Entrefolk com Vanessa Bumagny

Créditos: Vanessa Bugmany (Facebook)

Conhecida dos palcos da Praça Roosevelt, polo teatral underground de São Paulo (SP), a cantora Vanessa Bumagny despontou na música com seu debut De Papel (2003). Na sequência lançou Pétala por Pétala (2009), com produção assinada por Zeca Baleiro, e O Segundo Sexo (2014).

De lá para cá, ela só cresceu: em 2018, a faixa O Que For Melhor virou trilha sonora da novela As Aventuras de Poliana (SBT); em janeiro de 2020, teve a canção Pétala por Pétala, uma parceria com Chico César, gravada por Daniela Mercury.

E atualmente se prepara para lançar um novo álbum com músicas inéditas, confira a entrevista e saiba mais da cantora e seus projetos.

Victor Hugo Cavalcante: Primeiro é um prazer poder recebê-la em nosso site, e gostaria de começar perguntando: Como surgiu a sua relação com a música e principalmente com o gênero proposto por você?

Vanessa Bumagny: Obrigada, Victor é um prazer poder falar desse novo trabalho. A música surgiu na minha família, meu pai sempre tocou e cantou em casa e minha mãe escutava bastante música.

Meu pai amava Luiz Gonzaga e eu me apaixonei por forró, mas ele também me levava para ouvir música clássica e tinha discos dos Beatles, isso aparece bem no ecletismo do meu trabalho.

Victor Hugo Cavalcante: Com a produção musical de Rafael Castro, mais experiente e desconstruída, você se prepara para a estreia de Cinema Ilusão, seu próximo álbum de inéditas. Afinal o que podemos esperar dele?

Esse será um álbum em que me aprofundo no feminismo, o disco anterior tem uma canção chamada O Segundo Sexo e esse terá O Segundo Sexo 2, mas também será um disco romântico e dançante.

Estreio parcerias novas como uma canção que fiz com a Fernanda Takai, e continuo outras como a com Luiz Tatit, Helô Ribeiro e Zeca Baleiro.

Victor Hugo Cavalcante: A faixa homônima do seu próximo álbum ganhou um clipe dirigido por Caio Carvalho e Ana Julia Fanton, conte-nos como foi que surgiu a ideia e oportunidade de transformar a faixa em clipe.

Quando o Chico e o Zeca toparam participar da faixa eu pensei que precisava ter um registro em vídeo desse encontro, daí surgiu a ideia do clipe.

Victor Hugo Cavalcante: Ainda sobre o clipe de Cinema Ilusão conte-nos sobre a produção deste clipe e o feedback dos fãs.

Fazer esse clipe foi uma delícia, aquela festa era de verdade, dá pra ver claramente como todos estavam se divertindo e essa é a magia que ele tem, o público está adorando e agradecendo poder ver algo tão alegre e amoroso em tempos difíceis como esse de isolamento social.

Victor Hugo Cavalcante: Cinema Ilusão é uma parceria sua com Zeca Baleiro, que também participa da faixa, e traz ainda a participação de Chico César, unindo três amigos de décadas que sempre trabalharam juntos, mas nunca tinham feito nada simultaneamente. Como surgiu a ideia e oportunidade de convida-los a fazer esta estreia magnífica?

A ideia foi do Zeca Baleiro e eu achei maravilhosa, difícil foi conciliar as agendas, mas ainda bem que deu certo.

Victor Hugo Cavalcante: A pandemia do vírus Covid-19 atingiu o processo de lançamento do single-clipe ao meio, levando ao questionamento se este seria um bom momento para trabalhar a faixa. Afinal, o quanto esta pandemia mudou e influenciou os trajetos de seus novos trabalhos e apresentações?

Tive shows cancelados, tive que desacelerar o processo de gravação e isso me afetou bastante porque estava há seis anos sem gravar, mas isso tudo vai passar e a vida será melhor que antes, espero.

Victor Hugo Cavalcante: Além de Zeca e Chico César, Cinema Ilusão, o disco, terá participações como as de Fernanda Takai, Helô Ribeiro e Luiz Tatit, que também assina Quem Ama Sofre lançada em 2019. Como surgiu a ideia e oportunidade de chamar estes grandes nomes da música para também fazer parte do novo disco?

A Fernanda Takai me foi apresentada pela Camila Lordy que é atualmente a pianista da minha banda e também do Música de Brinquedo da Fernanda.

Luiz Tatit conheci quando convidei para escrever um texto sobre o meu primeiro disco De Papel, era e ainda sou grande admiradora do trabalho dele.

A Helô me foi apresentada por outra cantora, a Ilana Volcov, tivemos um grupo de quatro cantoras e ali começamos a compor, depois eu a convidei para fazer uma participação no meu grupo Sons e Furyas e ela acabou entrando para o grupo e virando grande amiga e parceira.

Victor Hugo Cavalcante: O que nunca pode faltar em seus shows e nas letras das suas músicas?

Não pode faltar presença de verdade, tudo que vier tanto nas letras como nos shows que for genuíno será bem vindo.

Victor Hugo Cavalcante: Como você consegue driblar a ansiedade antes de entrar nos palcos?

Eu não driblo, assumo que ela está lá e lido com ela, respiro, rezo, abraço meus companheiros de banda.

Victor Hugo Cavalcante: Quais músicos que você mais se influencia e admira e no que eles te influenciam?

Luiz Gonzaga, Prince, Beatles, Nara Leão, Chico Buarque, Chico César, Zeca Baleiro, Luiz Tatit, Itamar Assumpção, Ná Ozzetti, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Elza Soares, não sei dizer como estão no meu trabalho, mas imagino que devam estar.

Victor Hugo Cavalcante: Quais as principais dicas que você dá para quem deseja algum dia se tornar cantor com o mesmo gênero musical de vocês?

Fique perto da música e dos músicos, da poesia e dos poetas, do teatro, da dança, das artes plásticas e do cinema, faça análise, se conheça.

Victor Hugo Cavalcante: Dentro do cenário brasileiro com o seu gênero musical, você costuma acompanhar algum artista com trabalho autoral? E sobre as estrangeiras, alguma atual que tenha lhe chamado a atenção?

Eu gosto muito da Alanis Morissette, e dos brasileiros tem tanta gente boa que a lista seria imensa, mas a Heloiza Ribeiro e o Rafael Castro são maravilhosos.

Victor Hugo Cavalcante: Quais são suas maiores inspirações para compor uma letra?

A vida.

Victor Hugo Cavalcante: Qual foi o show mais fantástico de todos que você já fez, e qual é o show mais esperado?

Os mais fantásticos foram os shows de lançamento dos meus discos no SESC Pompéia e o mais esperado é o próximo.