Flavio Otoni: Amor e dedicação em um sertanejo inclusivo

Créditos: Facebook

Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar com a seguinte pergunta: Como começou sua relação com a música, sobretudo, sertanejo? E como começou de fato sua carreira?

Flávio Otoni: A minha relação com a música sertaneja começou quando eu era ainda muito pequeno, morávamos na fazenda e ouvia nas rádios as músicas da época (Leandro e Leonardo, João Paulo e Daniel, Chitãozinho e Xororó etc.), ali eu cantava junto com o rádio e quando ia ao mangueiro subia no alto e imagina que as vacas eram o meu publico e eu o cantor. A carreira começou quando fui para a cidade e comecei a participar das festas escolares e cantar para a família. Com o tempo começou a cada dia ficar mais serio e profissional, e quando comecei a cantar na Valley a principal casa sertaneja do estado do MS comecei a me projetar para públicos maiores.

Victor Hugo Cavalcante: Como foi ir ganhando prestígio fazendo com que pudesse tocar ao lado de Milionário e José Rico e gravar o clipe Te adoro Flor com a dupla Jads e Jadson atualmente com mais de 175 mil visualizações no Youtube

Foi muito árduo o caminho para conseguir a começar me projetar e a realização de cantar em Barretos dividindo público com Milionário e Jose Rico foi uma grande realização e muita motivação para continuar buscando o reconhecimento. E gravar com a dupla Jads e Jadson foi um sonho, pois sempre fui muito influenciado por eles por serem grandes cantores do meu estado, eles gostaram da musica e o produtor Flavio Guedes ofereceu a eles a participação e eles toparam na hora, Deus é muito bom comigo. Ate hoje me lembro com muita alegria esse marco na minha vida é profissão.

Victor Hugo Cavalcante: Em 2011, você iniciou seu trabalho solo na melhor e mais badalada casa sertanejo do Mato Grosso do Sul, ali, foi início de uma carreira brilhante onde neste ano, gravou seu primeiro CD, intitulado Vou Te Convencer, deste primeiro CD aos seus álbuns mais atuais o que vêm mudando com o tempo em relação ao ritmo e a letra das músicas contidas nos trabalhos?

Percebo que a cada dia tenho descoberto a minha personalidade musical, colocando cada vez mais a minha veia, minha identidade nos arranjos e letras, e recentemente descobri a minha maior riqueza e maior propósito na musica.

Victor Hugo Cavalcante: Em 2018 usando toda sua bagagem para iniciar grandes projetos, você começou a atingir públicos diferentes com o projeto NO RANCHO, que são vídeos intimistas em voz e violão cantando grandes sucessos do sertanejo. Mostrando sua voz potente e firme e sua performance como artista sertanejo. Como começou sua ideia de fazer este projeto? Qual foi o feedback dos fãs e dos ouvintes?

Sempre gostei muito das músicas clássicas do sertanejo e 2018 eu desejava fazer algo a mais para o meu publico, mas de forma simples, objetiva e que mostrasse bem a minha voz, ao invés de produções muito arranjadas, foi quando Rafael Alfonso (produtor de vídeo) de Campo Grande me convidou a gravar um projeto intimista. O Thalisson Goes (produtor musical) produziu com muito carinho e o resultado foi excelente, o cenário foi o Rancho MH, não precisamos fazer nenhuma modificação, já estava pronto, um lugar que tem a natureza em todos os cantos, no cheiro, nas características, na paz.

O feedback dos fãs e dos ouvintes foi muito positivo, conquistei muitos fãs novos, aumentando os seguidores da música sertaneja e senti que era o ponta pé para projetos grandiosos que viria pela frente.

Victor Hugo Cavalcante: Quais suas principais influências para compor uma música? E suas influências musicais tanto no sertanejo quanto fora deste gênero?

Tenho influência dos compositores mais antigos, mais clássicos, como Cesar Augusto, Airo Barcelos, Zé Henrique, estilos Bruno e Marrone, Daniel, etc. Minhas influências são variadas, mas gosto muito de Bruno e Marrone, Zezé di Camargo e Luciano, Daniel, Luan Santana, Gusttavo Lima.

Victor Hugo Cavalcante: Para você quais foram os momentos mais históricos de sua carreira como cantor sertanejo?

Posso citar vários, mas meu primeiro fã clube, quando foi criado, meu primeiro show de verdade, minha primeira musica na radio, meu primeiro convite para ir à tevê, mas o que mais me marcou ate hoje foi a homenagem que fiz a minha mãe, no meu primeiro DVD.

Victor Hugo Cavalcante: Após 15 anos do início da sua carreira, você vendeu sua casa para investir na gravação de seu primeiro DVD, Assunto Preferido, que aconteceu no início do segundo semestre do ano passado em Goiânia-GO, como foi realizar a gravação deste DVD?

Mais que uma realização profissional e pessoal, foi a descoberta de uma missão de vida. Foi árduo, difícil, mas muito prazeroso e cheio de alegrias. Escolhi as musicas com muito zelo, muito critério, e receber o presente de Deus, de ter uma ideia magnifica de poder traduzi-lo todo em Libras pela minha irmã, foi o que o tornou grandioso no meu ponto de vista.

Victor Hugo Cavalcante: Para você como um CODA, uma abreviação para os ?Filhos de Pais Surdos", e como cantor, como foi realizar um trabalho incrível em prol a língua de sinais (Libras) no seu DVD?

Foi incrível, me senti privilegiado e acabei de vez com a ironia e contradição que sempre convivi (cantar e minha mãe não poder escutar) me trouxe uma mudança de mentalidade e uma missão além da musica de incentivar cada vez mais pessoas a aprender se comunicar em Libras.

E qual a importância de cada vez mais artistas musicais estarem juntos nesta campanha em prol aos fãs deficientes auditivos?

A importância é muito grande, pois assim traremos o surdo para um mundo que ele não conhecia, aproximaremos os surdos daquilo que ate hoje eles não tinham acesso e conhecimento. Se todos os artistas tiverem essa visão, sem focar em marketing e sensacionalismo, verão que estaremos mudando o mundo tornando a arte ainda mais acessível e faremos milhões de pessoas surdas felizes se sentindo poderosas.

Victor Hugo Cavalcante: Quais os próximos shows e projetos que você já pode adiantar nesta entrevista?

Estarei no dia 28/03 no Rio de Janeiro na UFRJ.