Loja de Nostalgias nasce no icônico Edifício Esther com evento virtual

Créditos: Divulgação

Uma proprietária personagem, uma loja-cenário e um tempo que coexiste.

Assim, Dolores Nostalgias convida o público para revisitar o ano 1971, calendário que coincide com o ano em que vivemos, e propõe uma viagem no tempo.

A loja apresenta um modelo de negócio Phygital, contração de Physical (físico em inglês) com Digital.

Ou seja, o usuário terá a experiência offline e online juntas. Como?

A partir de outra grande tendência do varejo, o storytelling. O showroom localizado no Edifício Esther (Praça da República) é um cenário para a produção de conteúdo da loja para suas redes sociais.

É a partir das histórias da personagem e proprietária Dolores que os produtos são apresentados ao público.

Para visitar o showroom ou mesmo usá-lo para sessões de foto e vídeo é necessário agendar previamente pelo site da loja-cenário.

Aos sábados, o espaço abre as portas sem necessidade de agendamento, restringindo a entrada até cinco pessoas por vez.

Inauguração no aniversário da cidade

O centro de São Paulo, sobretudo os arredores da Praça da República, são parte importante do universo imaginário de Dolores.

Pois, na narrativa, a personagem começou no ramo das antiguidades no ano de 1968, auge da feira hippie, que já reunia artes, artesanato e antiguidades na Praça da República.

O primeiro catálogo da loja será apresentado ao público no dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, por meio de uma fotonovela que inicia a história de Dolores.

As locações para as fotos foram todas no entorno da Praça, como o tradicional Salão Phydias e restaurante Churrasqueto, na 24 de Maio, fundos do Theatro Municipal, corredores e saguão do Edifício Esther e Esther Rooftop.

Além do lançamento da sua primeira fotonovela, a loja promete uma programação recheada, com a participação da imobiliária Refúgios Urbanos, resgatando a importância do Edifício Esther como epicentro das vanguardas da cidade, a consultoria de design Questtonó, falando sobre o poder da nostalgia, show de Pedro Pastoriz, autor da música Dolores, lançada em 2020 em seu último álbum Ping-Pong com o Abismo e a volta de JR WM, o Dr. Drinks do site Papo de Homem, propondo um brinde virtual e ensinando a audiência a preparar drinks clássicos dos anos 70.

Todas as atrações acontecerão em lives e stories do Instagram da Dolores Nostalgias dentre às 14h e 22h do dia 25 de janeiro.

As atrações serão apresentadas por Mateus Ramos, o Dente D'Ouro, personagem criado para os talk shows da marca Havana Club, TELEFONED'OURO Home Show, e por Joyce Guillarducci, do blog Cansei do Mainstream.

Loja de Nostalgias

O empreendimento resgata o termo Loja de Nostalgias do filme Meia Noite em Paris.

O termo veio de Meia Noite em Paris, de Woody Allen.

No filme, Gil é um escritor que está trabalhando em um romance cujo protagonista trabalha em uma "loja de nostalgia".

A expressão não é compreendida pela família de sua noiva, e até vira motivo de chacota entre eles.

No entanto Gil é encorajado por Hemingway a seguir com sua ideia. Quase dez anos depois, a expressão é resgatada ganhando outros contornos.

A nostalgia tem se tornado cada vez mais presente no comportamento social e já se mostrava ser uma forte tendência antes mesmo da pandemia.

Um estudo recente (MRC Data) observou os efeitos da Covid-19 nas opções de entretenimento e constatou que mais da metade dos consumidores relatou ter encontrado conforto ao rever conteúdos de televisão e de música que gostavam quando jovens.

"Acredito que muitas pessoas estão se voltando para a nostalgia, mesmo que inconscientemente, como uma força estabilizadora e uma forma de lembrar-se das coisas que mais gostam", diz Clay Routledge, professor de Psicologia da Universidade Estadual da Dakota do Norte e autor de Nostalgia: A Psychological Resource (Nostalgia: Um recurso psicológico, em tradução livre).

"A nostalgia neutraliza o vazio que as pessoas sentem quando estão entediadas". E uma análise do cenário científico conduzida em 2018  concluiu que a nostalgia atua como neutralizadora das questões existenciais.

A nostalgia é uma forma de sentirmos esperança e inspiração, diz Routledge.

"A nostalgia nos move para o futuro", diz ele.

"Aumenta nosso desejo de buscar objetivos importantes na vida e a confiança de que podemos alcançá-los.".

Revival dos anos 70, agora com a geração Z

A geração Z tende a ter nostalgia do passado, mesmo que seja um tempo que eles não viveram. Em particular, costumam idealizar os valores antigos e imitar a moda de 1980 e 1990.

No entanto, muitos jovens de cerca de 20 e poucos anos estão cada vez mais adotando épocas mais longínquas, com destaque em especial para o fim dos anos 1960 e começo dos 1970.

Cabelos, maquiagens, roupas que imitam estampas psicodélicas, discussões acerca do uso de alucinógenos, músicas, ufologia, retomada de discussões acerca da Era de Aquário, estão adentrando cada vez mais o imaginário dos centennials.

"Esse cabelo dos anos 70 está de volta melhor do que nunca!" Revista L'Officiel Brasil, 24 de setembro de 2020.

Edifício Esther e suas vanguardas

O primeiro edifício moderno da cidade traz consigo uma história de vanguardas.

Nele moraram Di Cavalcanti e o lendário jornalista e cronista social Marcelino de Carvalho.

O arquiteto modernista Rino Levi também teve lá seu escritório.

Nos anos 50, a efervescente boate Oásis, localizada no subsolo, aglutinava intelectuais. O jornalista Assis Chateaubriand era um dos frequentadores assíduos.

Foi em reuniões no subsolo do Esther que idealizaram o Museu de Arte Moderna de São Paulo.