Entrefolk com Marcelo Bressanin

Créditos: Marcelo Bressanin (Facebook)

Marcelo Bressanin é um artista conceitual com ênfase na produção em arte sonora e suas relações com outras linguagens, em performances, instalações e outros formatos.

Participou das residências artísticas Organicidades (2019), Toda la teoria del universo (Chile, 2018), Soy loco por ti Juquery (2018), La Ira de Dios (Buenos Aires, 2018), Residência de Criação TSONAMI de Arte Sonora (Chile, 2017) e Obras em construção (Casa das Caldeiras, São Paulo, 2016 e 2015).

Contemplado pelo FACE Festival de Artes Cênicas de Bauru com a performance Mix_Sinc: Gestos de escuta (2018) e pelo PROAC Artes Integradas (2015), para a criação da instalação interativa Tempestade. Mestre em História pela UNICAMP (com ênfase no estudo das paisagens urbanas), vive e trabalha em Bauru onde é mestrando no Programa de Artes Visuais e Tecnologias Midiáticas da UNESP e recentemente foi convidado para fazer parte do projeto Em Residência: Bauru.

Victor Hugo Cavalcante: Primeiro gostaria de agradecer por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar perguntando, como surgiu sua relação com a arte sonora?

Marcelo Bressanin: Olá, Victor. Agradeço pela oportunidade de divulgar nosso projeto.

Bem, minha produção artística na área de arte sonora teve início há cerca de uma década, quando formei um coletivo de arte sonora experimental, o DUO b, juntamente com o artista Pedro Ricco, de São Paulo.

Desde 2018 passei a atuar individualmente, resgatando meus interesses em música experimental e em artes visuais e combinando-os com minhas pesquisas em tecnologias diversas.

Como resultado, tive oportunidades para desenvolver meu trabalho em diversos festivais e residências artísticas no Brasil, Argentina e Chile, buscando sempre um diálogo entre minha produção artística e pesquisas que envolvem o espaço urbano e a memória social.

Victor Hugo Cavalcante: Recentemente você foi convocado para participação em uma residência artística de quatro (04) semanas em Bauru, no período de 28.02 a 29.03.2020 pelo projeto Em Residência: Bauru, como surgiu a ideia de mandar a sua proposta para este projeto e como foi que você soube que foi selecionado para participar dele?

O projeto em foi desenvolvido pelos quatro artistas convidados, eu, Marilia Vasconcellos, Aran Carriel e Edmar Almeida, sob coordenação do DJ e produtor cultural bauruense, DJ Ding.

Partimos, desde o primeiro momento, da vontade de tensionar artisticamente a experiência cotidiana bauruense e de sensibilizar a população, por meio da produção artística, para diversos aspectos da cidade.

Victor Hugo Cavalcante: No projeto Em Residência: Bauru nove artistas (incluindo você) de diferentes linguagens realizarão pesquisas para a criação de uma mostra inédita de obras site specific sobre a cidade, para você enquanto bauruense qual a importância de poder mostrar sua visão enquanto artista sobre a cidade?

Apesar de bauruense, vivi várias décadas fora da cidade, entre Campinas e principalmente São Paulo. Tendo retornado a Bauru em 2018, o projeto se configura para mim como uma oportunidade de me reaproximar de minha cidade natal, porém agora por meio de minha experiência como artista.

Victor Hugo Cavalcante: Conte-nos um pouco sobre suas principais influências enquanto artista sonoro e suas principais inspirações para criar novas obras.

Minhas principais influências vêm de artistas como Janett Cardiff, Brian Eno, Zimoun, além de coletivos brasileiros como O Grivo e Chelpa Ferro.

Quanto à minhas inspirações, em sua grande maioria partem do espaço urbano, de estruturas arquitetônicas, da memória coletiva e muitas vezes de entrevistas realizadas com as populações dos locais onde desenvolvo minhas obras.

Victor Hugo Cavalcante: Profissionalmente falando como foi seu ano de 2019 e o que podemos esperar para 2020?

O ano de 2019 foi bastante produtivo, com a realização da itinerância da exposição Descobertas: olhares sobre uma residência artística no Juquery, que, com a premiação pelo SISEM (Sistema Estadual de Museus), foi apresentada na Pinacoteca Municipal de Bauru e no Museu Municipal de Jaú, e ainda com a participação no projeto Organicidades, que contemplou uma residência e uma mostra artística sobre a cidade de Franco da Rocha.

Lembro ainda minha participação, junto com o escritor e editor Paulo Sandrini, no projeto Vozes, uma realização do Instituto Vista contemplada pelo Programa de Estímulo à Cultura da Secretaria Municipal de Cultura de Bauru, no qual oferecemos uma série de oficinas em literatura e arte sonora para a população bauruense.

Por fim, com a premiação do projeto Em residência: Bauru pelo Edital PROAC para a produção de exposições inéditas em artes visuais, no final de 2019, 2020 já começa promissor, com a realização de nossa residência em Bauru e também da mostra de resultados do processo, a ser realizada na Galeria Municipal a partir de 08 de maio.