Giulliana Fischer Fatigatti: A febre do Momento Errado

Créditos: Facebook

Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar perguntando: Como surgiu a ideia de escrever Momento Errado? E como surgiu o título deste livro e o quanto o título entrega a sinopse do livro?

Giulliana Fischer Fatigatti: Primeiramente, agradeço a oportunidade e o convite. Bom, ME, como o chama carinhosamente, surgiu basicamente do "nada". Não houve um estalo, mas o tema, momento certo/momento errado, sempre me intrigou, sempre me questionei de ele existia ou não e assim a história foi nascendo e ganhando vida. O título já nos faz indagar se realmente existe o tal momento, e a história nasce de fato quando a frase "você foi a pessoa certa na hora errada" é dita. 

Victor Hugo Cavalcante: Momento Errado é a sua estreia como autora de romance de ficção, porém de fato seu primeiro livro publicado fora o romance autobiográfico Valeu a pena: a Jornada de uma codependente, como surgiu esta vontade de relatar sobre a tentativa de ajudar um então namorado a se livrar do mundo das drogas?

Eu sempre gostei de escrever, desde os meus onze anos escrevo histórias, uma das minhas primeiras histórias foi sobre uma garota que começa a namorar um garoto, ela trabalhava em uma loja quando o conheceu, tempos depois de namoro, ele começa a usar drogas. Eu numa terminei essa histórias escrita ainda com uma péssima caligrafia de uma garota de onze anos, mas a tenho guardada até hoje.

Coincidência ou não, quando eu tinha quase dezoito anos, eu trabalhava em uma loja, conheci um garoto e tempos depois ele começou a usar drogas.

A necessidade de escrever sobre isso nasceu quando comecei a entender o quanto essa vivência ainda me afetava mesmo tantos anos depois, uma vez que escreveu esse livro quando já havia reconstruído minha vida é já estava casada. Eu o escrevi também como forma de agradecimento a minha mãe, que teve papel fundamental nessa época em que eu desci ao inferno para ajudar alguém que se perdeu em busca da felicidade.

Victor Hugo Cavalcante: Como dito antes você já lançou um livro de romance autobiográfico, afinal para você o que foi mais fácil e difícil ao escrever este livro se comparado com o romance ficcional? Por quê?

Tudo! Quando você escreve ficção, você não tem um compromisso com a verdade, você faz a sua verdade, você inventa e imagina as situações e cenas, você pode escrever como enxerga o mundo baseado em suas percepções.

Quando você escreve uma biografia, você se coloca à disposição de julgamentos, você pode ser odiado e amado por suas escolhas, você se preocupa em escrever de forma mais real e verdadeira possível e isso nem sempre agrada o leitor. Mostrar as fraquezas por trás de uma história real não é fácil.

Victor Hugo Cavalcante: Pretende algum dia retomar o caminho da autobiografia literária? Por quê? E quanto a outro livro de ficção?

Penso que não. Valeu A Pena foi importante para mim, fez parte da minha recuperação, eu era uma codependente e precisava de ajuda para seguir em frente, tanto o livro quanto o blog que criei sobre o tema, foram a minha essenciais para que eu voltasse a ter paixão pela escrita, mas não há espaço para novas biografias, gosto de caminhar pelas infinitas possibilidades que o mundo da ficção nos proporciona.

Victor Hugo Cavalcante: Quais foram suas principais inspirações para escrever Momento Errado? E o quanto a história e características dos personagens deste livro se misturam com alguma parte de sua vida?

Sabe, ME não é só um romance, ele teve um propósito: o de nos fazer perceber que a hora de sermos felizes é agora, que não é o final de nossas histórias que precisam ser felizes e sim o durante. Mostrar esse ponto de vista foi a minha maior motivação, mas eu não me inspirei em ninguém em específico, a Manuela, tem sim um pouco de uma versão mais jovem minha, ela é romântica e sonhadora como eu, ela não faz o tipo heroína, ela não tem medo de demonstrar suas fraquezas e eu francamente gosto disso, mas fora isso, foi tudo imaginação mesmo, foi a mistura de tudo o que já vi e li, a mistura de amigos meus, de como eu percebo o mundo, talvez.

Victor Hugo Cavalcante: Quais são suas principais influências literárias (escritores e livros) no gênero de romance ficcional?

Que pergunta cruel! Bom, eu amo romances que normalmente nos ensinam algo, não só que contam histórias, mas aqueles que nos fazem chorar e refletir, nesse segmento, hoje eu digo que Brittainy C. Cherry é minha favorita, mas tem muito mais, amo todos os livros dela, eu acabei de ler um recentemente que se chama Arte e Alma e ele é magnífico.

Gosto também da escrita da autora nacional Cinthia Freire, ela sempre me destrói e me reconstrói com seus personagens. A autora portuguesa Sofia Silva também está na minha lista de favoritas. Eu não sou capaz de dizer que tenho um único livro favorito, mas há um, Chamado Raio de Sol da escritora Kim Hokden que mexeu demais comigo, que me ensinou tanto sobre olhar o lado bom da vida, que talvez mereça a vaga de favorito.

Victor Hugo Cavalcante: O livro Momento Errado foi inicialmente lançado através da plataforma literária Wattpad, onde virou febre, batendo a marca de 300 mil leituras e arrebatando uma legião de fãs. Afinal, para você qual é a vantagem de primeiro lançar um livro online para depois realizar um lançamento físico? Como rolou o convite para o lançamento físico?

Lançar um livro online é uma experiência única, porque você tem contato direto com seu leitor, você recebe o retorno dele a cada parágrafo, você se emociona e se diverte com os comentários, que muitas vezes são como uma injeção de ânimo. Foi a melhor decisão da minha vida, me deu visibilidade, me proporcionou amizades verdadeiras mesmo que virtual.

Quando o livro ainda estava na plataforma recebi um e-mail de uma editora grande me pedindo o manuscrito, eu enviei e dias depois responderam que tinha interesse em publicá-lo, mas que eu teria que fazer algumas mudanças através de um coaching literário, foi aí que a agência literária Increasy entrou na história recomendada por essa editora, começamos a trabalhar em ME, repassamos linha por linha, mas o mercado editorial estava sofrendo mudanças e quando finalizamos o trabalho, a editora estava segurando as suas publicações de nacionais e foi então que a agência começou a trabalhar outras possibilidades e então veio a Lendari, uma editora bem eclética com selos que atendem os mais diversos estilos de literatura, o editor, Mário Bentes, estava criando um selo novo chamado Callenda, um selo dedicado à escritoras e resolveu acreditar em ME.

Desde então, tem sido incrível trabalhar com a editora porque eu participei ativamente de cada processo, isso foi sensacional e penso que não são todas as editoras que permitem isso.

Victor Hugo Cavalcante: Para você quais são as diferenças entre lançar um livro físico e um e-book? Por quê?

Lançar um e-book é um ótimo meio de permitir que as pessoas conheçam você e suas histórias, também tem um bom retorno na maioria das vezes, mas, a necessidade de dar vida a essa história em forma de livro impresso fica ali, te cutucando. Talvez não para todas as histórias, mas para algumas delas. É uma realização pessoal para o autor poder segurar seu livro nas mãos. Acho que essa é a diferença.