Erick Cesar: Da paixão precoce pelo samba a carreira de Leci Brandão Cover

Créditos: Divulgação

Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar perguntando: Como começou sua carreira musical? E como começou sua relação de fã com a carreira musical da Leci Brandão?
Erick Cesar: Eu digo que minha carreira musical começou em 1987 e você vai entender o motivo, enfatizo esse ano pois foi o momento em que eu tive o primeiro contato com o Samba, especificamente Leci Brandão, mas os Shows iniciaram no ano do Centenário do Samba em 2016.

Aprecio o samba de Leci desde 1987, no entanto eu estava com 01 ano de idade, que incrível tão novo e apreciava música de qualidade, o contato mais direto foi a partir do momento em que me afiliei ao Auto Estima, possuía carteirinha e tudo! À convite do presidente Alexandre Batel fui ao show em 2002 isso em julho no Bairro da Moóca, nos conhecemos pessoalmente e fui presenteado com poster e autógrafo,  anteriormente já havia escrito cartas e até Leci chegou a ligar em minha residência. Logo em setembro fui convidado para a festa de aniversário e daí então passei a ser um colaborador onde criei uma comunidade ainda no extinto Orkut.

Victor Hugo Cavalcante: Cover é um termo em inglês que caracteriza a versão que uma pessoa ou um grupo faz de um artista, cantor ou banda famosa. Consiste na regravação de uma música que já foi originalmente gravada por outro músico, por exemplo, para você enquanto cover de uma cantora há alguma dificuldade em se fazer esta interpretação musical por serem de gêneros sexuais diferentes? Por que?

Na verdade, a interpretação é um método fácil até mesmo pelo fato que interpreto canções que eu tenho afinidade tanto é que muitas eu tenho a intenção de fazer determinada música mas na hora do show justamente pelo fato de determinada letra tocar na alma e dessa forma eu interpretar com mais emoção, referente ao gênero sexual exige muita atenção pois sou muito observador e me apego a detalhes de cor de roupa,brinco, cor dos fios de conta de Leci tanto que a mesma ao assistir a nossa apresentação citou que os fios(guia) que eu usava era exatamente igual.

Victor Hugo Cavalcante: Qual sua dica para homens e mulheres que gostam de realizar cover de artista do sexo oposto?

A dica número 1 é conhecer o seu artista e saber se tem condições para executar um trabalho de qualidade, pois desconheço covers que não tem afinidade com o artista, pois são os mínimos detalhes que fazem a diferença na hora do espetáculo. E outra coisa, além disso é ter alma de artista, de criatividade, disposição e certamente talento, se manter atualizado e conhecer o produto que a música.

Victor Hugo Cavalcante: Quais as músicas da Leci Brandão que você mais gosta de ouvir e de representar? Quais são as mais complicadas para cantar e por quê?

Eu gosto de ouvir todas as canções que tem a ver comigo, com o meu interior, com a minha história de vida enfim tudo aquilo que é positivo eu gosto de repassar ao meu público.

Gosto de representar todas que falam de amor que é importante,de religiosidade que é fundamental e as músicas que foram consideradas como "faixas de protesto" e na verdade são alertas ao povo como: ZÉ DO CAROÇO, e sempre estão no repertório, para mim.música complicada não tem porém algumas demandam mais tempo de estudo, mas a gente não tempo ruim para não executa las.

Victor Hugo Cavalcante: Se pudesse cantar ou regravar uma música com a Leci Brandão, qual seria sua canção ou seu repertório predileto e por quê?

Seria Zé do Caroço exatamente pelo poder de alerta que esta música tem, fala do líder comunitário e existem vários por aí, fala da questão do Carnaval que não é esse colosso, pra mim  (do caraço) é hino, já tocou no Tropa de Elite e recentemente foi regravada por Anitta e olha que em 1978 não foi bem aceita pela gravadora e hoje é a canção mais regravada e tocada nas rodas de Samba do Brasil, até Bloco de Carnaval existe que por sinal eu sugeri este nome.

Victor Hugo Cavalcante: Em seus shows você canta mais músicas pedidas pelos fãs ou realiza um pré-roteiro de repertórios?

Faço um roteiro mesclando músicas com temática social falando de negros como: Negro Zumbi, Só quero te namorar, faço também de adaptação afro como: Saudação a Ogum, Rei das Ervas e até Lilás de Djavan entra no repertório.

Victor Hugo Cavalcante: Qual o principal feedback dos fãs da cantora representada após assistirem uma performance sua?

O feedback tanto depois do show quando converso pessoalmente é sempre muito positivo, eles aprovam a nossa performance afirmam que é idêntico e como gratidão no show presenteio o público com rosas, inclusive recebo muitos elogios em nosso Instagram

Victor Hugo Cavalcante: Recentemente você desfilou pela Acadêmicos do Sossego na Sapucaí representando a cantora e deputada Leci Brandão. Como foi que surgiu esta oportunidade e como foi poder fazer parte do desfile representando a cantora?

A nossa participação também foi a nossa estréia e foi maravilhoso, confesso que já estou com saudade, um amigo próximo chamado Evandro que é Muso da Escola nos apresentou a ideia, e certamente eu achei bacana, e numa conversa com o presidente da escola ele achou incrível e disse que estava tudo certo e que logo iria me informar qual seria a nossa representatividade e fomos na quarta alegoria que representa a defesa das religiões de Matriz Africana. Exatamente o que sempre defendi e Leci também em suas letras.

Foi lindo demais, o carro era um terreiro todo mundo de branco e eu estava lá como Leci Brandão Cover, afirmando que nós podemos ser seguidores dessa religião, sim! Aliás o meu Carnaval foi espetacular visitei a Mangueira que falou de Leci e foi campeã, fizemos show em Blocos Tradicionais de São Paulo, como Banda Redonda de Moisés da Rocha, Banda do Fuxico de Roberto Mafra, Conselho do Samba de Damasio Bothina onde homenageamos Marielle Franco, Bate Fundo, viemos a frente da Ala Bateça na Barroca Zona Sul atual campeã do acesso, depois de tudo isso estou com energia para fazer todos os shows.