Folkeando com Cesar Obeid: Suave aroma dos campos da literatura

Créditos: Facebook (Cesar Obeid)

Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente agradecemos por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar perguntando: Como começou sua relação com a literatura?

Cesar Obeid: Começou com o teatro. Aos 20 anos, comecei a estudar dramaturgia, a técnica da escrita teatral, com o professor Chico de Assis. Participei do seminário de dramaturgia por 05 anos, foi uma experiência incrível.

Depois veio meu trabalho com os poetas repentistas, no qual fiquei fascinado com a possibilidade de elaborar um verso na hora, de repente. E até hoje não parei de estudar e sempre me interesso por coisas novas.

Victor Hugo Cavalcante: Em Suave aroma dos campos de lavanda você conta a história de uma protagonista forte, lutadora e com muitas lições a ensinar. Conte-nos como foi o seu processo de pesquisa sobre a celíaca (doença autoimune crônica do intestino delgado) para escrever o livro infantojuvenil.

Meu afilhado, Pedro, tem esta doença, ou seja, vivencio de perto suas restrições e hábitos alimentares. Eu mesmo, quando fiz um teste de alergia alimentar, descobri que tinha uma leve alergia ao glúten, o que me fez pesquisar mais e mais sobre o tema e buscar outras formas de consumir pães e tortas, sem farinha de trigo, por exemplo. Na verdade, para mim, o universo com alguma restrição alimentar não é uma novidade.

Sou vegano há muito anos, já publiquei dois livros de alimentação natural para as crianças e sempre pesquiso como introduzir mais alimentos saudáveis e saborosos nas refeições. Às vezes, uma restrição alimentar, severa ou não, por motivos de doença (como a celíaca) ou por opção (como o veganismo), pode abrir um leque muito maior de opções alimentares.

Uma pessoa celíaca, pode fazer torta com farinha de grão de bico e farinha de amêndoa que são super nutritivas.

Victor Hugo Cavalcante: Quais são seus autores prediletos e em quais você se influencia enquanto escritor? Por quê?

Eu leio de tudo, dos ditos Clássicos, Shakespeare, Machado de Assis e Fernando Pessoa. Adoro ler Pedro Bandeira, tem uma narrativa ágil e envolvente.

Gosto também da literatura juvenil feminina, Paula Pimenta é uma autora que gosto bastante. Literatura infantil também faz parte da minha rotinha literária, Jonas Ribeiro, Ilan Breman, Ricardo Azevedo, entre tantos outros. Leio dezenas de livros por ano, todos me influenciam de alguma forma.

Victor Hugo Cavalcante: O suave aroma dos campos de lavanda é um livro que prende a atenção do leitor pela riqueza de detalhes, o suspense entre os acontecimentos, a emoção ao longo das descobertas de Joyce. Onde você trata assuntos delicados como doenças, luto e bullying de forma sensível e agradável, envolvendo o público com cada palavra. Para você enquanto escritor com obras reconhecidas pela Fundação Nacional do Livro infantil e Juvenil (FNLIJ) qual a importância de falar sobre estes tipos de temas para o público infantojuvenil?

São temas reais, que estão presentes em todas as escolas, independente da classe social ou idade do grupo. Em qual sala de aula não há conflito que precisa ser debatido? Qual família não enfrenta situações desagradáveis que precisam ser vivenciadas?

A literatura é um reflexo da vida, nada além disso. O problema é que temos medo do conflito e logo queremos escondê-lo embaixo do tapete, dizendo que está tudo bem, mas já sabemos que isso não dá certo.

Os conflitos precisam ser acolhidos, colocados no centro das discussões. Mas, quem consegue, hoje em dia, ouvir algo que não gosta? Difícil, não? Por isso a experiência literária é maravilhosa.

Nós, leitores, vivemos as emoções dos personagens, profundamente.

Victor Hugo Cavalcante: Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou durante o processo de pesquisa e escrita do O suave aroma dos campos de lavanda?

É um enredo com muitas variações, a maior dificuldade foi dar o tom certo na costura dos acontecimentos. Acho que consegui!

Victor Hugo Cavalcante: Você também escreveu outros livros, conte-nos um pouco sobre eles.

Escrevi livros para crianças bem pequenas, crianças leitoras e também obras para jovens, como Suave Aroma dos Campos de Lavanda.

São vários temas, vários gêneros textuais (prosa, verso, teatro etc.), mas percebo que há uma unidade, minha preocupação com uma vida mais saudável, a conexão com a natureza e a resolução de conflitos de maneira pacífica.

Isso não quer dizer que em meus livros os conflitos não existam! Pelo contrário, gosto de apresentar conflitos bem intensos para que os personagens, com maturidade possam enfrenta-los.  

Victor Hugo Cavalcante: Já existe algum outro livro rascunhado na sua mente ou no papel/computador? Conte-nos um pouco sobre esta novidade.

Sim, estou preparando mais uma obra de ficção científica que mostra, em uma narrativa futurista, como será a nossa relação com a tecnologia. Este é mais um tema do meu interesse, a dependência tecnológica.

Quanto tempo não perdemos nos distraindo no celular enquanto poderíamos fazer coisas mais produtivas, como ler, por exemplo.