Xadrez: Um exercício para a mente

Créditos: Cedida pelo entrevistado

Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar perguntando: Como surgiu sua relação com o xadrez?

Wilson da Silva: Aprendi a jogar xadrez no ano de 1974 ou 1975. Tive o privilégio de aprender este jogo em uma escola pública da periferia de Curitiba, na 3ª ou 4ª série do Ensino Fundamental, no Grupo Escolar Núcleo Social Yvone Pimentel (hoje um Colégio Estadual), onde estudei de 1974 a 1979. Como não havia quadra esportiva coberta na escola, nos dias de chuva o professor de Educação Física ensinava teoria dos esportes e havendo tempo, ele nos deixava brincar com alguns jogos que ficavam guardados em um baú, no canto da sala.

Dos jogos que havia neste baú, o meu interesse voltou-se para o xadrez, pois possuía peças que eram atrativas para mim: Rei, Dama, Cavalo, etc. O professor então me ensinou os movimentos básicos, pois era tudo o que conhecia, e comecei a praticar com meu irmão mais velho, que também aprendeu a jogar na mesma escola. Durante o período de 1975 a 1985 não me lembro de ter vencido nenhuma partida dele, sofrendo inúmeras e amargas derrotas.

Em 1985 descobri o Clube de Xadrez Erbo Stenzel, clube este que homenageia o artista plástico e campeão paranaense de xadrez de 1959. Neste clube havia livros de xadrez (coisa que eu desconhecia que existia até então) e também aulas que passei a frequentar regularmente. Em 1988 ingressei na Fundação Cultural de Curitiba para ensinar xadrez para as crianças da periferia de Curitiba, e posteriormente comecei a capacitar professores para o ensino do xadrez nas escolas, no Projeto Xadrez nas Escolas Públicas do Paraná.

Uma das primeiras constatações que fiz, ao iniciar o trabalho com os professores, foi a escassez de materiais destinado ao ensino de xadrez nas escolas. Neste sentido, passei a desenvolver alguns materiais (textos, apostilas e livro) para subsidiar o projeto de xadrez escolar do Paraná.

No entanto, devo ressaltar que tive o privilégio de contar com o apoio do Grande Mestre Internacional de xadrez Jaime Sunye, que disponibilizou sua enorme experiência com o xadrez escolar, fruto dos anos em que viveu na Europa jogando xadrez profissionalmente.

Victor Hugo Cavalcante: Quais os benefícios que o xadrez causa para a mente?

Minha pesquisa de doutorado mostra a relação entre o xadrez e o raciocínio lógico. O estudo e a prática sistemática do xadrez proporciona uma atividade cognitiva, de natureza formal, que é uma ótima forma de exercitar o pensamento lógico do praticante.

Victor Hugo Cavalcante: Para você enquanto pedagogo com especialidade no potencial educativo do xadrez, qual a importância de se levar as técnicas do xadrez para as escolas no Brasil?

Como disse na resposta anterior, acho o xadrez uma forma ótima de exercitar o pensamento lógico dos alunos.

Victor Hugo Cavalcante: Quais as dicas, além de muitos treinos, que você dá para quem gostaria de se tornar um profissional de xadrez?

Os estudos mostram que a prática leva à perfeição. Os pesquisadores apontam que é necessário aproximadamente 10 anos (ou 10.000 horas) de intenso treino, também chamado de prática deliberada, para atingir o nível internacional.

Victor Hugo Cavalcante: Para você no que e como a internet pode ajudar aos treinandos de xadrez?

A internet pode auxiliar muito, proporcionando o acesso quase instantâneo à informações enxadrísticas (livros digitais, acesso a bases de dados, softwares para jogar, analisar, etc.). É uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento do nível do enxadrista

Victor Hugo Cavalcante: O que poderia melhorar hoje no Brasil enquanto políticas públicas que apoiem a prática do xadrez?

Tornar a oferta do xadrez (não a prática) obrigatória seria muito importante. A escola seria obrigada a ofertar o xadrez, e o aluno aprenderia se quisesse.

Victor Hugo Cavalcante: Embora algumas civilizações antigas tenham sido apontadas como o berço do xadrez, tais como o Antigo Egito e a China dinástica, na atualidade pesquisas afirmam que o jogo tenha se originado na Índia por volta do século VI, num formato primitivo com regras diferentes das ezatuais, o antecessor denominado Chaturanga, afinal para você enquanto entusiasta desta prática esportiva porque o xadrez ainda respira vividamente?

O xadrez teve a capacidade de se modificar e se atualizar quando a sociedade foi se modificando, como por exemplo, na idade media, quando o xadrez sofreu uma grande modificação, em sintonia com a Renascença.