Mistanásia: O Hardcore contra a eutanásia social

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Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente agradecemos por nos concederem esta entrevista e gostaria de começar com a seguinte pergunta: Como surgiu a ideia de criação de uma banda Hardcore/Punk e porque ela tem este nome?

Mistanásia: Nós que agradecemos pelo espaço. A banda surgiu de um projeto paralelo meu, era uma banda da molecada que andava de skate, os sons que ouvíamos eram todos nessa linha, foi totalmente natural, o primeiro baterista e co-fundador junto a mim, Fabio Albuquerque, estudava Enfermagem na época e retirou o nome Mistanásia dos livros de medicina, tem um significado muito forte que é a eutanásia social, morte prematura ou negligenciada, é uma situação que vivenciamos no nosso dia-a-dia e não temos noção que ela está lá, pessoas morrendo nos hospitais por falta de atendimento ou erros médicos, pessoas morrendo de fome ou doenças curáveis e até mesmo o tema do nosso som mais recente que fala dos rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho, a morte antes da hora.

Victor Hugo Cavalcante: Como é o cenário HC e Punk independente e autoral de Santos? Qual o feedback da galera santista quando conhecem vocês?

Essa é uma pergunta que venho respondendo frequentemente, o cenário continua firme, bandas sempre aparecendo e divulgando seu trabalho, porém as poucas casas de shows estão cada vez mais restritas, mas sempre rola algum show pequeno/médio/grande.

Victor Hugo Cavalcante: Recentemente vocês fizeram o lançamento do single Sonhos Soterrados que estará no próximo EP da banda com previsão de lançamento ainda para o segundo semestre de 2019. Quais são as outras músicas que estarão neste EP e sobre o que elas falam?

As músicas que estarão nesse novo trabalho fala muito sobre o atual cenário em que vivemos, não fogem muito do que as bandas estão lançando ultimamente, mas é inevitável não tocar nesse assunto, é basicamente isso que podemos falar por enquanto.

Victor Hugo Cavalcante: Ainda sobre o novo single, como foi que surgiu a ideia da música e como foi que foi decidido que Sonhos Soterrados seria o single de divulgação do novo EP?

Tive a inspiração logo quando vi as imagens do rompimento da barragem de Brumadinho, foi algo que me chocou demais, me veio às imagens de Mariana na lembrança e logo depois descobrimos que um conhecido teve seu irmão como vítima desse último caso, então a música acabou ficando mais sentimental pra gente, ela estava prevista pra ser o segundo single, mas acabamos decidindo por indicação do nosso amigo que está ajudando na produção, Léo Mesquita (integrante da banda Surra).

Victor Hugo Cavalcante: Ainda sobre o novo EP, o que os fãs podem esperar deste trabalho? E o que, além das letras, se diferencia o novo trabalho dos trabalhos lançados anteriormente?

Esse trabalho terá uma sonoridade um pouco diferente, o primeiro disco gravamos em um quarteto, também contém muitas músicas que eu já havia começado a produzir com outras pessoas, nesse novo EP é algo 100% de nós três e o que será o diferencial, além do som um pouco mais pesado, será o som trabalhado, mas dentro da nossa limitação de trio e com muito mais vozes preenchendo a falta de uma segunda guitarra.

Victor Hugo Cavalcante: Qual foi o show mais fantástico que vocês fizeram e por quê? E qual é o show mais esperado que vocês farão e porquê?

Acho que o show mais importante que fizemos até agora foi quando participamos do Piracicaba Tattoo Fest na cidade de Piracicaba ao lado de vários artistas e dos nossos amigos do Abraskadabra, foi muito legal rever os amigos do interior que conhecemos através de outras bandas que tocamos e tivemos uma recepção muito boa.

O show mais esperado esse ano é o Garage Sounds, que é um festival que ano-a-ano vem se tornando cada vez maior e que pela primeira vez vai sair da região nordeste e passar por diversos estados trazendo grandes artistas do cenário nacional, tocaremos na edição de Santos dia 10 de agosto.

Victor Hugo Cavalcante: Vocês ainda sentem ansiedade antes de apresentar-se num show? Como vocês conseguem driblar o nervosismo?

Eu, particularmente, sou um poço de calmaria, pra mim é como se eu estivesse conversando com alguma pessoa que eu gosto, amo tocar e pra mim sempre foi algo além de uma simples apresentação de rock, é a troca de energia, é a mensagem a ser passada, é a visão de vida que podemos trocar, é o choque de realidades que às vezes não temos noção, dispenso o nervosismo.

Victor Hugo Cavalcante: As principais influências da banda são Strike Anywhere, Pennywise, Ignite, Comeback Kid, Nirvana, Silverchair, Title Fight, Dead Fish, Garage Fuzz e Street Bulldogs, porém no que exatamente tais bandas os influenciam?

Acredito que principalmente na postura, em como passar uma ideia de cima do palco, em ter atitude de bater de frente com o senso comum e cotidiano, enfim, são muito mais coisas além do som.

Victor Hugo Cavalcante: Quais as principais influências do compositor da banda pra escrever uma música?

Eu procuro sempre sair bê-a-bá e focar mais na melodia do que necessariamente de ter que rimar as palavras, os temas eu busco sobre o que está me incomodando no determinado momento da minha vida, não tem muito segredo, mas que seja sempre positivo de alguma forma.

Victor Hugo Cavalcante: Além do lançamento do novo EP quais as outras novidades da banda para o segundo semestre de 2019?

Vai rolar mais um clipe e também pretendemos fazer um merchandising mais completo, é que pra um powertrio de molecada da quebrada é muito mais complicado, tudo fica mais caro, ensaiar, gravar, produzir... Além disso, pretendemos passar por diversas cidades do estado de São Paulo e estados vizinhos. Vemo-nos na estrada!