Kátia Muniz: O fenômeno parnanguara

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Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista, e gostaria de começar perguntando: As crônicas geralmente são relacionadas aos assuntos do cotidiano pessoal, afinal, quais são suas principais inspirações para escrever uma crônica?

Kátia Muniz: Eu que agradeço, imensamente, o teu contato. O cotidiano me abastece. Mantenho um olhar sempre atento a tudo que me cerca. Uma conversa, um filme, uma única frase pinçada de algum livro, tudo pode servir de gancho para desenvolver um texto.


Embora seja um texto que faz parte do gênero narrativo, (com enredo, foco narrativo, personagens, tempo e espaço) há diversos tipos de crônicas que exploram outros gêneros textuais. Podemos destacar a crônica descritiva e a crônica dissertativa, além delas, temos a crônica jornalística, a crônica histórica e a crônica humorística. Afinal, destes diversos tipos de crônicas, qual mais se relaciona com seus escritos?

São textos dissertativos em que gosto de abordar os conflitos internos, as emoções nossas de cada dia, temas relacionados à condição humana. 

Geralmente, escrevo em primeira pessoa porque o texto flui melhor. Mas, ao contrário do que muitos pensam, não escrevo tudo o que vivo. Com o tempo fui aprendendo a criar histórias, inventar situações, usando como pontapé inicial algo que observei.


Recentemente você se apresentou para o público presente no Sarau Cultural em Paranaguá, afinal como surgiu o convite? E para você enquanto cronista e moradora da cidade, qual a importância de serem realizados cada vez mais saraus como este?

O convite foi feito pelo atual presidente do Rotaract Club de Paranaguá Rocio, Alex Vizine. O Sarau Cultural foi um sucesso e um verdadeiro presente para os artistas locais. Uma tarde inteira regada à música, dança, literatura e exposição de trabalhos literários. Cada artista ganhou espaço e voz para divulgar o que produz. O objetivo do evento foi justamente valorizar a arte que se faz na cidade. Todo artista precisa de oportunidades como essa, para que possa mostrar um pouco da sua produção autoral, muitas vezes encoberta por não encontrarem essa abertura de divulgação.


Você têm algum livro ou crônica publicada? Quais?

Desde 2011, publico todas as minhas crônicas no jornal local Diário do Comércio. Tenho uma coluna semanal de crônicas do cotidiano. Ainda não possuo livro que reúna a minha produção, mas tenho textos selecionados em três concursos literários da cidade em que o prêmio era um livro reunindo as obras dos diversos autores premiados. Inclusive, no último concurso, arrisquei na categoria "poesia" e "conto" e fui selecionada também.


Além de seu perfil pessoal no Facebook, quais outros locais que você publica suas crônicas?

Jornal Diário do Comércio, Blog da Luciane, Site da Rádio Ilha do Mel - FM, Jornal Leôncio do Centro de Letras de Paranaguá, página Contos e Crônicas no Facebook.


Para você qual é a maior dificuldade para se escrever uma crônica? Qual dica você daria para os que gostariam de fazer crônicas?

A maior dificuldade é encontrar a criatividade para desenvolver um tema que já foi abordado por tantos outros autores. Nada mais é original. Tudo já foi falado ou comentado. Pego o trivial, o feijão com arroz, o básico, o que a vida oferece e que, muitas vezes, passa despercebido pelas pessoas. A dica para quem quer escrever é: ler, ler e ler. A escrita vai aperfeiçoando à medida que vamos lendo e enriquecendo o vocabulário.


Como começou essa relação Kátia Muniz Crônicas e Kátia Muniz?

A Kátia Muniz ? Crônicas surgiu da necessidade de desengavetar meus textos. Comecei a escrever em 2011, impulsionada por um livro de crônicas que ganhei do meu esposo. Nunca havia escrito uma crônica antes. Quando acabei o livro, falei para os meus botões: "Acho que posso escrever crônicas". Foi um atrevimento, uma ousadia. Mas, para minha surpresa, as pessoas foram gostando do que eu escrevia. Não há nada de espetaculoso na minha escrita, tudo muito simples, com linguagem direta e acessível. Fui agradando, e as portas de divulgação foram surgindo. Tudo aconteceu de forma circunstancial. Não idealizei nada. Quando dei por mim, era lida. Isso é muito gratificante.


No que e quanto a internet contribui na divulgação de seu trabalho? E o quanto atrapalha? Por quê?
 
A internet é minha aliada. Uso o meu perfil no Facebook como medidor de resultados. Virou o meu termômetro. Nas postagens das crônicas, frases, poemas e prosas curtas de minha autoria, eu testo o que agrada ou não o leitor. Recebo feedbacks e mantenho uma interação muito saudável com quem acompanha meu trabalho. Pra mim, a internet é uma grande ferramenta de divulgação.


Quais seus cronistas preferidos, o que você pode tirar de influência em todos os escritos deles?

Leio Martha Medeiros, Danuza Leão, Cris Guerra, Leila Ferreira, Fabrício Carpinejar, Antônio Prata, para citar alguns cronistas. Viciei no gênero "crônica". Ninguém pode passar por essa vida sem ler Martha Medeiros. Essa mulher é um dínamo. Cada um traz o seu estilo, sua marca, seu jeito de compor. Diversificar a leitura dos autores aguça e ajuda no processo de criação.


De todas as suas crônicas já feitas qual foi a sua preferida? Por quê?

Citarei duas: O amor e o tanto faz e Promessas Matrimoniais. Nessas, achei que os parágrafos ficaram bem amarrados, gostei da estrutura, dos temas abordados, a maneira como fluiu e consegui desenvolvê-los.