O dom de uma borboleta

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Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente agradecemos por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar com a seguinte pergunta: Como começou sua relação com a literatura?

Andreia Caires: Eu que agradeço Victor, a você e ao Folk.

Bem, comecei ainda na infância, sempre escrevi muito sobre várias coisas e amava ter diários.

Na adolescência criava uns livros artesanais feito à mão mesmo, com caneta, tirava Xerox e presenteava alguns colegas na escola.

Victor Hugo Cavalcante: Quais conselhos você dá para um jovem que sonha em ser escritor?

A única fórmula que funciona para quem realmente quer seguir a profissão é escrever todos os dias. Praticar e ler bastante. Como prestar um concurso, você tem de estudar muito, escrever um livro também exige isso e muitas vezes, até mais.

Victor Hugo Cavalcante: Quais seus autores favoritos e quais te inspiram enquanto escritora?

Gosto de Clarice Lispector, Machado de Assis, Agatha Christie.

Vários autores me influenciaram. Cada um com o seu estilo e procuro aprender um pouco com cada um deles. Exemplo: A Agatha Christie era uma romancista policial, eu não escrevo esse tipo de livro, mas lia muito na adolescência e reparava o jeito que ela falava dos personagens, os detalhes da sua trama. O Paulo Coelho é um escritor místico, eu não escrevo livros assim, mas absorvi várias coisas que me ajudaram, por exemplo, a falar de sonhos, amor e coisas que as pessoas estão carentes e sentem necessidade. O mundo está cada vez mais doente, sem graça e precisa que voltemos a falar de sonhos, de pureza.

Assim como o Pequeno Príncipe ou Dom Quixote que por sinal está muito sumido. Clarice Lispector, também me ajudou a pensar, refletir bastante. Então, eu tenho meu próprio estilo, mas claro esses autores me influenciaram de certa maneira.

Victor Hugo Cavalcante: Você escreveu três livros sendo: O Diário da Borboleta Azul, As sementes que plantei e Adote-me, por favor, qual a sinopse dos livros e conte-nos um pouco mais sobre a criação e publicação deles.

O Diário da Borboleta azul parece ser um livro inocente e infantil por causa do capítulo 1. que conta a história de uma menina que fala com uma borboleta no jardim, mas a mensagem é para nós, adultos, tão preocupados com coisas corriqueiras e esquecendo-se de viver o hoje e o agora. Mas viver com leveza, a mesma leveza que as borboletas conseguem viver. Por isso, o livro fala de transformações e metamorfoses em diversas fases de nossas vidas e como lidamos com cada uma delas.

O segundo livro As sementes que Plantei me inspirei em um provérbio mexicano, que diz: "Tentaram nos enterrar mas não sabiam que éramos sementes" e na Parábola do Semeador, contida na Bíblia Sagrada, onde Jesus Cristo conta a história de um semeador que saiu a semear e lançou algumas sementes em lugares diferentes.

O livro basicamente trata sobre a nossa colheita e o que estamos plantando. São várias crônicas que falo em linguagem bem simples para que todos possam compreender.

Sou evangélica e sinto necessidade de falar sobre o que aprendo a cada dia com Deus, embora o livro não seja religioso, visto que não escrevo sobre religião.

Adote-me é ainda um título provisório de um livro que ainda não está pronto para ser publicado. É sobre animais abandonados e animais que se superaram diante de doenças. Mas ainda estou buscando relatos dos próprios donos dos animais, autorização, etc...

A auto publicação foi decisão minha. Não descarto uma boa editora, mas no momento eu mesma estou cuidando de tudo. O pessoal do clube de autores são bastante responsáveis e sempre dispostos ajudar.

Victor Hugo Cavalcante: As Sementes que Plantei é um livro de autoajuda, como você espera atingir o leitor desta obra e ajuda-lo a passar por algum momento difícil?

Ele é um livro que nos ensina a plantar, seguir em frente e acreditar que toda semente lançada frutifica um dia.

Devemos ter fé. Fé no hoje, no amanhã de que as coisas vão mudar. Vivemos uma geração impaciente que devido a tecnologia, não querem esperar nada e não são ensinadas a esperar.

A ansiedade tem acabado com muitas pessoas, jovens principalmente. A natureza nos dá grandes exemplos que devemos analisar.

Não se planta hoje pra colher em seguida, isto leva tempo.

Victor Hugo Cavalcante: Como surgiu a ideia de escrever um livro de autoajuda? Pretende algum dia escrever outro livro nesta categoria?

Porque eu precisava de ajuda. Antes de me converter eu tinha uma amiga terapeuta que me ajudou muito certa época. Percebi que Deus sempre colocava pessoas boas no meu caminho quando tudo dava errado, para que eu não me perdesse de vez.

Só que devemos estar preparados que existe um momento que você estará sozinho e, terá de enfrentar seus próprios monstros internos. Conhecer Cristo fez toda a diferença na minha vida e quando a gente está bem queremos que todas as pessoas fiquem bem também.

Eu sou "meio louca" no momento estou escrevendo dois livros ao mesmo tempo. O que falei sobre animais, e um romance.

Victor Hugo Cavalcante: O Diário da Borboleta Azul é inspirado em suas próprias vivências. Trata-se de algumas crônicas, reflexões e histórias novas e antigas resgatadas da sua gaveta. Como foi este resgate de memórias literárias?

Eu observo as coisas. E durante toda minha vida eu escrevia crônicas, reflexões e guardava tudo.

Um dia minha mãe disse que meu quarto estava uma bagunça de tantos papéis nas gavetas e perguntou quando tudo aquilo acabaria e eu fosse ter um quarto todo arrumado.

Quando comprei meu primeiro computador digitei tudo o que me interessava e o resto eu joguei fora. O quarto ficou muito mais organizado, minha mãe feliz, mas ainda hoje tenho cadernos nas gavetas.

O Diário da Borboleta Azul nasceu de vários momentos que vivi e de depressões a qual passei.

Victor Hugo Cavalcante: Existe alguma outra novidade literária preparada para o segundo semestre de 2019? Conte-nos mais sobre ela.

Sim. Até novembro lanço um terceiro livro, e pretendo continuar escrevendo já que fugi demais do meu verdadeiro dom.