Jayme Rocha: Transformando animais resgatados em celebridades

Créditos: Facebook

Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar com a seguinte pergunta: Como surgiu a ideia de realizar ensaios fotográficos com cães e gatos em abrigos e porque este projeto se chama Celebridade Pet?

Jayme Rocha: Agradeço a oportunidade em mostrar um pouco do trabalho que realizo. Eu comecei na causa animal como voluntário de um projeto, o Focinhos de Luz. Comecei a ajudar também fotografando animais que iam pras campanhas de adoção, e depois, comecei a fazer uso de toucas em tricô e outros acessórios divertidos ou glamourosos para que os pe'ts ficassem ainda mais encantadores e assim chamassem atenção quem sabe, de sua nova família? A partir daí outras ONG's aqui do Rio de Janeiro começaram a pedir ajuda com o meu trabalho e o projeto foi crescendo.

O nome Celebridade Pet foi sugerido por uma amiga minha, Bruna Franco, que no início também ajudou a criar o projeto e queríamos fazer esse contraste, de cães e gatos quase invisíveis em abrigos se tornando celebridades, ao serem adotados.

Victor Hugo Cavalcante: Quantos animais de abrigos que participaram do Celebridade Pet  foram adotados? E quantos já participaram do projeto (Mesmo os que ainda não foram adotados)?

Sinceramente perdi as contas. Foram mais de 1.200 animais clicados em 3 anos, e algo em torno de ao menos 370 animais adotados com a ajuda das imagens feitas por mim. Algumas adoções diretas ao verem as fotos na nossa rede social, e a maioria sendo divulgada pelas ONG's auxiliadas.

Victor Hugo Cavalcante: Quais foram as fotografias e histórias mais incríveis dos animais que estavam nos abrigos que você conheceu e tirou foto?

Há algumas, mas uma que me tocou muito foi a de uma Pitbull  srd que foi fotografada na Fazenda Modelo, Abrigo Municipal do Rio de Janeiro. Era o último animal de um dia muito quente e exaustivo. Mas fizemos uns 3 looks dela - normalmente faço 1 foto ao natural e uma com os acessórios - e semanas depois, a adotante foi direto perguntando por ela na Campanha de Adoção. Ela era invisível, adulta, grande, com estigma de ser agressiva por causa de traços da raça e um anjo a viu, enfeitada e foi paixão de cara. Até hoje mantenho contato com adotante.  

Uma outra história que guardo com muito carinho foi de um cão, do Abrigo João Rosa que ia e vinha de Campanhas de Adoção. Em uma Campanha deles, uma moça que já tinha ligado antes perguntado se ele iria, chegou e perguntou sobre a entrevista, e onde assinava, pois o tinha escolhido assim que viu as fotos. Gratificante demais!

Victor Hugo Cavalcante: Para você é mais difícil tirar fotos de cães ou gatos e por quê? E quais as fotos mais difíceis que foram tiradas? Conte-nos um pouco sobre elas.

Gatos sempre são um pouco mais difíceis, mas sempre dão fotos incríveis! Eles aceitam menos a condição de controle na hora do ensaio, e geralmente abaixam a cabeça, aí haja criatividade para chamar a atenção deles.

Sobre as fotos mais difíceis foram e são aquelas em que no cão ou gato à minha frente, vejo ainda traços da maldade de algum humano praticada antes do resgate. Na Ong Paraíso dos Focinhos tive minha pior prova quando fotografando a Drica, não parava de chorar enquanto a fotografava. Após ver que tinha conseguido as fotos, precisei de um tempo pra respirar, é bem difícil não se envolver.

Victor Hugo Cavalcante: Como você consegue chegar na conclusão de produção (Cenário, enfeites e etc) para as fotos tiradas para o projeto?

Com algumas exceções de fotos usando a natureza como cenário, a grande maioria uso um fundo neutro, escuro, que dá mais destaque, profundidade e acho até um glamour aos pet's retratados. Os acessórios tenho uma grande variedade que sempre vou fazendo novas aquisições. Uso muito de acordo com a pelagem e tipo do animal, em alguns casos, até da personalidade do pet.

Victor Hugo Cavalcante: Para você enquanto fotógrafo qual é o segredo de fazer com que o animal abandonado seja uma "celebridade" canina?

É nunca o enxergar como um animal à parte, invisível. Minha missão é ajudar os protetores a melhor expor esses lindos animais, vítimas de preconceito e ignorância. Graças a Deus isso vem mudando e as adoções crescem cada vez mais.

Victor Hugo Cavalcante: Qual é a importância que projetos como este que você realiza para a vida dos animais abandonados?

Há milhões de cães e gatos abandonados e milhares destes "escondidos" em um abrigo, sem chance de ir a uma campanha de adoção. Como eles terão uma oportunidade? Através dessa dobradinha de imagens profissionais, caprichadas + redes sociais ampliamos a visibilidade deles. Se 10% dos fotógrafos se doassem, 1 vez ao ano que fosse, a realidade poderia ser bem diferente.

Victor Hugo Cavalcante: As fotos dos animais são de apenas um abrigo ou de variados?

São de diversos abrigos. Praticamente todos aqui do Rio de Janeiro, onde resido. Mas já cliquei 65 pitbulls e 5 vira-latas em Goiânia, em dois dias de ensaios na ONG Recanto dos pitbulls que realiza um lindo trabalho lá, um projeto pessoal meu.

Victor Hugo Cavalcante: Quantas exposições de fotografias você já realizou pelo projeto? E o que o público geralmente fala após as exposições?

Nos últimos dois anos realizei 5 exposições, que chamo Amores Vira-latas e uma que fiz só com animais especiais, a Pets Especiais, todas em shopping centers aqui do Rio que acreditam no meu trabalho e abrem suas galerias para eles, vejam só que linda conquista?! O público se surpreende com as imagens, se encanta, chegam a perguntar qual a raça? São vira-latas produzidos, com sua melhor expressão e lindos de viver!

Victor Hugo Cavalcante: Você já realizou fotos de animais com deficiências físicas, para você o quanto isto ajudou a estes animais serem adotados?

Sim! Acredito que é o tipo de foto que mais gosto de fazer e mais me toca. As fotos ajudam demais nesses casos, a deficiência fica em segundo plano, como deve ser. Há duas semanas cliquei pela terceira vez a Campanha de Adoção de Animais Especiais de Niterói, foram mais 21 animais retratados.