A bruta versatilidade de um artista multifacetado

Créditos: Derrick Santini

Com 54 anos, e diversos personagens interpretados em diferentes gêneros audiovisuais, o ator Roberto Rowntree, demonstra um incrível talento não apenas como ator, mas também como produtor, diretor, roteirista, cantor e compositor.

E hoje ele nos conta um pouco sobre como começou seu interesse pelas artes cênicas, influências e muito mais.

Victor Hugo Cavalcante: Primeiro é um prazer poder recebê-lo em nosso site, e gostaria de começar perguntando: Como começou sua relação com as artes cênicas tanto na atuação quanto na produção e criação de roteiro?

Roberto Rowntree: Comecei muito novo, acompanhando minha mãe que é atriz, acompanhava o grupo de teatro dela, ali fui me interessando, assistindo aos ensaios, ajudando minha mãe a decorar os textos e emergindo nesse universo.

Quanto aos roteiros, desde muito cedo, gostava de criar histórias em quadrinhos, letras de música e esquetes de humor, o que mais tarde acabou fazendo com que eu criasse meu programa de humor: Johnny Brabo Show.

Victor Hugo Cavalcante: Falando um pouco sobre produção e roteiros quantos roteiros e produções você já criou?

Como já estou muito tempo na estrada, não tem como contabilizar todos os roteiros, somente no meu programa eu escrevi dezenas de quadros, já escrevi algumas peças, alguns longa-metragens, e infelizmente, pela falta de apoio que nós temos no meio artístico, já que nosso país nunca existiu muito a cultura de investir em arte, muitos roteiros foram parar na gaveta, por isso seria impossível conseguir calculá-los.

Victor Hugo Cavalcante: Quais as principais dicas que você dá para quem deseja algum dia se tornar ator/atriz ou até trabalhar como produtor, diretor ou roteirista?

Em todos os casos, se exige muito esforço, muita concentração, estudo e prática, porque a teoria sozinha não adianta de nada, por isso eu aconselho que as pessoas trabalhem de fato na área, mesmo que começando como assistente de produção ou roteiro, você tem que começar, aprendendo com quem já sabe, ou seja, tem que procurar as pessoas que têm mais conhecimento e fazer delas seus mestres.

Victor Hugo Cavalcante: Quais atores/atrizes mais te influenciam e no que eles te influenciam?

Ao longo da minha carreira tive a honra de conhecer tantos atores e atrizes fenomenais que seria injusto citar nomes, mas se eu pudesse citar algumas pessoas que foram muito importantes no decorrer da minha carreira, não poderia deixar de falar de Maurício Sherman, Gugu Olimecha, Duda Ribeiro e Dedé Santana, são além de mestres, grandes amigos.

Victor Hugo Cavalcante: Se fosse possível contracenar com algum ator/atriz brasileiro quais seriam suas preferências e por quê?

Gostaria de ter contracenado com Ruth de Souza e Nathália Timberg, pois tenho grande admiração e respeito e gostaria muito de também ter contracenado algum dia com Paulo Gracindo.

Victor Hugo Cavalcante: Quais foram os trabalhos mais incríveis e os mais complicados que você já interpretou? Por quê?

Cada trabalho tem seus desafios e suas dificuldades, se eu pudesse citar alguns que considero mais divertidos ou mais complexos, na categoria complicados eu colocaria o Fifi do filme Estação Rock, do produtor Pablo Loureiros, que está nas plataformas NOW, Vivo Play e Amazon Prime, e o Zé do filme Portaria 243, que está na plataforma NOW; foram trabalhos que exigiram muito de mim como ator.

Não menos difíceis, mas extremamente divertidos, eu citaria o Brutalone do Acampamento de Férias do Didi, na temporada Ilha dos Corsários, em que eu fazia um personagem praticamente mudo, que exigia muito mais do meu trabalho de interpretação, este personagem se comunicava com expressões e grunidos, e o personagem Homero, do filme O Cemitério das Almas Perdidas de Rodrigo Aragão, é um monstro truculento e malvado e que me rendeu muitas cenas divertidíssimas.

Victor Hugo Cavalcante: Por ser roteirista você acha que isto te ajuda na hora de interpretar algum personagem que permita que você dê um pouco de si além do que foi roteirizado ou não?

Acredito que sim pela capacidade maior de entender as entrelinhas do roteiro e as nuances do personagem. Eu creio que quando você escreve consegue perceber mais detalhes do roteiro.

Victor Hugo Cavalcante: Você ficou bastante conhecido no papel de Jone Brabo, um show de comédia que chamou muita atenção do público pela a sua autenticidade. Conte-nos um pouco sobre este show.

Jone Brabo Show aconteceu num momento muito interessante, pois era virada de século, comecei na rádio em 2001 e a cultura ali estava mudando, estava tudo mudando, eu tinha influência do que eu tinha trazido de fora do Brasil e de muita coisa que fazia parte do meu mundo, o circo, os quadrinhos, o rock, o humor, tatuagem, motociclismo, artes marciais, cinema de ação e terror, e misturei tudo isso em um único pacote criando um super-herói do rock que enfrentava diversos inimigos imaginários (super vilões).

O programa tinha um humor escrachado, inocente, e devido à nossa falta de recursos, ele era um programa muito tosco e nós assumimos essa tosqueira, o que o tornava ainda mais engraçado.

Com o decorrer dos anos o programa foi ganhando mais recursos e melhorando tecnicamente, mas fazíamos de tudo para manter a "tosqueira" que era a essência dele.

Victor Hugo Cavalcante: Você interpretou também o personagem Brutão no programa Zorra Total da TV Globo! Quanto de roteiro teve no personagem e o quanto de Roberto teve em Brutão e o que o público achava dele?

Bem, os roteiros eram da equipe do Zorra Total, liderados naquela época pelo genial Gugu Olimech, e o Sherman também teve alguma participação na criação do quadro, naquele tempo tudo o que ia ao ar era discutido previamente pelos dois.

Quanto ao Brutão, o personagem foi criado por mim, misturando elementos de diferentes personagens de desenhos animados como o Lobo do Papa Léguas, o Brutus do Popeye e o Diabo da Tasmânia do Perna Longa (Taz).

Victor Hugo Cavalcante: Ainda sobre sua passagem no Zorra, você logo de cara na sua estreia no programa teve a honra de contracenar com o ator Milton Gonçalves, que é um grande nome da comédia nacional. Como foi gravar o quadro com este grande ator?

A primeira vez que eu pisei no Projac, foi para gravar uma participação no Zorra Total, naquela época eu trabalhava muito no Jone Brabo Show e não tinha tempo de assistir à televisão, eu já tinha decorado o texto, mas não sabia com quem iria contracenar, e ao chegar lá e me deparar com Milton Gonçalves, me deu um frio na barriga, eu acabava de descobrir que iria contracenar com um dos monstros sagrados de nossa televisão, cinema e teatro, mas como todos os grandes nomes que conheci, ele foi extremamente generoso e a cena foi gravada num clima excelente de diversão e humor com muitas risadas.

Victor Hugo Cavalcante: Outro dos seus personagens de grande destaque foi o Galego da novela Salve Jorge, que teve uma temática intensa e se diferenciou de outros personagens que eram voltados para a comédia. Como foi a preparação que você teve para dar vida ao personagem e o que o público achou dele?

Galego foi um trabalho pitoresco, pois entrei na novela para fazer uma participação e acabei ficando, todos nós fomos incentivados a estudar muito sobre o assunto abordado na novela, que era o tráfico de seres humanos, se travava de um crime hediondo e tudo o que nós vimos sobre o tema era muito pesado.

Logo no início da novela, o diretor Marcos Schetmann, deixou claro que eu continuaria na novela, e como eu tinha poucas falas e aparecia constantemente, resolvi imprimir toda aquela maldade no meu olhar e expressões, o que surtiu um efeito positivo, pois o público começou a temer o Galego, o que fez com que o personagem crescesse e ganhasse mais falas, maiores cenas e conseguindo destaque na novela.

Victor Hugo Cavalcante: Muitos filmes que iriam estrear neste ano no cinema foram direto para o serviço de streaming, como a Amazon Prime Video, Netflix, Telecine, entre outros. Um dos filmes foi O Cemitério das Almas Perdidas que estreou no dia 07/09 no Cine Fantasy, o maior festival de cinema fantástico. E o grande assunto está sendo ele, por ser o maior filme de terror realizado no Brasil, sob a direção do cineasta Rodrigo Aragão. Como foi para você ter participado deste filme?

Participar do filme, além de ser uma ótima oportunidade para minha carreira, foi extremamente divertido e, além disso, trouxe ao meu currículo a aquisição de novos colegas extremamente competentes, além do próprio Rodrigo Aragão, a quem admiro muito.

Victor Hugo Cavalcante: Você chamou muita atenção por ser parecido com o ator americano Sylvester Stallone, essa semelhança fez com que fosse convidado para participar de um filme do Stallone que seria gravado aqui no Brasil. Embora o convite não fosse adiante como foi conhecer o astro americano?

Na verdade não foi bem isso, a semelhança com ele que me atrapalhou, pois foi esse fator que impediu a minha entrada no filme, embora, Stallone tivesse sido super cordial e simpático comigo, foi uma honra apertar a mão dele.

Victor Hugo Cavalcante: Conte-nos o que podemos esperar para os próximos trabalhos além do que já foi comentado nas perguntas acima.

Em breve teremos a estreia do filme Soviética, do cineasta pernambucano Filipe Ramos; o filme Jorge da Capadócia do cineasta Alexandre Machafer, e fui aprovado no elenco para gravar ano que vem dois filmes em Brasília, um com a cineasta Glória Teixeira e outro com o cineasta Petérson Paim.