As palavras da vida de um amante literário

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Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar com a seguinte pergunta: Como começou sua relação com a literatura?

Alessandro Claudio da Silva: Eu que agradeço a oportunidade de estar falando com a Folk e com todo o seu público sobre a minha carreira literária.

A verdade é que nem me lembro. Só sei que desde muito cedo comecei a escrever poesias e letras de música para igreja. Sempre achei que tinha algo para dizer, não necessariamente para os outros, mas para mim. Escrever era forma que eu encontrava de colocar todos os meus sentimentos para fora.

Lembro-me que o primeiro caderno de anotações que tinha era para falar sobre a primeira paixão adolescente. Ali escrevia tudo o que estava sentindo, pois não tinha coragem de falar para aquela garota, e nunca falei.

Victor Hugo Cavalcante: Você já escreveu um livro infantil (A zebra que não tinha listras) lançou também o livro Diogo na Casa dos Avós, e está em pré-lançamento com o livro de poesias Palavras da Minha Vida, afinal como foi partir do gênero infantil e ficção para a poesia? Pretende fazer mais coletâneas de poesias?

Na verdade a zebra que não tinha listras não é o meu primeiro livro. Meu primeiro livro é um livro de crônicas, um livro de literatura fantástica intitulada Um baú de fantasias que escrevi inspirado em uma canção que ouvia quase que o dia inteiro e, quando não ouvia, ela tocava na minha cabeça. Inclusive, é uma trilogia onde dois já foram escritos.

Desses livros citados o de poesia foi o primeiro a ser escrito, pois é uma reunião de poesias desde os primórdios, digamos assim.

Tem poesias que nasceram há mais de 20 anos e que fazem parte desse livro. E, como eram muitas poesias, já tem uma reunião com as que não entraram nesse primeiro para os próximos lançamentos.

Acredito que sempre estarei escrevendo poesias e, por isso, outros livros virão. Ou seja, o caminho é inverso, eu parti da poesia para o infantil, infanto-juvenil, e hoje tenho dois romances em fase final de produção.

O meu desejo é escrever, não importa o gênero, pois também tenho uma coletânea de poesias religiosas que dariam para fazer alguns volumes de livros com essa temática. Além disso, aproveito muito do que escrevo e componho algumas músicas com diversas temáticas, seja sozinho ou com alguns parceiros que compõem comigo.

Victor Hugo Cavalcante: Quais foram suas principais inspirações para escrever as poesias de seu novo livro? E quais foram as inspirações para escrever os outros livros?

As poesias, como disse, fazem parte dos vários períodos da minha vida. As inspirações são uma reflexão de tudo o que vivi ou coisas que pude refletir do que presenciei, mas cada poesia, trás a verdade do meu coração.

Podem não ser a verdade de todas as coisas, mas é a verdade que pude alcançar. Costumo dizer que existem poesias menos maduras com reflexões que parecem infantis, mas, como falo da minha vida, em algum momento já fui infantil, com reflexões superficiais, mas que fazem parte de mim.

Nem sei se hoje tenho alguma maturidade, mas tenho um olhar diferente de outrora. E, de verdade, quem dera se hoje fosse aquele tempo infantil, imaturo, tempos que eu sinto saudades e que recordo com carinho.

É disso que se tratam as minhas poesias e também de uma reflexão sobre os tempos atuais e tudo o que acontece.

Victor Hugo Cavalcante: Com retratos de sentimentos profundos, com as dores, amores e esperanças de cada fase de nossa vida, a obra Palavras da Minha Vida vai envolvendo o leitor como se fosse o próprio poeta, tornando-o capaz de sentir suas dores e alegrias. Enfim o seu novo livro é um prato cheio para os amantes de poesia. Para você enquanto escritor o que não pode faltar em uma boa poesia?

Esse é o sentido: "envolver o leitor como se fosse o próprio poeta". Quando isso acontece o leitor entende o poeta, não que ele tenha que concordar ou mesmo discordar, mas olhar com os olhos do poeta.

Talvez seja uma grande oportunidade de enxergarmos com o olhar do outro e assim, entendermos um pouco do que alguém está sentindo, vivenciando.

Por isso quando escrevo não me envergonho dos meus sentimentos, pois entendo que em muitos lugares muitas pessoas se identificam com tais sentimentos e muitas vezes não conseguem se expressar.

Por isso não pode faltar o sentimento profundo do poeta que, certamente, dá voz a muitas outras pessoas.

Victor Hugo Cavalcante: Para você qual é a importância das poesias/poemas hoje em dia?

Essa é uma pergunta, que para mim, é difícil responder e que talvez me entendam erroneamente, mas direi. A minha poesia é importante para mim, pois ela me consola, ela me liberta, me cura, me abraça, e torna "visível" os meus sentimentos.

Se cada poesia que escrevo puder fazer isso por mais alguém, ficarei muito feliz, mas escrevo para mim, mesmo que pareça egoísta, mas é a mais pura verdade.

Se me consola, talvez console outras pessoas. Se me liberta ou me cura, talvez possa libertar e curar outras almas, que assim como a minha, muitas vezes se sentem presas, doentes. Vejo a poesia dessa forma.

Para mim ela deve ser sincera e não apenas estilo ou forma, mas verdade. A importância maior, olhando por esse lado, é ser a voz suave num mundo tão barulhento, é ser a inspiração para corações atribulados, cansado, tristes, felizes, fortes e fracos...

Victor Hugo Cavalcante: Quais são os seus livros e autores prediletos e que te inspiram?

Atualmente estou lendo Sete minutos depois da meia-noite de Patrick Ness e estou amando a história. Mas, os meus livros prediletos são: A Bíblia Sagrada, Catecismo da Igreja Católica, Harry Potter e a Pedra Filosofal, O vendedor de sonhos de Augusto Cury, O pequeno príncipe e outros.

Autores que me inspiram: J.K. Rowling, C.S. Lewis, Paulo Coelho, Augusto Cury e vários outros, pois cada autor nos serve de inspiração quando nos presenteia com sua obra, independente se pensam ser boa ou não.