A influência da máscara na fala de crianças e adolescentes

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A fonoaudióloga Dra. Cristiane Magacho tem feito lives e vídeo aulas para falar sobre a importância da voz, como ela foi utilizada durante a pandemia em Lives, aulas online, vídeo conferências, bem como a importância da fonoaudiologia para pacientes que foram intubados no coronavírus.

A profissional, precursora mundial do estudo da dermatoglifia desde 2013, quando ingressou no programa de Doutorado em Linguística da PUC-SP, é especialista em Voz pela CFFA e mestre em Ciência da Motricidade Humana pela Universidade Castelo Branco.

A  dermatoglifia é o estudo científico das impressões digitais, pelo qual é possível analisar o potencial genético do indivíduo (velocidade, força, resistência e coordenação).

E hoje ela explica um pouco sobre o uso de máscara em crianças e adolescentes e sua influencia na fala nesta entrevista com Paula Ramagem Soares, confira:

Paula Ramagem Soares: A partir de que idade é indicada o uso de máscara?

Dra. Cristiane Magacho: O Ministério da Saúde recomenda o uso de máscaras para todas as faixas etárias, mas elas podem trazer falsa sensação de segurança e levar ao descuido com a higiene. Na prática, recomendam para crianças acima de dois anos.

Paula Ramagem Soares: O uso da máscara pode prejudicar crianças que estejam desenvolvendo a fala? Ou que tenham algum problema relacionado a ela: língua presa, troca de sílabas, omissões de alguns fonemas, gagueira etc.

Sim, o uso da máscara pode impedir a criança de se beneficiar, além da pista auditiva, da pista visual.

Tanto a aprendizagem, como a alfabetização, ocorrem com a repetição sistemática, que deve ser recheada de modelos lúdicos.

Além disso, o uso de máscara impede que o professor ou responsável identifique alguma alteração na fala da criança.

Outra questão importante, é que a máscara abafa o som da voz, fazendo com que adultos e crianças adquiram um comportamento vocal de esforço, podendo levar ao aparecimento de nódulos (calos) nas cordas vocais.

Paula Ramagem Soares: Existem exercícios de fala que elas podem fazer para que não haja prejuízo?

O que se deve fazer para não haver prejuízo na fala é optar pelo uso de máscaras transparentes. Também existem vários modelos em acrílico.

Quanto à voz, levar em consideração a fala mais lenta, tentar coordenar a respiração com o uso da voz, falar com mais pausas e tentar articular melhor as palavras.

Paula Ramagem Soares: Crianças com outros problemas, relacionados a atraso mental, por exemplo, podem sofrer com a necessidade do uso da máscara?

Sim, crianças que apresentam alguma deficiência cognitiva, provavelmente apresentarão dificuldade na aceitação do uso de máscara.

Paula Ramagem Soares: Muitas escolas vão retomar as aulas agora em novembro, como as professoras podem facilitar a comunicação com alunos? Que dificuldades poderão ser enfrentadas?

As professoras podem optar pelo uso de máscaras transparentes e também pelo uso do microfone para minimizar o abafamento causado pelo uso da máscara.

Paula Ramagem Soares: Crianças e adolescentes muito introspectivos podem sofrer ainda mais com o uso da máscara? É possível que haja traumas futuros?

Algumas pessoas mais introspectivas têm se beneficiado com o uso de máscara, por se sentirem protegidas (emocionalmente) por trás delas.

Outras tantas se sentem incomodadas por terem que aumentar a intensidade da voz na comunicação.

Paula Ramagem Soares: Que dicas você dá para que os pais e os professores reforcem a importância de usar a máscara, mesmo que seja difícil no dia a dia das brincadeiras, dos papos com os colegas etc.?

Seria interessante que as crianças possam sentir-se confortáveis com a máscara. O modelo transparente é o mais indicado, não só para crianças, mas também para educadores.