Escrevendo de Lugar Nenhum

Créditos: Divulgação

Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar com a seguinte pergunta: Como Lugar Nenhum surgiu? Porque ele tem este nome?

Lugar Nenhum: Eu comecei a escrever para internet em 2013, em um site colaborativo com alguns amigos. No final de 2015 eu saí do site deles, fiquei parado por um tempo e resolvi criar o meu espaço próprio com total liberdade editorial para seguir a linha que eu quisesse. Então surgiu o Lugar Nenhum em janeiro de 2016.

Sobre o nome, tem uma história interessante. Lugar Nenhum é o nome de um livro do Neil Gaiman (autor de livros como Sandman, Deuses Americanos e etc.).

Eu sou bem fã do Gaiman, especialmente Sandman, mas não conhecia esse livro. Então sempre me perguntam se o nome do site é por conta do livro e eu tenho que responder que não, por que eu sou muito sonso. Triste, mas verdadeiro.

O nome surgiu mesmo de uma piada: "Parei de escrever para aquele outro site, agora escrevo em Lugar Nenhum.". "Eu sou lá de Lugar Nenhum", esse tipo de coisa. A piada até pareceu boa no começo, mas hoje em dia eu acho bem ruim. Mas fazer o quê, né?

Victor Hugo Cavalcante: No Lugar Nenhum existem várias categorias de postagens, para você qual é o mais difícil de fazer e por quê? E qual tu categoria de postagem tu mais gosta de escrever?

Eu tinha que reorganizar as categorias, algumas acabaram ficando muito inchadas com o tempo. Eu não queria que o menu ficasse enorme, então resolvi agrupar as coisas.

Por exemplo, Filmes, inclui tudo que é audiovisual, então entram lá: resenhas de filme, curtas metragem e trailers. É a maior categoria que tem.

Agora, respondendo a pergunta de fato: Eu adoro escrever os posts de arte, mas eles são bem difíceis às vezes. Eu tento não ficar só no básico: "O artista é fulano e faz escultura com madeira. É lindo". Mas às vezes eu não tenho tanto o que falar, por que eu não entendo de arte (teorias) e é bem difícil expressar por que eu achei aquilo fantástico além do fator estético. E às vezes é só pela estética mesmo.

Também gosto muito de fazer os posts de curtas metragem, acho que todos os sites de cinema dão menos atenção do que eles merecem. A mesma coisa vale para os quadrinhos nacionais que eu resenho. Eu sou meio displicente com a parte de games, isso por que eu jogo pouco e, muitas vezes, fico muito tempo jogando o mesmo jogo, então saem poucas resenhas e a categoria fica meio abandonada. Resenhas de livros saem pouco por que eu leio devagar.

Também curto de resenhar os filmes, mas o desafio é não deixar os textos enormes e conseguir fazer uma análise fugindo dos spoilers. Minha resenha de Endgame teve umas 1200 palavras. Acho que ninguém leu inteira.

Victor Hugo Cavalcante: Como você realizava a pesquisa dos podcast presentes na categoria Observador Quântico? Pretende retorna-lo algum dia?

A pesquisa é majoritariamente feita no Google. Quando o tema aperta, eu vou atrás de livros na biblioteca da universidade e às vezes procuro algum professor para fechar o raciocínio. No geral, eu não entro em temas muito complexos. A ideia é pegar algo que é mal explicado e tentar explicar melhor, mas sem perder o rigor científico.

Voltar a fazer o podcast? Talvez algum dia, mas não estou planejando nada.

Victor Hugo Cavalcante: Você também é um contista de mão cheia, como podemos perceber ao conferir qualquer conto d'As Aventuras da Garota Impossível, como começou esta história? Pretende algum dia escrever um livro/e-book de coletânea destes contos?

As Aventuras da Garota Impossível começaram como uma piada também. O primeiro conto, A Cidade da Perdição é todo construído em cima de uma única piada, que era uma piada bem idiota. O legal é que, para entregar essa piada, eu tinha que construir toda uma narrativa em volta e, durante essa narrativa, eu podia contar outras piadas.

Hoje, essa série de contos é uma válvula de escape para as minhas piadas mais absurdas e sem sentido. É muito gostoso de escrever.

Eu pretendo lançar como livro físico, com ilustrações e tudo que tem direito. Infelizmente eu vou ter que gastar uma grana para isso. Não penso em lançar como e-book não. Se for para deixar no digital, eu deixo publicado no site mesmo. Se for para envolver a Amazon e vender o e-book a dois reais, prefiro compilar um pdf e disponibilizar de graça.

Victor Hugo Cavalcante: Falando sobre filmes e literatura, quais são os seus prediletos?

Atualmente, na literatura, estou em uma relação de amor e ódio com o Chuck Palahniuk (Clube da Luta). O jeito que esse cara escreve é simplesmente sensacional e as ideias dele são sempre muito psicodélicas. Mas, por outro lado, os finais são sempre muito viajantes, parece um pouco o Grant Morrison, com seus finais que não encerram nada.

No cinema, eu normalmente sou bem cabeçudo. Amésia, Cidade das Sombras (Dark City, não o City of Shadows) são alguns dos meus filmes preferidos. Porém, atualmente eu estou muito cansado e quero assistir coisas que não exijam muito da minha cabeça. Eu quero assistir desenho de criança e comédia retardada, só isso. Titãzinhos, Detetive Pikachu, Vingadores, essas coisas.

Victor Hugo Cavalcante: Falando sobre games, quais os tipos de games que você mais gosta de jogar?

Eu sou um retrogamer que parou no Play Station 01. Eu ainda jogo Mario, Donkey Kong (zerei o 02 recentemente fazendo tudo), Mega Man, Chrono Trigger, Brigandine, Final Fantasy, etc.

Eu gosto de jogos de fase, com plataformas e essas coisas, mas não recuso um bom e velho RPG com luta por turnos e jogos táticos. Tudo no emulador.

No celular, eu gosto de jogos offline, por que eu jogo muito quando estou no ônibus. Curto muito jogos de quebra cabeça e jogos de estratégia que não exijam muita atenção, tipo Tower Defenses e similares.