A grandeza da Unha Encravada do Rock Clássico

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Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista, e gostaria de começar perguntando: A banda completa quase três décadas de rock clássico, tais como Pink Floyd, Deep Purple, Creedence, Rolling Stones, Led Zeppelin, Supertramp, Queen e Elvis Presley, afinal, nestes 29 anos de estrada qual foi a maior/principal mudança do cenário do Rock Clássico para as bandas autorais e covers de 1988 pra cá? Por quê?

Unha Encravada: Tocamos para um público roqueiro e muito fiel ao gênero, e nos orgulhamos de ter envelhecido junto deles, nestes 30 anos de dedicação ao Rock'n Roll. No início da banda, no final dos anos 80, alguns sons que chamamos hoje de Classic Rock, tocavam nas rádios e pudemos acompanhar os lançamentos, presenciando o impacto que tinham na juventude, e em nós mesmos, hoje, tocamos em nosso repertório, exclusivamente sons que curtimos quanto mais jovens. No início da Banda tocávamos muito rock dos anos 70, como Tutti Frutti, Led e Pink Floyd, e ao longo de nossa trajetória, atendendo sempre aos pedidos do público, introduzimos sons mais recentes no repertório, de bandas como Van Hallen, Barão Vermelho e Guns, tocando também bandas que nunca pararam de produzir, como Rush, ACDC e Deep Purple

Presenciamos algumas mudanças, nestas 3 décadas, a exemplo do som individual de cada instrumento, que procuramos reproduzir de maneira fiel: A guitarra e teclado mudaram muito de acordo com a época, utilizando distorções cruas e Crunchadas, Pianos e órgãos Hammond para os sons da década de 70, indo para sons sintetizados e distorções mais suaves, próprias da década de 80, e chegando em timbres mais fechados e pesados na década de 90, achamos tão significativo esta transformação, que vez por outra, fazemos um show que intitulamos Cronologia do Rock, onde contamos a história do Rock do século passado, através de suas músicas, desde Chuick Berry até Nirvana

Uma boa surpresa destes últimos 30 anos é que o público de Rock'n Roll se tornou mais tolerante com a diversidade musical do gênero, não temos o menor problema em misturar Simple Minds e Bon Jovi com Creedence e The Who e temos observado o surgimento de uma nova geração que acompanha a banda, e que nem era nascida quanto foram lançados muitos dos sons do repertório.

Vocês possuem músicas autorais? Quantas e quais músicas? Qual a maior dificuldade que vocês enfrentam em relação às músicas não autorais?

Possuímos um álbum, o Barril sem Fim, apenas com sons autorais e costumamos tocar alguns dos sons da banda em ocasiões especiais, ou fazemos shows somente do trabalho autoral da banda, em eventos de Rock Autoral. A produção de sons autorais é o supra sumo do trabalho de uma banda de rock, onde podemos exercitar a musicalidade do grupo sem preconceitos ou limitações. 

Os sons próprios da banda foram criados de maneira espontânea, mas através de muito trabalho para proporcionar a dinâmica e interações entre os quatro músicos, diria que é tão natural quanto nosso suor, e produzido de maneira semelhante. 

No atual Cenário do Rock na nossa região, existem eventos autorais onde o público está aberto para ouvir a produção diversas boas bandas de rock da região, e vou citar os brothers da Doctor  Mars e Silverado para ilustrar. 

Nos bares e casas de shows, os covers são a predileção geral, pois o público quer cantar junto, dançar e despertar alguma lembrança. Nós da Banda Unha Encravada, não fazemos reserva entre autoral e Cover, apenas tocamos o que nos agrada, e o que o pessoal pede na plateia, de maneira despretensiosa.

Como é o cenário do Rock Clássico em Indaiatuba? O que vocês acreditam que pode ser melhorado neste cenário musical na cidade? Por quê?

Indaiatuba conta com excelentes músicos e bandas, em vários estilos de rock'n roll, numa luta danada para mostrar seu trabalho, mas atualmente poucas casas proporcionam espaço. De maneira geral, em todas as formas de expressão cultural, a juventude deveria buscar assistir mais shows, exposições, espetáculos de música, dança e teatro, tornar-se mais plugada, buscando uma identidade cultural local, da cidade, de cada cidade, pois jovens que possuem vínculos culturais entre si, estão mais aptos a buscar soluções de maneira coletiva. Seria muito bacana, se a música conseguisse contribuir mais para essa realidade.

Qual foi o show mais incrível que vocês já fizeram e por quê? Como é a preparação dos integrantes antes de cada show, e vocês ainda sentem algum nervosismo antes de começar a tocar? Como vocês conseguiram driblar este frio na barriga?

Foram muitos shows memoráveis nessa trajetória, poderia citar alguns: Os shows do antigo Tom da Terra, onde tocávamos para mais de 1000 roqueiros mensalmente. Outro show especial que fizemos, foi em um palco montado no meio da avenida Kennedy em Indaiatuba, onde reproduzimos 1 hora contínua do Álbum The Dark Side of the Moon do Pink Floyd, aliás esse foi muito bacana, pois grande parte do público sentou e ficou quietinho, como em um teatro ao ar livre, hipnotizado pelos sons do rock progressivo. 

Em shows mais recentes, temos o Beneficente Rock'n Heart, em prol da VOLLAC,  que fazemos com 02 bandas, tocando simultaneamente com nossos Colegas da Confraria Drasdóvnia, este show, enche todo ano o salão do Indaiatuba Clube com todas as gerações de roqueiros da cidade.

Procuramos sempre fazer a concentração antes dos shows, com um ritual de dar as mãos e agradecer pela oportunidade de estarmos juntos fazendo o que gostamos, repetimos isso ao final dos shows, com abraços.

Se não rolar um nervosismo, é melhor parar de tocar e aposentar,  a graça toda consiste em se emocionar com cada show, e o que precede faz parte. Apenas buscamos impedir o nervosismo RUIM, o que atrapalha o show, o medo, a sensação de inferioridade ou de incapacidade, estas sensações não ajudam e acabam por comprometer a performance. Procuramos entrar nos shows com a técnica em dia, e com EXPECTATIVA ZERO, pois desta maneira,  o que vier vai ser muito melhor do que esperávamos; e o mais importante, não tentar imitar, não sofrer, apenas tocar e deixar fluir. Essa receitinha de bolo, tem nos dado uma imensa satisfação em tocar durante as últimas 03 décadas.

Se cada integrante pudesse fazer um top Five de cinco bandas/cantores de Rock Clássico que o influencia, qual seriam os nomes? E por quê

A banda é formada por Irmãos e amigos, que cresceram ouvindo as mesmas músicas, e o TOP FIVE não poderia destoar desta parceria: é de opinião unanime que as bandas que mais nos influenciaram como músicos foram: Led Zeppelin, Pink Floyd, Queen, ACDC E Deep Purple.

Para cada banda citada, observamos a atitude vanguardista do uso dos instrumentos, da técnica, do timbre do equipamento e das harmonias, e que acabou por  influenciar cada músico do Unha

O ultimo show da banda foi em Indaiatuba no Boteco do Barão na sexta feira, 20 de Outubro ás 21:00 H que nós orgulhosamente noticiamos, como surgiu este convite? Como foi o feedback do público?

Os proprietários do Boteco do Barão, possuíam um bar "Rock'n Roll" dos mais consagrados da cidade, o Castelinho, que era ponto de encontro da juventude, e tivemos a oportunidade de tocar lá algumas vezes, há uns 10 ou 15 anos atrás. Quando abriram o Boteco do Barão, já sabíamos que a cidade contaria com um novo local que acolheria o roqueiro indaiatubano, e logo iniciamos os contatos para agendar com eles. Neste primeiro, de muitos shows que faremos lá, o público compareceu enchendo a casa, ouvindo e curtindo os clássicos, pedindo seus sons prediletos, e participando da festa do rock que rolou lá.

Quais são as próximas novidades da banda? No ano que vem pretendem fazer algo para comemorar em grande estilo os 30 anos de fundação da Unha Encravada.

Temos feito muitas parcerias com bandas de brothers da cidade, e vamos exercitar mais os nossos Projetos temáticos, como fazemos no Maio Musical, em um especial só dos anos 80, com VJ lançando os Clips das músicas que tocamos, passando propagandas, animações e imagens de época, ou dos shows da Cronologia do Rock, ministrando uma singela aula interativa de História, contata através do rock. Também estamos preparando alguns eventos acústicos em parceria com colegas das bandas The Brothers e Confraria. Enfim, temos pulga na cueca, não conseguimos ficar sem planejar algo novo e este ano de celebração de nosso aniversário, só vai nos deixar mais motivados a fazer algo, esperam e verão.

Porque a banda tem este nome? Seria uma alusão entre a persistência da banda nestes 30 anos representando o rock clássico e uma unha encravada que incomoda?

Sim e não! de certa maneira, a expressão Unha Encravada, começou a ter um significado maior que a brincadeira original que motivou a escolha do nome. (Risos) Você nem imagina, quantas vezes pediram para mudarmos o nome da banda, acabamos por mantê-lo por uma questão de birra mesmo. 

Para entender a escolha do nome, você precisa se colocar na mente de um grupo de jovens da década de 80, que estavam sendo bombardeados com bandas com nomes muito improváveis: Paralamas do sucesso, Kid abelha e os aboboras selvagens, Biquini Cavadão, Gang 90 e as Absurdets, Ultrage a Rigor, e mais um monte de bandas cujo nome tem gosto duvidoso. Caso consiga fazer esta viajem temporal, aos anos 80, verá que Unha Encravada não era tão estranho assim.  Bom, tá bom, é estranho sim, a gente admite, mas foi uma boa tentativa!