Carolzi: A grandeza rouba atenção no Rap

Créditos:

Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista, e gostaria de começar perguntando: Oficialmente sua história como cantora começou em 2013 quando se descobriu compositora e começou a apresentar suas composições para alguns produtores e beatmakers renomados do rap nacional. Foi a partir destes contatos que você mergulhou na cultura Hip Hop e se estabeleceu como MC. Mas, antes disso havia algum traço de que você seguiria nesta carreira? Por quê?

Carolzi: Começo agradecendo e dizendo o quanto fico feliz pela oportunidade de falar um pouco sobre meu trabalho, muito obrigada! A primeira vez que eu cantei foi numa igreja que frequentava com minha vó, eu tinha sete anos e descobri a sensação que é cantar. É um pouco difícil explicar essa sensação, mas parece que seu espírito entra em transe e é tomado por uma paz e força gigantescas. Desde então eu soube que queria fazer isso para sempre, só não sabia que poderia se tornar minha profissão pelo resto da vida e só descobri quando comecei a produzir minhas músicas autorais.

 

Em janeiro de 2017, você lançou o single Roubando Atenção que fará parte do EP Herdeira dos Meus, que tem previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2018. Já estamos em novembro, você já lançou quantos singles deste novo projeto musical?

Até agora dois, a Roubando Atenção e Dentro Pra Fora.

 

Victor Hugo Cavalcante: Em janeiro de 2017, você lançou o single Roubando Atenção. Sobre o lançamento do EP mencionado acima, o que o público pode esperar deste mais novo trabalho? Quantas e quais as músicas que estarão nele além das também mencionadas na pergunta acima?

Será o meu primeiro EP, ou seja, meu primeiro trabalho dessa dimensão. Essas letras vêm sendo produzidas desde que fiz minhas primeiras composições, algumas eu aperfeiçoei e outras são composições mais recentes, mas meu maior objetivo é mostrar nesse trabalho a minha versatilidade, tanto rítmica, quanto as composições. Busquei trazer cada música sobre um tema diferente e com ritmos diferentes, aliás, busquei usar o maior número de elementos rítmicos que estivesse ao meu alcance, um exemplo disso foi meu último single lançado. Quero mostrar que me permito falar sobre tudo o que vivo, sem barreiras, e com isso permitir que pessoas que passem por qualquer situação possam se identificar de alguma forma com meu trabalho. No total serão 6 músicas, incluindo as que já foram lançadas.

 

Victor Hugo Cavalcante: O que cada música do Herdeira dos Meus pode dizer sobre você e sua maneira de agir?

Essa é uma ótima pergunta. (Risos) Conheço muitos artistas e compositores que conseguem falar sobre qualquer tema, mesmo que não tenham vivenciado a situação e os admiro muito por isso, mas eu não sou assim, geralmente escrevo sobre o que sinto e vivo, ou seja, esse trabalho pode dizer sobre muitas coisas que passei e também sobre coisas que desejo lutar por mudanças, pois além de ferir a mim, ferem aos meus semelhantes. Sobre o nome, escolhi Herdeira dos Meus, pois todas as músicas lançadas nele foram uma herança deixada por cada pessoa que passou em minha vida, seja ela boa ou ruim. Além disso, tudo o que sou hoje e que me permitiu produzir esse trabalho foi graças a cada experiência que passei com todas as pessoas que me relacionei até hoje.

 

Victor Hugo Cavalcante: Na última quarta-feira de outubro (25), você divulgou o clipe da música Dentro Pra Fora, como foi para você fazer este clipe? O que tu achou do videoclipe desde sua filmagem até o resultado final? Além deste, você têm mais algum clipe? Quais?

Foi uma mistura de prazer e nervosismo. (Risos) Ainda sou nova nisso e um pouco inexperiente, e ser uma artista independente faz com que tudo se torne responsabilidade sua, desde a escolha da estética do vídeo, passando pelo figurino, maquiagem e a escolha de quem produzirá esse trabalho. Isso faz com que você precise escolher tudo mesmo sem ter conhecimento o suficiente em cada área para escolher o melhor (já que meu trabalho é fazer música), isso sem falar também na limitação que a falta de verba traz. Ou seja, fiquei nervosa com todos esses fatores, porém cheia de prazer pela oportunidade de estar produzindo mais um trabalho, que é realmente o que me faz feliz. Quanto ao resultado, achei super válido, pois dentro do que eu poderia fazer dado as minhas limitações, acredito que eu e o Felipe Mallavei, produtor do vídeo, fizemos nosso melhor. Além disso, amei o look da loja 2cmn, maquiagem e cenário do clipe: fim de tarde no Viaduto Santa Efigênia, que além de ser um lugar lindo, deixa clara minha essência paulistana. Além desse, tenho meu primeiro clipe, da música Roubando Atenção, produzido por Yago Souza que foi composto num formato lyric vídeo, (vale a pena conferir) e pretendo lançar mais três clipes para o EP, porém até agora só garanto um, que será lançado em janeiro.

 

Victor Hugo Cavalcante: Seu nome é Caroline dos Santos, porém seu nome artístico é Carolzi, seria uma abreviação do diminutivo do seu nome?

Mais ou menos. (Risos) Meu nome é muito comum e eu sempre estudei ou frequentei lugares que tivessem milhares de "Carol's", (Risos) e pelo fato de eu sempre ter sido baixinha, virei "Carolzinha" para diferenciar das outras e daí Carolzi. Não foi nada proposital, quando vi esse já era meu apelido oficial e quando comecei a fazer música já me conheciam assim.

 

Victor Hugo Cavalcante: Você já teve a oportunidade de conhecer alguns produtores e beatmakers da cena underground do hip hop paulista e apresentar suas composições, resultando em algumas parcerias como a com o beatmaker Base Mc e a antiga dupla de rap Os Dadiva, em seu primeiro single, conte-nos um pouco sobre a dupla Os Dadiva, qual a diferença entre a Carolzi de hoje para a Caroline que fazia parte da dupla? E o quanto o trabalho da dupla e as diversas parcerias que você já fez fortaleceram a sua caminhada de MC?

Os Dadiva foram muito importantes para o meu início na música, eu não fazia parte, era uma dupla composta pelo CL-AuDio e Elton Oliveira (Preto Real MC) que hoje tem outra formação, nós apenas fizemos uma parceria. Conheci o CL-Audio na festa de um amigo meu de infância e a partir daí, ele me apresentou o Base Mc e juntos, todos nós produzimos um trabalho. A partir daí, eu comecei meu trabalho autoral e fui apresentada a vários músicos com os quais trabalhei e trabalho atualmente, eles foram meu ponta pé inicial e sou muito grata por isso. A diferença entre aquela época e agora é maturidade e evolução, tanto musical quanto pessoal, aprendi muitas coisas que aperfeiçoaram minha voz, escrita e conhecimento musical, além disso, antes eu era muito deslumbrada, achava que era possível viver de sonho, hoje sou ciente da realidade e de como as coisas funcionam, apesar de ainda ser muito sonhadora, sei que para viver do meu sonho preciso enfrentar desafios bem reais. Quanto às parcerias, eu amo fazer! É muito bom dividir experiências e fazer o que você ama com pessoas que também amam música, além disso, elas enriquecem a música e trazem novos laços, amizades, respeito, admiração, muito aprendizado e une forças, é lindo! Espero fazer muitas parcerias ainda ao longo da vida.

 

Victor Hugo Cavalcante: Quais são suas principais influências musicais dentro e fora do cenário do Hip Hop e do Rap? Por quê?

São tantas que fica até difícil responder! Meu primeiro contato com o hip hop foi através de um primo meu que me apresentou Shaggy, Coolio, Trilha Sonora Do Gueto, entre outros, mas minhas referências principais como um todo foram Negra Li, Lauryn Hill, Destiny Child, Nicki Minaj, Kehlani e Karol Conka. Na música em geral, tenho como referência forte, tanto musical quanto de vida, a Chiquinha Gonzaga, uma mulher que fez música no nosso país em uma época que nem direitos nós tínhamos. Além disso, as obras de Elis Regina e Elza Soares também me influenciam fortemente.

 

Victor Hugo Cavalcante: Quais são suas principais influências para composição das letras de suas músicas?

Nicki Minaj, Lauryn Hill e Karol Conka! Eu amo como elas são ousadas, fortes e sentimentais ao mesmo tempo. A junção e harmonia das vozes marcantes com os instrumentais que emocionam, unido a força da mensagem compostas por elas mesmas e transcrevendo o que elas vivem, com certeza é o que me influencia.


Victor Hugo Cavalcante: O ano já está acabando, além do lançamento do EP Herdeira dos Meus para o primeiro semestre de 2018, quais outras novidades que o público poderá contar?

Meu primeiro lançamento em 2018 será o último single antes do EP: a música Clássica em que eu e a Karu Martins já estamos produzindo o clipe. Após o lançamento do EP, planejo mais dois clipes de músicas do disco, porém ainda são apenas planos. Além disso, podem esperar duas participações minha em discos, uma no álbum do rapper Wzy, da qual estou muito feliz em participar e outra na coletânea de um coletivo que ainda não posso revelar detalhes. Para o segundo semestre do ano, planejo o lançamento de mais dois singles com participações. Em 2018, espero mais oportunidade de mostrar meu trabalho e que ele chegue no máximo de lugares possíveis, mas o mais importante pra mim é que ele tenha significado no maior números de vidas possíveis.