Os monólogos de uma Rosa Apaixonada

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Poesia: Se você gosta, conecte-se; se não, desafie-se, este é o conselho da escritora e poeta paulista Camila S. Lourenço com a obra Rosa Apaixonada onde amores não vividos, as dores do isolamento social, casamento e virgindade viraram poesia.

Quer saber mais do livro, sonhos e influencias da autora? Então confira a entrevista abaixo.

Victor Hugo Cavalcante: Primeiro é um prazer poder recebê-la em nosso site, e gostaria de começar perguntando: Como surgiu a ideia da história e a oportunidade de publicar Rosa Apaixonada?

Camila S Lourenço: A alegria é minha pelo convite!

Rosa Apaixonada é uma coletânea de poesias, que contempla monólogos antes e depois dos poemas (prólogo e epílogo), para contextualizar as principais histórias que a temática dos poemas aborda.

A oportunidade surgiu quando percebi que pessoas na pandemia poderiam se beneficiar da minha história, de como a poesia me ajudou a superar um isolamento social de oito anos que vivi por causa da Epilepsia.

Era um recado para quem pudesse estar surtando com esse um ano de distanciamento social: Ei, talvez você também possa evitar a loucura com poesia!

Victor Hugo Cavalcante: Como surgiu sua relação com a literatura enquanto leitora e escritora?

Leio muito desde que fui alfabetizada.

O primeiro livro que li na vida não foi infantil, foi Música ao Longe, do Érico Veríssimo.

Curiosamente a personagem principal tinha um encantamento por um poeta, chamado Paulo Madrigal!

Depois, aos 13 anos, ganhei da diretora da minha escola um livro de poesias de outro gaúcho: Mario Quintana.

Eu sofria bullying na escola, e nos intervalos me refugiava na sala dos professores ou da diretora.

Foi a melhor coisa que me aconteceu! Apaixonei-me pelo gênero poesia, comecei a escrever e não parei mais.

Victor Hugo Cavalcante: Quais suas influências literárias (autores prediletos) e quais foram as inspirações para escrever o livro Rosa Apaixonada?

Érico Veríssimo e Mario Quintana seguiram sendo minhas referências, cada um no seu gênero.

A trilogia O Tempo e o Vento do Érico não tem equivalência no cenário nacional.

Também gosto de Shakespeare, e Florbela Espanca entrou recentemente na minha lista de preferidos porque me identifico com a emoção dos poemas dela.

Victor Hugo Cavalcante: Diante do avanço do feminismo, da revolução sexual, das mudanças estéticas na literatura e nas artes em geral, Rosa Apaixonada retoma a simplicidade de valores femininos que preza pela escolha consciente de todas as ações. Por que você decidiu por isso?

Vários motivos, o principal, talvez, foi porque eu não tenha sido exposta aos mesmos estímulos das mulheres da minha geração, que de certa forma as direcionou para certos comportamentos e conclusões sobre a vida.

Cheguei a estudar modernismo, tentei usar algumas formas de versos livres, que é um reflexo do mesmo movimento, mas não encontrei emoção.

Consigo entender o que algumas mulheres pregam, mas muito mais do ponto de vista de quem enxerga uma necessidade que está gritando por meio de uma linguagem silenciosa, que por concordar com fatos.

Essa necessidade é de aceitação, de carinho, de proteção.

Como diria um personagem de quadrinhos "com grandes poderes, vem grandes responsabilidades", certo tipo de empoderamento traz uma carga muito pesada para as mulheres, e muitas delas não sabem lidar com isso, outras, arrisco dizer, nem querem, mas parece um pouco fora de moda contrariar o curso das coisas.

Cheguei a colocar minhas crenças à prova, e minhas ideias só foram reforçadas, de que seguir qualquer caminho por escolha consciente e individual, questionando os modismos e o senso comum de movimentos em grupo é uma excelente opção!

Victor Hugo Cavalcante: Para você enquanto escritora o que nunca pode faltar num bom livro com o mesmo gênero literário que o seu?

Não pode faltar romance e versos de amor.

Sou fã do gênero lírico, mas mesmo nos versos mais contemporâneos gosto do tema de amor, paixão.

Victor Hugo Cavalcante: Quais as principais dicas que você dá para quem deseja algum dia se tornar escritor?

Não desista dos sonhos.

Dedique-se aos seus planos e busque conhecimento. Quando comecei a pesquisar como publicar meu livro, conheci a Lilian Cardoso da LC Agência de Comunicação, e ela estava começando a segunda turma de um curso para formação de escritores de carreira, no qual ela ensina todo o caminho das pedras para quem quer lançar livros com qualidade e vender.

Então, entrar em contato com a LC seria uma dica, a outra é:

Não deixe nunca que te digam que você não pode alcançar seu sonho. Aprimore suas fraquezas e invista nas suas qualidades.

Victor Hugo Cavalcante: O que podemos esperar do livro Rosa Apaixonada? E qual está sendo o feedback das pessoas que já leram o livro?

Rosa Apaixonada é um livro para emocionar os corações mais desacostumados com o gênero.

De certo modo, assim como a essência dos poemas do Mario Quintana me conquistou quando eu não tinha nenhuma familiaridade com o estilo, tenho recebido feedbacks muito interessantes, em especial do público masculino.

Um exemplo é o do Marcos Leicam que escreveu o prefácio.

O convidei quando ele nunca tinha lido nada de poesia antes na vida, e o texto que ele escreveu após a leitura do meu livro, fala por si sobre os efeitos causados.

Victor Hugo Cavalcante: Desde 2010 você escreve em dois blogs, Medos Privados em Lugares Públicos e Diário Fragmentado. Conte-nos mais sobre estes blogs e como eles surgiram.

Medos Privados em Lugares Públicos foi o primeiro.

Foi criado pelo meu irmão para que eu pudesse escrever.

E de certa forma era meio que um diário, em que eu escrevia sobre diversos temas, sem uma linha editorial. Era quase um diário de ideias.

Nele comecei a praticar o hábito de escrever textos para divulgação e não só para mim, como fazia antes nos meus cadernos.

O outro nasceu da minha necessidade de falar sobre fé, e não quis misturar os temas.

Hoje eu construí meu site ele é mais direcionado à importância da fé e do autoconhecimento nas tomadas de decisão, e o ganho que essa visão pode trazer para homens e mulheres, em especial as últimas.

Aos poucos divulgarei releituras de textos dos blogs antigos relacionados, assim como textos novos.

Escrever é meu combustível, e poder compartilhar o que aprendi e aprendo todos os dias é graticante!

Victor Hugo Cavalcante: Você já tem em mente ou rascunhado em algum lugar alguma ideia para um novo livro?

Sim, já tenho ideia para dois livros, já estão em construção embora não tenha escolhido os títulos ainda, e não decidi qual deles será o próximo lançamento.

Trata-se de outra coletânea de poesias e um livro de crônicas, mais próximo do estilo dos blogs.