que você já fez.

Cara, todas! Sem hipocrisia, demagogia! Vou citar duas por outros motivos, Camila Amado por que foi a entrevista mais difícil pra mim, a Camila é extraordinária, muito desconstruída, era difícil encontrar caminhos, mas, ela é quem eu sonho ser um dia, surreal!

A com a Hildegard Angel é extremamente forte, uma história marcada por tragédias absurdas. Ela confiou em mim, a Hildegard é completamente reservada! E uma que ainda não saiu, com o Guto Graça Mello, é mais atual pra mim, ele esteve por trás de meus ídolos do rock, dos discos novelas! Tem histórias incríveis, e ele nunca deu uma entrevista no YouTube, aliás pra não falar nunca, deu uma entrevista para a sua esposa, a maravilhosa Sylvia Massari.

Victor Hugo Cavalcante: Quais as perguntas que não pode faltar no programa? Existe alguma pergunta chave no programa para os artistas responderem?

Não, a gente procura e evitar clichês! Embora, talvez pros grandes atores, quando faço um quiz no final, pergunto sobre suas referências! É meio inevitável, quero saber quem os estimulou!

Victor Hugo Cavalcante: Para você enquanto diretora do programa o que não pode faltar num programa de entrevista artística?

Conteúdo: cultura mais informação mais pesquisa!

Victor Hugo Cavalcante: Para você enquanto jornalista e apresentadora existe alguma fórmula mágica para se criar boas perguntas? Por quê?

Existe. Pesquisa, empatia e comprometimento com aquela biografia! Alguns convidados tem um ritmo diferente, mais lento aí pode dar mais ou menos dinâmica pra entrevista!

Victor Hugo Cavalcante: O programa além de passar na mídia televisiva também é transmitido no Youtube, para você o quanto esta ponte entre TV - Youtube ajudam na divulgação do programa?

A TV dá um statuszinho ainda, sabe! Mas, pra posteridade, que é o nosso objetivo, a internet é maravilhosa! 

Victor Hugo Cavalcante: Conte-nos um pouco do que significou 2019 para o programa e o que podemos esperar do programa para 2020.

2019 foi um ano de plantio, espera e expectativas! Também de busca e experimentação profissional que começamos a colher os frutos em novembro! Nosso trabalho não é um trabalho pra massa, tampouco pra ser cool ou "do momento".

Nosso trabalho é um acervo de memória cultural pra posteridade, que sempre vai estar lá, pra quem precisar pesquisar sobre um tema ou outro!

É um trabalho duro e que ainda não recompensa financeiramente, imagine que loucura produzir cultura? Entrevistas biográficas de 1h em 2020? A gente é louco pra caramba e amamos tudo isso!