A cor Púrpura do sucesso

Créditos: Valéria Custódio (Instagram)

A cantora e compositora Valéria Custódio nasceu na cidade de Mogi das Cruzes na grande São Paulo em 1995.

Em janeiro de 2019 Valéria fez o pré-lançamento do seu disco Púrpura com shows na cidade de Porto Alegre no Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro e no mesmo ano foi uma entre cinco artistas brasileiros selecionados para participar do Festival Internacional de Música Ethno Brazil que reuniu músicos do mundo inteiro que se apresentaram em palcos de relevância, como o Auditório do Ibirapuera.

Quer saber mais da cantora? Então confira a entrevista abaixo.

Victor Hugo Cavalcante: Primeiro é um prazer poder recebê-la em nosso site, e gostaria de começar perguntando: Como surgiu a sua relação com a música e principalmente com o gênero proposto por você?

Valéria Custódio: Minha relação com a música vem desde criança, sempre havia um rádio ligado ou CD tocando, os gêneros musicais eram pop e MPB, as bandas que estavam fazendo sucesso na época e cantores já consagrados como Caetano Veloso, Chico Buarque, Cassia Eller entre outros artistas.

Por ter um gênero tão presente fazendo parte do meu crescimento, a música popular brasileira foi um caminho quase que natural de escolha quando comecei a cantar, é uma forma de composição com a qual me identifico e que desenvolvi a minha escrita dentro desses moldes também, desde a métrica das letras até os acordes usados para as melodias.

Victor Hugo Cavalcante: Em janeiro de 2019 você fez o pré-lançamento do disco Púrpura com shows na cidade de Porto Alegre no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, qual foi o feedback dos fãs ao pré-lançamento do disco e aos shows?

Antes do disco eu tinha apresentado somente duas canções autorais para o público, o meu trabalhado era pautado e conhecido como cover, quando lancei um trabalho com as minhas próprias composições a recepção do público foi maravilhosa e positiva, mas tudo isso na região de São Paulo.

Viajar e apresentar em outras cidades foi uma escolha ousada da minha parte (Risos), mas eu senti que precisava ganhar mais territórios e foi o que acabou acontecendo fui muito bem recebida em todas as cidades que passei.

Não é à toa que dizem que o artista é 90% feito pelo público, e no meu caso não foi diferente.

Victor Hugo Cavalcante: Ainda em 2019, você foi uma entre cinco artistas brasileiros selecionados para participar do Festival Internacional de Música Ethno Brazil, o festival reuniu músicos do mundo inteiro que se apresentaram em palcos de relevância, como o Auditório do Ibirapuera. Como foi que surgiu a oportunidade de se apresentar no festival e como foi o feedback do público à sua apresentação?

O Ethno Brazil é um projeto mundial, e acontece no país uma ou mais vezes ao ano, como também gosto de produção executiva e gestão de carreira, eu sempre faço a pesquisa para ver quais festivais e editais estão abertos e onde o meu trabalho pode se encaixar, foi assim que encontrei o anúncio do Ethno, mandei todo o meu material de trabalho e fui uma das artistas selecionadas.

Apresentei-me com todos os músicos presentes no projeto um total de 14 artistas de diversas partes do mundo no palco do Auditório do Ibirapuera, estava lotado e o público vendo um show totalmente diferente e inovador, foi uma das experiências mais incríveis que já vivi.

Victor Hugo Cavalcante: Comente sobre as músicas contidas no disco Púrpura.

As músicas do disco são uma mistura de tudo que me influencia, do que me toca como pessoas e me faz querer viver.

As letras misturam cotidiano, coisas que passei, histórias que ouvi, preconceitos que vivi por ser uma mulher negra, e tento retratar isso em forma de canção, não diria que ele tem uma linha de gênero específica já que para mim, cada música pede o que ela realmente precisa.

A faixa que destaco no disco é a seis, Flores Pretas, que escrevi em parceria com o Thiago Costa, que trata sobre essa questão racial que vivi e sobre o preconceito de forma geral, ela acabou me dando o meu primeiro prêmio de carreira.

Victor Hugo Cavalcante: O que nunca pode faltar em seus shows e nas letras das suas músicas?

Eu canto o amor, felicidade e a verdade, esteja a palavra presente ou não, mas para mim as letras das canções ou as melodias precisam carregar essas três palavras, e procuro sempre cantar o meu tempo, retratar o que estamos vivendo no hoje.

Nos meus shows não pode faltar alguma música que tenha feito parte da minha vida, seja na infância ou que eu considere que me marcou de alguma forma em algum momento.

Victor Hugo Cavalcante: Como você consegue driblar a ansiedade antes de entrar nos palcos?

Eu rezo, peço caminhos abertos e agradeço imensamente de poder estar ali, sozinha ou com a minha banda trabalhando no que eu mais amo.

Victor Hugo Cavalcante: Quantas músicas autorais e trabalhos audiovisuais você já possui e quem produziu os clipes?

Possuo um trabalho audiovisual produzido no Estúdio Y/B na cidade de São Paulo, quatro gravações de shows feitas para plataformas virtuais com o projeto do ProAc, um disco com 6 faixas autorais e diversas parcerias que estão para ser lançadas esse ano.

Em 2020 comecei os trabalhos com a produtora executiva Dolores Bah, que produziu os shows que foram gravados para as plataformas virtuais e também assinam as produções dos projetos de audiovisual o Estúdio Manga Rosa da cidade de Petrópolis no Rio de Janeiro.

Victor Hugo Cavalcante: Quais músicos que você mais se influencia e admira e no que eles te influenciam?

Valéria Custódio: Tenho diversos artistas que vou conhecendo e admirando com o tempo, mas alguns são paixão e admiração eternas Chico Buarque, Billie Holliday e Marisa Monte. (Risos)

A forma ímpar de compor do Chico não é novidade pra quem escuta as músicas ou então lê suas letras e livros, e como compositora não tem como ser indiferente ao jeito todo especial que ele escreve, Billie Holliday é uma cantora de jazz considera por muitos como uma das maiores de todos os tempos, eu aprendo muito com o jeito que ela canta e como consegue colocar uma voz às vezes rouca em lugares tão agudos, sua história de vida também me inspira; Marisa Monte é uma artista completa, cantora, compositora, produtora, arranjadora e abriu caminhos para que as mulheres no meio musical tivessem também lugar de destaque, é uma inspiração incrível e suas músicas me levam pra outro universo.

Victor Hugo Cavalcante: Quais as principais dicas que você dá para quem deseja algum dia se tornar cantor com o mesmo gênero musical de vocês?

É preciso amar o que você está fazendo, ter realmente aquele gênero como uma parte de você, estudar e se tornar melhor profissionalmente também são coisas muito importantes.

Juntando isso com o correr atrás, parte do caminho já está garantido.

Victor Hugo Cavalcante: Dentro do cenário brasileiro com o seu gênero musical, você costuma acompanhar algum artista com trabalho autoral? E sobre as estrangeiras, alguma atual que tenha lhe chamado a atenção?

No Brasil não tenho nenhum artista de grande mídia que esteja me chamando a atenção com trabalhos autorais na MPB, mas no cenário independente destaco a Thami que mescla bem os gêneros e também traz a questão da representatividade da mulher negra.

No estrangeiro vou para o lado do pop/indie com Daniel Caesar e HER.

Victor Hugo Cavalcante: Conte-nos um pouco sobre como é a representatividade do gênero musical tocado por você na região onde mora?

Moro na cidade de Mogi das Cruzes na grande São Paulo, é uma cidade que tem uma recepção boa para a parte cultural, a representatividade ainda é pouca, e quando se trata de mulheres negras instrumentistas é menor ainda, mas espero que os trabalhos que estamos desenvolvendo abram caminhos e oportunidades para que outras artistas também possa trilhar a carreira de forma mais ampla.

Victor Hugo Cavalcante: Quais são suas maiores inspirações para compor uma letra e sobre que tipos de assuntos são mais tratados nas letras de suas músicas?

Gosto de compor sobre o que vejo e sobre o que vivo, o cotidiano para mim é uma inspiração fascinante.

As minhas inspirações vem quando estou mais ativa, viajando, conhecendo lugares, planejando um novo projeto, parece que todas as informações ficam guardadas em mim para solta-las na hora certa em alguma nova composição.

Victor Hugo Cavalcante: Atualmente você foi uma das primeiras artistas a fazer uma turnê virtual com o seu disco Púrpura, o projeto que foi uma realização do ProAc Editais em parceria com o Governo do Estado de São Paulo durou de julho a setembro de 2020. Conte-nos um pouco sobre esta turnê virtual.

Foi uma das experiências mais diferentes que já tive, porque ao mesmo tempo em que era um show, não era, acabou se tornando uma gravação.

Eu tinha feito uma apresentação virtual dessa turnê onde reuni 3.000 pessoas, então passar do presencial para o virtual foi uma escolha delicada, pois tinha toda a questão de segurança, o risco de contrair o coronavírus era imenso, mas ao mesmo tempo era uma oportunidade única naquele momento, acabou sendo um divisor de águas na minha vida e na minha carreira, de forma totalmente positiva.

Victor Hugo Cavalcante: Qual foi o show mais fantástico de todos que você já fez?

Os shows virtuais, por se tratarem de um momento histórico que eu estava vivendo e também o do Festival Internacional Ethno Brazil, ter contato com artistas tão talentosos de vários países foi uma das coisas mais lindas e emocionantes que já vivi.

Victor Hugo Cavalcante: Conte-nos o que podemos esperar para os próximos trabalhos além do que já foi comentado nas perguntas acima.

Ainda realizo mais alguns shows virtuais para esse ano e começo a gravação do meu próximo videoclipe com a música Esses Dois em parceria com o músico Thiago Costa com lançamento previsto para janeiro de 2021.