Um Call com Amanda Azevedo

Créditos: Divulgação

Idealizado pela atriz Amanda Azevedo, o monólogo Call com Cleo surgiu em meio à pandemia, junto à vontade de contribuir com um entretenimento para as pessoas trancadas em casa.

A atriz que começou no teatro com 07 anos já atuou em mais de 20 peças amadoras e profissionais, tendo também produzido uma delas.

No audiovisual atuou em oito curta-metragens no último ano, produzidos tanto em SP, quanto em NY, onde morou por alguns meses para estudar.

Além de também participar na publicidade de campanhas veiculadas tanto no Brasil quanto na América Latina.

Formada em Propaganda e Marketing pela ESPM, trabalhou no mercado publicitário por três anos até decidir seguir com a carreira artística.

Seu trabalho mais recente foi o seu primeiro projeto autoral em que escreveu, produziu e protagonizou: a websérie de humor Call com Cleo.

Embora nós não tenhamos realizado (ainda) uma call com a atriz, procuramos saber mais sobre sua carreira, seus trabalhos, suas influencias e muito mais.

Victor Hugo Cavalcante: Primeiro é um prazer poder recebê-la em nosso site, e gostaria de começar perguntando: Como começou sua relação com as artes cênicas?

Amanda Azevedo: Olá, o prazer é meu, obrigada! Minha relação com as artes começou no teatro, quando eu tinha 07 anos.

Entrei em um grupo em que fiquei por 11 anos, junto com o teatro da escola. Fiz mais de 20 peças nesse período. Agora mais velha, decidi seguir como profissão e me aprofundar nos estudos.

Victor Hugo Cavalcante: Quais foram os trabalhos mais incríveis e os mais complicados que você já interpretou? Por quê?

Vou juntar os mais incríveis com os mais complicados, pode? (risos)

Hoje os mais desafiadores pra mim viraram os mais especiais, porque eu amadureci muito no processo e fiquei muito feliz com o resultado.

Um deles foi minha primeira peça profissional, Guarde um Beijo Meu, em que o elenco era apenas eu e outro ator, mal saíamos de cena.

Além de atriz, também fiz parte da produção. E o outro projeto é o mais recente, a websérie Call com Cleo, meu primeiro trabalho autoral em que assino o roteiro, direção e produção.

Victor Hugo Cavalcante: Como você consegue driblar a ansiedade antes de entrar nos palcos?

O ritual pré-cena é bem valioso para driblar a ansiedade. Faço um aquecimento, coloco uma música que me conecta com a personagem, e vou entrando naquela atmosfera.

Já o frio na barriga sempre tenho, mas ele faz parte da adrenalina, eu gosto.

Victor Hugo Cavalcante: Como surgiu a ideia de criar a websérie Call com Cleo?

Senti uma necessidade de contribuir de alguma forma como artista nesse momento de pandemia junto com uma vontade de continuar praticando meu ofício em casa.

Comecei a observar muito o comportamento das pessoas na quarentena, nesse olhar atento vi que alguns casais estavam se separando por passarem muito tempo juntos, então pensei em explorar o oposto, casais que estão passando a quarentena separados e assim percebem que não sentem falta um do outro.

Decidi que contaria essa história com humor e assim nasceu a Cleo.

Victor Hugo Cavalcante: Idealizado por você, o monólogo Call Com Cleo surgiu em meio à pandemia, junto à vontade de contribuir com um entretenimento para as pessoas trancadas em casa, mas afinal qual tem sido o feedback do público para este trabalho?

O feedback foi muito positivo, fiquei bem feliz!

As pessoas se identificaram com a história dela, se reconhecerem em alguns comportamentos, se emocionaram e se divertiram.

Tiveram uma empatia muito grande pela Cleo. Muitas pessoas me falaram que os episódios serviram de respiro para seus dias.

Victor Hugo Cavalcante: Cleo é uma jovem que passa por um término de namoro na quarentena.

Diante da situação inusitada, ela se vê determinada a se redescobrir e lidar com a nova vida de solteira. Quais as principais diferenças e semelhanças entre você e a personagem?

A Cleo é curiosa, adora se comunicar e faz muitas coisas ao mesmo tempo, nisso somos parecidas.

Por outro lado, ela fala tudo que vem a tona, sem muito filtro (risos).

Acaba revelando sentimentos que muitas vezes as pessoas não tem coragem de dizer, inclusive eu.

Isso que a torna divertida! Eu também adoro o senso de humor dela, me identifico.

Victor Hugo Cavalcante: O quanto de roteiro de Call com Cleo existe na personagem principal e o quanto de Amanda Azevedo tem nela?

Um dos pontos de partida da trajetória da Cleo que veio da minha história foi a questão de me sentir improdutiva no começo da quarentena e começar a me pressionar, principalmente pelo uso das redes sociais, de precisar estar fazendo e acontecendo.

Quis colocar isso no roteiro, levantar questões sobre o nosso comportamento na internet, dos padrões e comparações que muitas vezes não são saudáveis para gente.

A Cleo é um reflexo das situações que muitos de nós passamos durante essa quarentena, inclusive eu.

Victor Hugo Cavalcante: A cada episódio de Call Com Cleo, a personagem faz uma videochamada com uma pessoa diferente em uma divertida missão de se adaptar à sua nova fase. Ela baixa aplicativos de relacionamento, se inscreve em cursos e até marca date online, mas afinal como é a sua relação com o mundo virtual?

Tenho uma relação bem próxima com as redes sociais, principalmente Instagram.

Entendi que ele é uma plataforma essencial para eu apresentar meu trabalho como atriz e assim me conectar com o público e outros profissionais.

Eu também continuei fazendo meus cursos e tocando meus projetos pelo zoom.

Agora pegando um pouco do que falei anteriormente, eu comecei a ficar mais atenta a consumir só conteúdos que me agregam na internet, senão eu passo horas vendo coisas que só me fazem perder tempo.

Victor Hugo Cavalcante: Quais são as suas inspirações para criar a Cleo e os fatos vividos por ela na websérie?

Comportamento humano. Eu sou muito observadora, e gosto desse lugar. Acredito que criatividade vem do olhar atento e a arte vem para levantar questões.

Os fatos vividos pela Cleo são inspirados desde amigas próximas (principalmente sobre relações amorosas e processos de términos de namoro) até o Instagram no geral.

Lá eu acompanhava as tendências da quarentena, o que as pessoas estavam comentando, para usar na websérie e assim ela estar sempre se comunicando de forma atual com o público.

Victor Hugo Cavalcante: Quais as principais dicas que você dá para quem deseja algum dia se tornar ator/atriz?

É uma profissão que você nunca vai parar de estudar, então precisa ter gosto por isso. Seja curioso pela vida, pelo ser humano, e principalmente exerça a empatia.

Aproveite cada etapa do processo, porque ele é o mais valioso. Não espere chegar os testes, crie suas oportunidades através de projetos autorais, use as redes sociais, crie seu público e se conecte com outros artistas. O caminho se faz caminhando.

Victor Hugo Cavalcante: Quais artistas mais te influenciam e no que eles te influenciam?

No geral, uma das artistas que mais admiro é a Debora Falabella, acho ela criadora, inquieta e empreendedora.

Apesar dos grandes projetos que é chamada, ela também tem os seus autorais.

Tem uma companhia de teatro há muitos anos, na pandemia produziu uma websérie, fez leituras online, transita pela TV, pelo cinema, pelas séries.

Acho ela completa e admiro sua carreira.

Agora, mais especificamente para construção da websérie da Call com Cleo, me inspirei muito no tom de comédia do Fabio Porchat, da Ingrid Guimarães e da Monica Martelli, que é bem atual e inteligente. É o tipo de humor que eu gosto.

Victor Hugo Cavalcante: Se fosse possível contracenar com algum ator/atriz brasileiro quais seriam suas preferências e por quê?

Difícil, são tantos! Gostaria de passar pela experiência de contracenar com a Fernanda Montenegro, para eu observar seu trabalho de perto e aprender.

Agora pensando que estou nessa onda da comédia, adoraria contracenar com a Ingrid Guimarães em um longa, desde pequena acompanho o trabalho dela. Acredito que seria divertido e eu aprenderia bastante também.

Victor Hugo Cavalcante: A Cleo é uma jovem que passa por um término de namoro na quarentena. Diante da situação inusitada, ela se vê determinada a se redescobrir e lidar com a nova vida de solteira. Nesta pandemia (e consequentemente quarentena) você procurou se redescobrir de que forma?

Meu processo de redescoberta está sendo na minha artista, antes eu focava só na atuação, mas depois da websérie comecei a explorar mais a minha escrita também.

Estou gostando de escrever roteiros, de produzir conteúdos autorais. Estou mais conectada com o meu fluxo criativo e está me abrindo caminhos muito legais.

Victor Hugo Cavalcante: Conte-nos o que podemos esperar para os próximos trabalhos além do que já foi comentado nas perguntas acima.

Continuo criando e alimentando a página da Call com Cleo com diferentes conteúdos, e quem sabe não teremos uma segunda temporada da websérie!

Além disso, estou ensaiando uma peça de teatro online.

Estou bem feliz em estar passando por essa experiência, entramos em cartaz no final de novembro.

Podem me acompanhar no Instagram para mais informações. Obrigada Victor!