Folkeando com Camilo Tuero: O mestre ultrarrealista

Créditos: Camilo Tuero (Facebook)

Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar perguntando: Como surgiu sua relação com a tatuagem?

Camilo Tuero: A minha relação com a tatuagem começou quando eu tinha 13 anos de idade, e vi pela primeira vez um tatuador oferecendo seu trabalho na rua, eu fiquei muito impressionado e com vontade de tatuar, só que era muito novo e não tinha como fazer isso virar realidade. Ainda mais por que meu pai era militar e tinha muito preconceito com tatuagens.

Dois anos depois meu pai ficou doente e eu fiquei "livre" para fazer realidade a vontade louca de me tatuar.

Quando fiz a minha primeira tatuagem com 15 anos, descobri a minha profissão. Foi amor à primeira vista.

Comprei meu primeiro kit de tatuagem e nunca mais parei de tatuar.

Victor Hugo Cavalcante: Você foi um dos destaques da Tattoo Week, que aconteceu entre 25 e 27 de outubro, no São Paulo Expo. Como foi participar do evento e como surgiu a oportunidade de ser um dos destaques dele?

Eu participo de convenções desde o ano 20000, já fui e muitos eventos e ganhei muitos prêmios. Com certeza não podia ficar de fora do maior evento do mundo "tattoo week".

Neste ano fui com varia safras legais de desenhos para tatuar no evento, preparei tudo alguns meses atrás, combinei com meus clientes para eles serem tatuados no evento. E graças a Deus deu tudo certo, ganhei foi meios e sou muito grato aos organizadores, patrocinadores e clientes que ficaram comigo o dia inteiro no evento pra poder apresentar as obras de arte feitas nos corpos deles.

Victor Hugo Cavalcante: Você tem mais de 200 prêmios no currículo como tatuador, entre estes há algum que te faça se sentir mais especial, ou todos são especialmente magníficos?

Sim ganhei muito prêmios já, acho que o primeiro prêmio que ganhei na minha vida em 2006 foi o mais importante, pois foi o motivo pelo qual luto todos os dias na procura da evolução.

Victor Hugo Cavalcante: O motivo de tantas premiações em seu currículo são as tatuagens de estilo hiper-realista, feitas em tempo recorde, com níveis de detalhes impressionantes. Para você qual foi o trabalho de estilo hiper-realista mais impressionante de todos e qual foi o mais difícil que você já fez?

O trabalho mais difícil e rico em detalhes que eu já fiz foi o retrato de Miles Davis, em 2012 quando fiz o retrato dele na convenção de Belo Horizonte, e na época ganhei como melhor tatuagem feita no evento.

Neste ano quis fazer novamente e ver quanto eu tinha evoluído na minha arte, com certeza a deste ano ficou melhor que a anterior.

Achei que seria mais fácil de fazer numa segunda vez, mas errei, demorei 10 horas em fazer o trabalho dessa vez, sendo que na vez anterior tinha feito em apenas 5 horas. Acho que hoje eu sou mais detalhista do que antes.

Victor Hugo Cavalcante: Quais as principais dicas que você dá para quem deseja se tornar tatuador, principalmente para quem deseja se tornar profissional em estilo hiper-realista?

Acho que se deve levar em conta um conjunto de fatores. É preciso ter certo dom, mas só isso não basta. É preciso muito estudo, muita dedicação e treino. Acompanhar o trabalho de outros artistas também é fundamental.

Victor Hugo Cavalcante: Quais são as suas dicas para quem é marinheiro de primeira viagem e deseja fazer sua primeira tatuagem?

Para alguém que quer se tatuar eu posso dizer é aconselhar saber primeiro o motivo pelo qual quer fazer uma tatuagem!

Se é que tem algum significado ou é apenas para enfeitar o seu corpo, tendo isso claro tem que pensar em alguma coisa (desenho) que o represente como pessoa ou que represente o momento que está vivendo. Logo depois é importante achar um artista que se encaixe no estilo que quer se tatuar. Hoje é muito mais fácil achar artistas bons na internet.

Depois disso tem que se programar financeiramente para poder fazer uma bonita obra de arte e não se arrepender depois.

Victor Hugo Cavalcante: Você acha que ainda existe modismo nos tipos de tatuagens escolhidos ou hoje em dia as tatuagens se tornaram mais pessoais? Por quê?

Sim, com certeza ainda existem pessoas que se tatuam sem motivos especiais, simplesmente por que "estar tatuado está na moda", mas isso está acabando aos poucos, cada vez mais as pessoas procuram significados pessoais para suas tatuagens, e é por esse motivo também que quase não existe mais catálogos de desenhos nos estúdios de tatuagens!

Hoje em dia nós artistas temos um pouco mais de liberdade para a criação de desenhos exclusivos.

Victor Hugo Cavalcante: Quais os tatuadores que você mais admira e acompanha?

Eu admiro muito os tatuadores mais experientes e com estilos próprios:

Robert Hernandez (Polônia/ España), Filip Leu (Suíça), Shigue (Japão) e Mondenti (Brasil).

Victor Hugo Cavalcante: Em quais artistas você se influencia e no que eles te influenciam?

Eu me inspiro muito no estilo barroco do pintor italiano Caravaggio! As composições das obras dele, iluminação, como ele maneja o claro escuro é algo que chama muito a minha atenção.

Mas na tatuagem realista a gente tatua o que vê! Portanto não há espaço para mudar nada.

Pois correríamos o risco de mudar a aparência dos retratos e com certeza ninguém gostaria de tatuar o retrato do filho que não pareça com o mesmo.