Os mitos da rinoplastia

Créditos: Rafael Felssner

No ano passado o Brasil foi o país que mais realizou cirurgia plástica no mundo, desbancando os Estados Unidos e diversos países da Europa, segundo a Sociedade internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS).

A rinoplastia, cirurgia plástica que remodela o nariz, ganha cada vez mais destaque nesse cenário e é certamente uma das cirurgias mais populares no país e buscadas por homens e mulheres.

Com o isolamento social, houve um aumento na busca por informações sobre esse tipo de cirurgia e ainda existem muitas dúvidas e informações desencontradas.

O Dr. Guilherme Scheibel, otorrinolaringologista e especialista em rinoplastia, conta um pouco mais sobre os quatro principais mitos sobre esse tipo de cirurgia.

O nariz fica artificial?

"Mito e verdade dependendo da técnica utilizada. Caso sejam feitas ressecções excessivas, o nariz retrai e colapsa, não somente deixando-o artificial, mas também o estigmatizando. Em estruturações mais simples, o cirurgião sabe que normalmente a ponta se movimenta para baixo com o tempo, então a coloca em uma posição mais alta e projetada. O problema é que normalmente a ponta tem uma posição exata em que deixa o nariz bonito, e dificilmente será a posição aonde ela irá se consolidar nesta técnica de estruturação mais simples. O que vemos nestes casos são narizes que acabaram não caindo muito e ficaram empinados demais e com as narinas aparentes ou então cederam demais e voltaram a ficar com a ponta caída. Já em estruturações com técnicas mais modernas, escolhemos exatamente a posição que queremos para a ponta, deixando-o com o formato ideal ao final da cirurgia e com poucas chances da ponta cair com o tempo", explica Dr. Guilherme Scheibel.

Os benefícios da rinoplastia são apenas estéticos?

A rinoplastia é capaz de deixar a pessoa mais bela e aliviar problemas respiratórios, tudo no mesmo procedimento.

"Alterações nasais, como a obstrução, podem causar roncos e ainda estarem associadas a doenças como rinite e sinusite", alerta o Dr. Guilherme Scheibel.

Segundo ele, uma intervenção cirúrgica relativamente simples, como a correção de desvio de septo, pode influenciar a função de respirar e melhorar até o desempenho em práticas esportivas, que requerem um bom condicionamento físico.

"Com a rinoplastia, a pessoa só tem a ganhar em qualidade de vida. É importante lembrar que em técnicas antigas se fazia e remoção em excesso das cartilagens do nariz, que, em vez de melhorar a respiração, piorava. Hoje evitamos e corrigimos estes problemas com a estruturação adequada do nariz", completa.

É para sempre?

"Opero para que sim. A técnica que utilizo é composta de diversos enxertos e fixações firmes, para que eles não se movimentem com o tempo. Em outras técnicas, sem estruturação ou com estruturações mais fracas, realmente pode haver uma tendência maior à queda da ponta e à fragilidade da parede lateral, o que faz o resultado mudar e, em algumas vezes, necessitar de reoperação. O mesmo pode ocorrer mesmo com a melhor técnica, devido à força da cartilagem, peso da pele e outras individualidades de cada paciente, porém é muito menos frequente", conta Dr. Guilherme.

Consigo ficar com o nariz igual de uma celebridade ou de outra pessoa?

"Dificilmente, pois face e nariz são únicos. Os narizes diferem em formato, altura de início próximo aos olhos, término próximo ao lábio, largura, espessura de pele e outra infinidade de parâmetros, além de terem que estar em harmonia com a face. Salvo os casos em que todos estes parâmetros sejam muito similares, o que é extremamente raro, os narizes invariavelmente vão ficar diferentes. Até mesmo em gêmeos os resultados podem diferir, pois existe também a variável de como as estruturas estão internamente e do que o cirurgião executou de técnica. Brinco que rinoplastia não é receita de bolo e o fato é que cada nariz é único e deve ser operado da mesma maneira, com exclusividade", explica Scheibel.

Sobre Dr. Guilherme Scheibel

Dr. Guilherme Scheibel é palestrante internacional em rinoplastia, graduado em Medicina pela Faculdade Evangélica do Paraná, possui Residência Médica em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial pela Santa Casa de Curitiba (PUC-PR) e Título de Especialista em Otorrinolaringologia pela Associação Médica Brasileira e pela Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia, também é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica da Face.

Além disso, é fundador do Virtual Fellow, programa internacional de ensino em rinoplastia para otorrinos e cirurgiões plásticos de todo mundo.