Margareth Darezzo: Olha quem está ouvindo música

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Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar perguntando: Como você decidiu compor o CD Canteiro e consequentemente escrever o livro homônimo que foi indicado ao Prêmio Jabuti e recebeu o selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ)?

Margareth Darezzo: Eu que agradeço a oportunidade da entrevista. Eu dei aula por muitos anos em escolas regulares, e passei a compor para as necessidades da sala de aula. Um dia o músico Pichu Borrelli sugeriu: vamos gravar as suas composições? Foi quando fizemos o CD Canteiro, lançado em 2007. A qualidade do trabalho do PIchu Borrelli faz uma grande diferença no resultado. Em 2012 o CD Canteiro ganhou o premio Funarte de Música Brasileira. Acontece que as canções sempre tiveram atividades interdisciplinares, e só no áudio do CD ficava faltando informações sobre o uso das músicas e aplicação nas escolas. Foi quando surgiu a ideia do livro Canteiro Músicas para brincar, publicado pela Editora Ática em 2011. Todas as canções e atividades do livro são resultado de um trabalho com muitas crianças durante quase 17 anos.

Victor Hugo Cavalcante: Existe alguma diferença entre fazer música para bebês e fazer música para pessoas com outras idades?

Sim, muita diferença! Deve-se levar em conta as habilidades dos bebês, questões sensoriais, graduação de estímulo e contexto.

Victor Hugo Cavalcante: Em 2015 você lançou seu segundo livro com CD Quem vem lá? Música e brincadeira para o bebê - publicado pela Melhoramentos, qual a diferença entre esta obra e o Cd/livro Canteiro?

O livro Quem vem lá? é indicado para bebês de zero a 3 anos, e contem uma boa "conversa" com o "interlocutor" do bebê: mãe, pai ou cuidador. As canções falam da rotina do bebê e traz sugestões de brincadeiras e atividades para a criança pequena. O livro Canteiro Músicas para brincar é indicado para crianças de 6 a 8 anos ler e leitura acompanhada a partir de 3 anos e meio/4 anos. O texto está adequado para a fase da alfabetização, desde formato até contexto.

Victor Hugo Cavalcante: Quais as importâncias de se fazer música voltada ao público da primeira infância?

O cérebro do bebê é extremamente plástico, e tudo o que se oferece para ele pode ser muito importante para sempre. Penso que a questão mais relevante é o fato de que a música proporciona vivências ricas em aspectos afetivos, cognitivos e sociais. As canções se tornam um repertório de trocas importantes entre criança e cuidador, além de estimular modalidades em conjunto: audição, visão, tato/movimento, vínculos de memória e momentos agradáveis, nomeação, percepção... A música oferece oportunidades diversas de percepção e aprendizagem.

Victor Hugo Cavalcante: Quais as principais dicas que você daria para quem pretende trabalhar com música para a primeira infância?

Antes de qualquer coisa, conhecer a criança em suas fases e habilidades. Respeitar o contexto da vida da criança! Evitar músicas longas... Oferecer uma diversidade de sons para a criança criar um arquivo sonoro rico. Cuidado com o volume da voz, dos instrumentos e das produções musicais.

Victor Hugo Cavalcante: Além de contar com arranjos e direção musical de Pichu Borrelli, o CDCanteiro contou com participação especial de Dominguinhos; como foi que rolou esta honrosa oportunidade? E o que o cantor Dominguinhos achou do projeto ao ser convidado?

Conheci o Dominguinhos quando trabalhei em uma banda de ritmos brasileiros, a Banda Mistura e Manda de 91 a 94. Uma pessoa maravilhosa,  um artista incrível, extremamente humilde e muito generoso - sempre conheço alguém que recebeu uma ajuda musical importante do "Seo" Domingos. Anos mais tarde, trabalhando a importância da água com as crianças de 5º ano  em um projeto pedagógico que falava de sustentabilidade compus a música Cor da água. Nas atividades falamos que quem mais sabe a importância da água é quem conhece a falta dela...foi quando dediquei a canção para o Dominguinhos e sua terra. LIguei para ele e perguntei se ele gravaria a música comigo: ele prontamente disse que sim e agradeceu muito a homenagem. Depois de vários anos veio a oportunidade de gravar: ele cumpriu a promessa e sou eternamente grata por isso. Dominguinhos mora no nosso coração para sempre.