Vitória da Viola: Uma viagem violeira de volta ao tempo no Youtube

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Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar com a seguinte pergunta: Como começou sua relação com a viola?

Vitória D' Lyra: Quando eu tinha seis anos minha mãe, Lúcia Lyra, que sempre gostou de viola, começou a fazer aulas na Secretaria de Cultura da cidade de Votorantim SP. Meu pai trabalhava então a única opção dela era me levar para as aulas.

Eu era tão pequena que sentava na cadeira dos adultos e não alcançava os pés no chão. Eu sempre carregava comigo uma Guitarra de brinquedo, de plástico, até que um dia eu peguei a viola das mãos da minha mãe e disse: "É minha!", nunca mais a larguei.

Segundo minha mãe, de tanto observar, eu já sabia algumas notas e depois de três meses fui colocada como integrante da orquestra municipal da nossa cidade.

Victor Hugo Cavalcante: Em seus vídeos você aparece com sua mãe interpretando grandes musicas caipiras, como vocês decidem quais músicas gravarão? Quais os tipos de músicas do gênero caipira que você mais gosta?

Minha mãe é minha dupla, mas acima de tudo minha mãe. Desta forma trabalhamos unidas para escolher nossos repertórios e até mesmo trajes, para que não seja algo "desencontrado".

Fazemos grandes festas no interior de SP, MT e GO, então trabalhamos duro para interpretar com maestria o melhor da música sertaneja raiz.

No nosso CD, lançado pela TOCANTINS GRAVADORA, escolhemos musicas autorais e regravações de grandes mestres, como o PARDINHO (Tião Carreiro e Pardinho).

Gosto muito das músicas como pagodes de viola, modas de viola, guarânias, polcas paraguayas e cururu.

Victor Hugo Cavalcante: Quais os violeiros que mais te inspiram e por quê?

Minha primeira e maior inspiração se chama Juliana Andrade, também conhecida como Princesa da viola, Violeira do universo, ou de sua antiga dupla Violeiras do Brasil. Foi a primeira violeira que vi tocando, virei a maior fã do mundo, e hoje mesmo tocando junto com ela em alguns palcos ainda fico nervosa e faço questão de gravar, tirar foto. É de fato a melhor violeira do Brasil.

E também as Irmãs Freitas, dupla goiana atualmente de mãe e filha (Ouriana e Luciana), mas que foi originada por duas irmãs (Ana Lúcia e Luciana), as vozes da família Freitas é inigualável! Como também André e Andrade (Freitas). Preferencialmente gosto de seguir o modelo das mulheres violeiras.

Victor Hugo Cavalcante: Para você como é ser jovem e apresentar músicas de viola em um canal no Youtube?

Foi difícil no começo, pois eu ainda era pré-adolescente, mesmo não buscando fama ou muitas visualizações alguns vídeos foram bem encaminhados e divulgados. Já sofri certo tipo de brincadeiras por conta de considerarem a "viola coisa de velho", mas sempre ergui a cabeça, pois essa é minha cultura, tradição e meu trabalho, graças a Deus desde que tenho 13 anos não dependo financeiramente dos meus pais, sendo sustentada apenas com meu trabalho de violeira. De todo modo, sou eclética, adoro samba, pagode, MPB, entre outros... Assim me divirto sendo violeira, mas me dando bem em variados tipos de ambientes.

Victor Hugo Cavalcante: Além de viola você toca outros instrumentos? Quais e como começou sua relação com estes instrumentos?

Nos anos de 2011 para 2012 eu dei um tempo de Viola Caipira, foi quando comecei a aprender Violão, Guitarra, Teclado e Contrabaixo. Já em 2012 entrei para a BAMAVO (Banda marcial de Votorantim) tocando trompete. Já fiz algumas aulas de Harpa também. Mas meu gosto é a Viola e Violão, são nesses instrumentos que coloco minha alma e me sinto confiante.

Victor Hugo Cavalcante: Quais músicas que você mais gostou de tocar e interpretar em seus vídeos? Qual foi o mais difícil e o mais fantástico?

Com certeza a mais importante pra mim, é a Canoeira do Araguaia originalmente gravada pelas Irmãs Freitas, mas também regravada por Juliana Andrade e Jucimara em 2001. E essa música tem valor sentimental, visto que foi com ela que minha mãe e eu ganhamos o primeiro Festival Nacional de Viola Caipira Feminina em Jaciara - MT.

Victor Hugo Cavalcante: O que significa a Cultura Caipira para você?

É minha vida. É minha segurança. A cultura caipira desde que me entendo por gente faz parte do meu ser, e até antes mesmo, pois minha família foi criada no sertão da Paraíba e Mato Grosso do Sul. Pretendo defende-la até meus últimos dias e também deixar herdeiros no meio violeiro. Herdeiros que digo são meus alunos e alunas, são o futuro da nossa tradição, mantendo sempre o nosso costume, respeitando a viola e mais uma vez mostrando que a cultura caipira JAMAIS irá morrer.