Síndrome do Pânico: Sintomas e tratamentos

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Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar perguntando o que é e como pode ser identificada a chamada Síndrome do Pânico?
Valdecy Carneiro: A síndrome do pânico  ou transtorno de pânico é caracterizada como um tipo de transtorno de ansiedade em que ocorrem crises inesperadas e recorrentes com sensações de medo, descontrole ou desespero e deve ser diagnosticado por médicos ou psicólogos.

Victor Hugo Cavalcante: Atualmente existem muitos métodos que são utilizados para tratamento, como terapias cognitivas comportamentais, práticas respiratórias e meditativas e a hipnoterapia, método que utiliza a hipnose para o tratamento de transtornos diversos, com grande eficácia, um destes métodos que foi criado pelo senhor foi o Protocolo Carneiro para Síndrome do Pânico, conte-nos como ele funciona.

O Protocolo Carneiro para Síndrome do Pânico é o que chamamos de Terapia Super Breve. Realizamos três sessões de atendimento, mais uma quarta sessão onde é feita a devolutiva, ou seja, onde são reaplicados inventários de validade internacional na mensuração de sintomas de ansiedade, depressão e desesperança, e nesse momento são passados para o paciente/cliente a visão que o terapeuta teve durante todo o processo de atendimento do Protocolo.

Victor Hugo Cavalcante: A síndrome do pânico atinge as pessoas da mesma maneira? Quais os sintomas mais comuns?

Obviamente, como somos seres únicos, mesmo a síndrome do pânico atinge cada pessoa de maneira muita particular. No entanto, existem alguns sintomas que estão presentes na maioria das pessoas afetadas, que são:

  • Suor excessivo (não justificado pelo calor);
  • Formigamentos;
  • Tremores;
  • Respiração descontrolada;
  • Sensação de perda de controle;
  • Sensação de que vai morrer;
  • Despersonalização;
  • Às vezes, ideação suicida...

Victor Hugo Cavalcante: Uma pessoa que tenha tido síndrome do pânico quando criança e passado grande parte da adolescência e juventude sem ter tido um caso pode ter uma recaída? Neste caso qual poderia ser a forma certa de identificar a fonte do problema para a "campainha" desta doença tocar novamente?

A recaída pode acontecer, sim. Por isso, é importante procurar auxílio psicoterapêutico especializado. Muitas situações funcionam como "gatilhos" que disparam sensações semelhantes às experimentadas quando da ocorrência de surtos ou crises antigas. Um bom psicoterapeuta saberá como dessensibilizar tais momentos traumáticos, ressignificando as experiências passadas. Em nossa clínica, utilizamos preferencialmente os Estados Alterados de Consciência, através de técnicas de Hipnose e Programação Neurolinguística (PNL).

Victor Hugo Cavalcante: Quais as principais dicas que você daria sobre como se defender psicologicamente para quem convive com a síndrome do pânico e quem convive com esta pessoa?

Em nosso trabalho ensinamos aos pacientes como utilizarem mecanismos neuro associados que trazem de volta sensações e emoções agradáveis para o corpo e a mente.

Victor Hugo Cavalcante: Além do aspecto psicológico e medicinal há alguma maneira de tratar a síndrome de pânico (Sem deixar é claro a parte medicinal de fora)?

Sempre há várias maneiras de se abordar uma questão, mesmo quando se trata de saúde. A busca de atividades que gerem bem-estar, prazer e algumas mudanças na alimentação podem ser coadjuvantes importantes, pois as práticas citadas podem gerar mudanças nas produções dos hormônios e neurotransmissores associados aos sintomas componentes da Síndrome.

Victor Hugo Cavalcante: O que a pessoa que tenha tido uma recaída de ataque de pânico pode fazer para amenizar os ataques de síndrome do pânico?

Procurar ajuda especializada. A Hipnoterapia, quando praticada por profissionais bem qualificados e técnicas apropriadas pode ser extremamente eficaz para gerar o auxílio necessário.

Victor Hugo Cavalcante:Síndrome do pânico tem como sintoma a ansiedade, mas como diferenciar os ataques desta doença para outras crises de ansiedades?

A Síndrome do Pânico pode trazer algumas patologias ou disfuncionalidades associadas, que normalmente são chamadas de comorbidades. Muitos casos vêm associados com fobias específicas, como Agorafobia, Claustrofobia, etc. A diferenciação, para efeito diagnóstico, é feita por médicos ou psicólogos, pois para efeito prático não há nenhuma utilidade para o leigo em fazer tal distinção.

Victor Hugo Cavalcante: Por se tratar de uma doença mental/psicológica a síndrome de pânico tem cura definitiva ou é apenas integral? Por quê?

Em nada, quando se fala de saúde, pode-se falar em cura definitiva, pois o ser humano é um todo, dinâmico. Podemos falar de tratamentos eficazes, nos quais as pessoas se mantém estáveis, com bem-estar e funcionalidade, levando uma vida tão normal quanto às de outras pessoas que nunca manifestaram sintomas relacionados à síndrome. Em nosso histórico de atendimentos temos pessoas tratadas há mais de oito anos que se mantém estáveis, e segundo relatos delas próprias, melhor do que antigamente.

Victor Hugo Cavalcante: Existe alguma diferença entre o que o adulto que têm síndrome do pânico e o que uma criança tenha este problema sentem quando têm um ataque de transtorno de pânico?

Quanto aos sintomas, não há muitas diferenças. A maior diferença que observamos é quanto às crenças relacionadas à perpetuação do estado disfuncional. As crianças são naturalmente responsivas aos tratamentos, principalmente quando eles acontecem de forma lúdica, tornando-as participantes do processo e, não somente como meras espectadoras.