Sobre pássaros e orcs

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Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar com a seguinte pergunta: Como começou sua relação com a literatura?

Thiago Drumond: Nunca fui uma criança de jogar bola no quintal ou brincar de pique na rua. Sempre fui mais de ficar em casa e nesses momentos que eu aproveitava para ler. Lia muito as revistas da Turma da Mônica e as que eu achava no jornaleiro (as pessoas ainda iam ao jornaleiro nessa época {Risos}) sobre dinossauros e civilizações antigas. 

Depois disso, o que começou a realmente a me influenciar no mundo da fantasia foram os livros-jogos da série Aventuras Fantásticas, ficava horas tentando chegar ao final das aventuras.

Tinha a coleção inteira, após isso, pelo que consigo lembrar, o primeiro livro tradicional de fantasia que li foi O Senhor dos Anéis, a partir daí não parei de ler.

Victor Hugo Cavalcante: Você é autor de uma trilogia intitulada Crônicas dos Orcs Negros, e está lançando um outro livro infantil intitulado Joana e o Pássaro Azul, como foi que surgiu sua decisão de escrever pela primeira vez para o público infantil? O que as crianças podem esperar desta história?

Eu sou biólogo, por isso, a ideia era fazer um livro com uma pegada ambiental e que as crianças pudessem tirar algum aprendizado. Acredito que seja desde pequeno que práticas saudáveis, independente da área, devam ser incentivadas. Queria algo que as minhas próprias filhas tirassem proveito. Por isso decidi fazer algo de forma lúdica e o livro foi a melhor opção, já que bem ou mal estou inserido no meio literário e conheço pessoas que podem me ajudar. As crianças podem esperar um historia leve, com ilustrações muito bem feitas, em que no final elas terão que tomar a decisão de como que elas querem que a protagonista aja.

Victor Hugo Cavalcante: Atualmente você anda escrevendo o último livro da Trilogia dos Orcs, qual será o título dele? E o que os leitores da trilogia podem esperar do final desta aventura?

No momento ele ainda não tem título. O título é a última coisa que decido. Podem esperar uma leitura dinâmica, que é a mesma pegada dos outros dois. Uma leitora que virou minha amiga uma vez me disse: "Pô Thiago, estou lendo um livro que no quarto capítulo ainda não aconteceu praticamente nada, se fosse um dos seus, nessa altura já estava tendo tiro, porrada e bomba" (Risos).

Então é isso que as pessoas podem esperar. Eu não queria ser genérico, mas na verdade, nem eu sei direito o que vai acontecer, pois estou em dúvida entre 02 linhas de acontecimento. Por onde eu vou seguir depende de como a escrita vai fluir.

Victor Hugo Cavalcante: Como surgiu a ideia de escrever a Trilogia dos Orcs?

A ideia surgiu de os orcs nas maiorias dos livros e filmes serem seres que são maus sem razão aparente. Simplesmente são representados como maus como se fosse uma coisa inerente a eles, e talvez essa seja mesmo a linha de pensamento vigente.

Eu queria contar o lado da história dos orcs. No 1º livro, os orcs negros são marginalizados pelos homens, elfos e anões, passando extrema dificuldade para sobreviver, até que surge Blorgk, o heroi orc que consegue unir seu povo para lutarem por qualidade de vida melhores. Eu pensava, e se na verdade os orcs não forem os vilões? E se são injustiçados? Daí que a ideia germinou.

Victor Hugo Cavalcante: Quais são suas principais influências para escrever uma história e por quê?

Minhas influências são os livros que leio, séries e filmes que vejo e algumas coisas que vivencio na vida. Primeiro surge uma ideia e a partir daí eu acabo misturando várias coisas que leio e vejo, desde mangás até coisas que aconteceram comigo, como é o caso de Joana e o Pássaro Azul.

Meu pai tinha uma casa em Saquarema (um munícipio na Região dos Lagos aqui no estado do RJ) e lá, frequentemente filhotes de pardal caíam do ninho que ficava no telhado da casa. Meu pai pegava os filhotes e cuidava deles até que conseguissem voar sozinhos, ou se fossem muito pequenos, ele subia no telhado e colocava o filhote de volta. Então, são várias coisas que acabam influenciando na escrita.

Victor Hugo Cavalcante: Quais são seus ídolos na literatura nacional e internacional? E em quais escritores você costuma pegar influência na maneira de expressar uma história?

Eu não tenho ídolos. Temos muito bons escritores nacionais que acabei por conhecer pessoalmente e cada livro deles que eu leio certamente acabam me dando ideias ou formas diferentes de dizer algo que eu queira colocar no papel.

Agora, como disse antes, O Senhor dos Anéis foi o primeiro livro de fantasia que li, é um dos meus livros preferidos, então, boa parte do fantástico do que escrevo vem do que foi escrito por Tolkien.

Victor Hugo Cavalcante: No livro infantil quem escolhe o final da história é o leitor, afinal porque você decidiu por "não" ter final? E o quanto você acha que isso pode contribuir para aumentar a criatividade da criança que poderá inventar um final?

Na verdade é o contrário, a criança vai poder literalmente escolher um dos dois finais que preparei.

Aqui vou dar um spoiler para entender melhor. Em Joana e o Pássaro Azul, a protagonista encontra um pássaro machucado e coloca-o em uma gaiola para cuidar dele. Quando ele fica curado ela tem que decidir se vai soltar o pássaro na natureza ou se vai ficar com ele na gaiola.

Dependendo da decisão da criança, a história termina de uma maneira ou outra. Como disse antes, o livro tem um lado ecológico que tenta passar esses pequenos ensinamentos de maneira lúdica.

A ideia é escrever uma série de livros onde posso abordar temas como poluição, maus tratos aos animais, o consumo de água, etc. de maneira simples, onde no fim os leitores poderão fazer uma escolha entre dois finais, um deles não sendo uma boa escolha e o outro o final ideal.

Victor Hugo Cavalcante: Ainda sobre o "não final" do seu livro infantil, comas crianças decidirão o final?

Aqui entra a questão das influências dos outros livros. (Risos)

Pensei nisso tendo como modelo os livros-jogos. Se a criança escolher o final 01, ela vai para determinada página, se escolher o final 02 vai para outra.

Esse livro infantil surgiu de outra ideia, que seria um livro infanto-juvenil onde na história seriam apresentadas algumas bifurcações no texto, onde o leitor poderia escolher o rumo da história.

Mas essas bifurcações não seriam muitas, como nos livros-jogos, seriam, talvez, em três momentos chaves do livro. Essa ideia não foi abandonada, mas ainda está engavetada. (Risos)

Victor Hugo Cavalcante: Seu livro infantil recebe as ilustrações de Adriana Caetano, como surgiu o convite para a ilustradora?

Foi participando de um evento geek que conheci a Adriana. Quando a vi expondo os seus trabalhos e achei sensacional. No mesmo dia perguntei se ela queria participar do livro comigo e ela aceitou.

Digo participar, porque ela não apenas ilustrou, eu passei o texto para ela opinar e debatermos qual seria o melhor caminho a tomar tanto quanto ao texto quanto para a publicação. Acabamos por optar a publicação independente.

Então ela é minha parceira nesse projeto, sem contar que ela é uma pessoa muito legal. Para quem quiser dar uma olhada nas artes dela, podem procurar ela no Instagram como @dry_kaetano.

Victor Hugo Cavalcante: Para você foi mais difícil escrever um livro infantil ou livro para outras idades? Por quê?

Joana e o Pássaro Azul é um livro curto, para crianças a partir de 03 ou 04 anos. São só 22 páginas, mas digo que a dificuldade foi maior em termos de escolher melhor as palavras, fazer frases curtas e que as crianças possam entender o que seus pais ou elas próprias estejam lendo.

Já o livro para leitores mais velhos, não preciso ficar escolhendo tanto as palavras, não preciso me policiar tanto. Entretanto é bem mais trabalhoso por causa do tamanho do texto. Não sei se me fiz entender.

Victor Hugo Cavalcante: Esse ano ainda deve sair o livro Histórias de uma pirata também de sua autoria. Conte-nos mais sobre esta história.

Essa foi uma ideia que tive há algum tempo e aproveitei para escrever assim que publiquei o volume II dos Orcs, antes de começar a escrever o volume III.

Em um mundo paralelo, o mundo de Gaia, os habitantes estão em perigo. Um poderoso mago abre um portal para que os habitantes possam fugir e esse portal sai no Triângulo das Bermudas.

Com isso, diferentes raças como Minotauros, Orcs, Goblins, entre outros começam a vir para a Terra. A partir daí, começamos a acompanhar Gabriela Aguilar, filha do maior pirata do mundo, o espanhol Marcos Aguilar, com uma brasileira.

Aprendendo o ofício com o pai, ela acaba por ter seu próprio navio e tripulação. O filho do Rei da Inglaterra é sequestrado e ele acaba tendo que contar com a ajuda da Capitã Gabriela e sua tripulação, que é composta tanto de seres humanos quanto de seres que vieram de Gaia, como seu braço direito, o Goblin Zik.