Zu Laiê, a mensageira da boa música brasileira

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Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por ter aceitado nosso convite de entrevista, e gostaria de começar perguntando: Sobre o EP Mensageiro o que os fãs podem esperar do trabalho? Quais as músicas que estão nele, se pudesse definir a mensagem que você quer passar com este inédito trabalho autoral qual seria a definição?

Zu Laiê: O EP contém 6 (seis) canções inéditas e autorais, compostas por mim e pelo músico José Cássio Jaber. É composto pelas faixas Èsù, Cheguei Agora, O Baque da Nossa Casa, Semente do Canto, Moinhos do Asfalto e Tristeza de Amar. Gravadas ao vivo na Gargolândia, as canções prezam pela organicidade do som e o calor das interpretações, com uma linguagem que contagia e aproxima o público. Com uma vasta linguagem musical em sua rıt́mica, letra e melodia, mergulha em vários universos regionais para tecer cotidianos e características culturais brasileiras, criando um trabalho inovador e ao mesmo tempo simples, acessível, e que pode ser compreendido sem dificuldade pelo público devido a sua linguagem popular. O samba e as tradições de terreiro é o grande fio condutor do trabalho, passando por diversas expressões populares.

Além de cantora e compositora você é mestra na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Unesp (Franca), o quanto isso te influencia na criação de novas composições musicais? Quais suas maiores influências para compor músicas?

A posição de pesquisadora é fundamental para minha trajetória profissional. É uma postura de busca, de respeito pelas fontes, de procura por diferentes vozes e pela tentativa de fornecer alguma contribuição cultural e social com o meu trabalho. Com a arte, podemos interferir no mundo de maneira inteligente e criativa. Na composição, gosto de falar dos meus lugares e experiências, que servem de pedra bruta para transmitir mensagens que me pareçam relevantes, interessante de serem ouvidas.

Como começou sua relação com a arte e com a música?

Desde muito pequena, sempre participei de atividades artísticas. Dança, música, teatro. Sempre foi algo muito natural para mim. A partir de 2014, em parceria com o José Cássio Jaber, comecei a atuar profissionalmente na música e, de lá pra cá, fomos amadurecendo e ampliando as perspectivas do nosso trabalho.

Qual foi o show mais fantástico que você já realizou? Por quê?

Cada show é uma experiência única. É sempre um desafio, uma oportunidade, uma vivência que não se repete. Gosto muito quando o show me permite uma proximidade maior do público, gosto do calor das trocas e de observar as olhares e as emoções.

Você também faz parte da Orquestra Brasil Tropicaliente, o quanto você se permite misturar da Zu Laiê da orquestra para a Zu Laiê solo e autoral?

Participo de diversos projetos musicais, como a Orquestra Brasil Tropicaliente, Grupo de Choro Regional Cabidela, do espetáculo Clarear - Tributo à Clara Nunes, entre outros. Cada proposta tem uma cara e um objetivo. Procuro sempre ter o profissionalismo à frente, buscando desenvolver bem essas propostas com competência, e, ao mesmo tempo, deixar a minha marca, a minha contribuição artística para o projeto. Meu trabalho autoral me dá mais liberdade criativa e pessoal para desenvolver esses objetivos e a maneira de trabalha-los.

Quais são suas maiores influências musicais? Se pudesse tocar com algumas dessas influências, qual seria o escolhido e por quê?

Difícil citar, pois são muitas. O Brasil é um celeiro musical incrível, e a cada dia aprendo com muitos músicos e amigos, com os quais convivo e os que venho conhecendo.

Porém, existem grandes referências que nos deixaram legados muitos preciosos, e há muitos nomes importantes. De forma mais direta para o meu trabalho, poderia mencionar Paulo César Pinheiro, Sivuca, Clara Nunes, Vinicius de Moares, Baden Powell, nomes clássicos que servem de fonte de aprendizado e inspiração. Estar no palco com cantoras, cantores e músicos que fazem um bom trabalho é sempre um prazer, de forma indistinta. 

Além do lançamento de estreia autoral, quais são os outros planos musicais para 2018?

Por meio do show e EP Mensageiro, a ideia é ampliar as possibilidades de encontros e experiências, ganhar mais vivência musical e preparar o próximo material autoral.