Transeuntes: Uma passagem somente de ida para o sucesso

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Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente agradecemos por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar perguntando: Como começou a relação dos integrantes da Transeuntes com a música e literatura (No caso da compositora e poetisa Valquíria Malagoli)? Como a banda começou a ser formada e como surgiu seu nome?

Transeuntes: Em nome da Banda, agradeço igualmente. Desde a infância, as palavras, seja por seu desenho seja pelos efeitos sonoros, me encantaram. Eu brincava com elas e, para as bonecas, restava observar-nos. Eu largava os amigos durante os jogos na rua se, por acaso, começava a chover. Urgia que eu escrevesse sobre os pingos...

O Juca (Juliano Pastro) é integrante da banda SIGLA ao lado do Sérgio Alexandre. E o Maurício Zucarelli veio pra Transeuntes a meu convite, pois fez parte de um projeto autoral anterior meu, que foi quando nos conhecemos.

Eu ainda não sabia sobre técnica alguma, mas instintivamente as utilizava. À medida que me dei conta da existência da "entidade" Poesia, me senti adotada por Ela. Foi, portanto, minha primeira e única amiga invisível.

Com o tempo, na prática, fui me envolvendo com a Literatura, e, nesse ínterim, com a Música, muito embora jamais tenha de fato estudado para tal, aliás, para tais. Para os públicos adulto e infantil publiquei livros e CDs, ministrei oficinas; obtive reconhecimento. Respirei. Hoje sou Transeunte.

Visto por esse prisma, penso que a Banda começou a ser formada aí, dormitando dentro de mim... E acolá, em meu futuro parceiro musical fazendo, por sua vez, suas artes. Em ambos, ela crescia.

Victor Hugo Cavalcante: A banda é formada por Sérgio Alexandre, reconhecido por suas marcantes interpretações no papel de vocalista da SIGLA (rock nacional), e que agora está também à frente de nova banda TRANSEUNTES apresentando composições assinadas pelo músico em parceria com a poetisa Valquíria Malagoli. Como surgiu a ideia desta parceria? E o quanto uma arte complementa a outra?

Nessas idas e vindas poético-musicais, Sérgio e eu nos conhecemos, via banda SIGLA, na qual ele é vocalista. Hoje assessoro o grupo. Além disso, por força de nossas atividades e afinidades artísticas, comecei a assessorá-lo na Propaganda, seu ramo profissional.

Certo dia, ele me envia, musicado, um poema de minha autoria que postei em minha página...

Sua leitura e compreensão das entrelinhas saltavam aos olhos e, claro, aos ouvidos. Quando algo nos faz bem e realiza, queremos partilhar. Essa sensação foi, por assim dizer, resumidamente, a concepção da TRANSEUNTES.

Victor Hugo Cavalcante: Quais as principais inspirações da poetisa e compositora Valquíria Malagoli para escrever as letras das músicas? E quais as principais influências literárias dela para escrever e em que estes escritores a influenciam?

Tudo me inspira. Inclusive o que poderia "desinspirar" vira tema em verso e prosa. Talvez eu seja uma incorrigível tagarela. No tocante a influências literárias, mais especificamente, poéticas, vão dos clássicos poemas metrificados aos libérrimos.

O que abomino é o preconceito para com um ou outro. Muita gente se predispõe a criticar este ou aquele por pura indisposição pelo mínimo trabalho de dar-se a conhecer o desconhecido. Isto, contudo, não é (de)mérito do universo poético...

Victor Hugo Cavalcante: Quais as principais influências musicais da banda e nos que estes artistas musicais influenciam a banda?

Bom, o Sérgio, teve no rock internacional dos anos 70 e no rock nacional dos anos 80 e 90 suas principais escolas. No papel de vocalista, sua interpretação denota a responsabilidade com que ele encara ser, momentaneamente, a voz, o corpo e a alma de outros artistas.

O Juca é, no mínimo, versatilíssimo. Suas raízes vão do skate punk dos anos 80, passando pelo grunge e funk metal dos 90, até a psicodelia de qualquer época. Pra conversar com ele é preciso tempo, tempo esse, garanto, muito bem investido, o cara é uma enciclopédia!

O Maurício começou cedo... Não obstante seja o mais jovem entre nós, é um baita guitarrista do heavy metal ao blues, pop rock, MPB e samba rock. Está com um projeto paralelo (para citar apenas um) com composições próprias que passeiam do hardcore à MPB.

Victor Hugo Cavalcante: Recentemente vocês lançaram o clipe do primeiro single da Transeuntes, conte-nos mais sobre a produção do clipe e o que os fãs estão achando do clipe.

Nós fomos para a rua cheios das ideias de mil papos ocorridos durante as gravações em estúdio, mais um roteiro que o Sérgio e eu imaginamos e, sobretudo, muita, muita vontade de nos divertirmos sem perder a seriedade jamais. (Risos) Só podia dar no que deu, algo que, após a conclusão do clipe, um disse e os demais concordamos "agora sim temos uma identidade visível!".

Os fãs vêm respondendo, para nossa felicidade ser completa, com comentários os mais diversos, sem exceção, elogiosos. Mais do que os elogios, são suas respostas e a curiosidade geral que nos motivam.

Victor Hugo Cavalcante: Qual foi o show mais incrível que vocês já fizeram? E qual show está sendo o mais esperado por vocês?

O show mais incrível, uau, e que incrível, que já fizemos é também o mais esperado por nós: a estreia... (Risos)

Victor Hugo Cavalcante: Conte-nos as próximas novidades da banda.

Temos dezesseis faixas, nas quais vimos "trabalhando". Em breve lançaremos o segundo clipe.

Os encontros criativos são a riqueza da coisa toda. Ademais é transitar. Porque a vida, em consonância com a arte, é movimento.