Rap Circo Cracolândia: A quebra de preconceitos e união do Rap com o circo

Créditos: Facebook

Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar perguntando: O que é e como surgiu o projeto Rap Circo Cracolândia?

Flávio Falcone: Em RAP CIRCO CRACOLÂNDIA o Circo e o RAP se unem. Entre os artistas convidados estão slamers, Rappers, circenses, além de Mc´s moradores da região da Cracolândia.

O espetáculo é o resultado do trabalho na região da Cracolândia desde 2012. Sempre a figura do palhaço foi o mediador da relação com os usuários. Inicialmente, levava espetáculos de artistas circenses para atrair os usuários, mas percebia que não tinha tanta adesão. Ao investigar com o publico percebi que o circo não faz parte da cultura da maioria daquelas pessoas e não é mais tão popular quanto imaginava. Passei então a fazer uma radio e quem assumiu o picadeiro foram os usuários com suas músicas e fui percebendo a força da cultura do RAP na vida daquelas pessoas. Além de escolher músicas, alguns usuários começaram a cantar seus RAP's no picadeiro e foi criado então um espetáculo para que eles tivessem a experiência de apresentar suas músicas em cena e trocar com artistas consagrados: RCC - RAP CIRCO CRACOLÂNDIA.

Victor Hugo Cavalcante: O que o pessoal pode esperar da ação que acontecerão nos dias 12,13 e 14 de março?

Um espetáculo que mostra, através da arte, um pouco da realidade das pessoas que vivem ali na região da Cracolândia.

Victor Hugo Cavalcante: Para você enquanto palhaço qual a importância de se fazer ações artísticas para os usuários de drogas? E qual sua visão sobre o mesmo enquanto psiquiatra?

A importância do palhaço esta na criação de um vínculo profundo. O palhaço é inofensivo, não é uma ameaça. Ele estabelece uma relação de cumplicidade. Dentro da vertente da psiquiatria que eu trabalho, redução de danos, o vínculo terapêutico é o mais importante para o sucesso do tratamento.

Victor Hugo Cavalcante: Esta edição do projeto ficará por conta dos seguintes artistas: Eugênio Lima, Fabio Venturini, Lucas Afonso, MC Meia Noite, MC Kawex, Roberta Estrela D'Alva e Rafael de Barros. Algum deles já se apresentou em edições anteriores? Como surgiu a ideia e como rolou o convite para estes artistas?

O Fábio Venturini se apresentou no último espetáculo que fiz com eles no ano passado, em seu número de palhaço ele aborda um dos temas que considero muito frequente nos usuários da Cracolândia, a LGBTfobia. Muitos usuários são expulsos de casa por conta da sua orientação sexual e vão parar lá. O restante vai chegar agora. Chamei a Roberta para apresentar o RCC depois que assisti o file que ela dirigiu SLAM - Voz de Levante. O que faço na Cracolândia é muito parecido com o trabalho dela nos SLAM's: Fazer com que a voz de excluídos seja ouvida.

Victor Hugo Cavalcante: Qual o feedback do público nas edições anteriores do Rap Circo Cracolândia?

O público sempre se emociona com os depoimentos dos usuários e fica impressionado com a qualidade artística deles.