AIDS: Quem ama se previne

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Victor Hugo Cavalcante: O que é AIDS e o que é HIV? Qual é a diferença entre os dois e por que nem todas as pessoas infectadas com HIV têm Aids?

Jean Carlo Gorinchteyn: O HIV é um vírus de transmissão especialmente sexual, mas, pode ser por outras transmissões, por meio de sangue contaminado, compartilhamento de seringas, agulhas e a partir de transmissão que ocorre da mamãe para o bebê durante a gestação. As pessoas podem adquirir o vírus do HIV, mas, durante cerca de cinco a oito anos elas vão gradualmente comprometendo uma célula específica.

E à medida que essas células são produtoras de anticorpos e acabam diminuindo, aí sim, surgem as doenças oportunistas que aproveitam a oportunidade de o sistema imunológico estar enfraquecido para se manifestar. Nesse momento nós chamamos de AIDS. Até então, o indivíduo era um HIV positivo assintomático.

É considerado AIDS exatamente naqueles indivíduos que tenham uma queda da sua imunidade com doenças que aproveitam a oportunidade para se manifestarem.

Victor Hugo Cavalcante: Como a doença da AIDS age no corpo de uma pessoa infectada pelo HIV?

A AIDS vai acontecer à medida que as células CD4, que são exatamente as células que são invadidas pelo vírus para ele se multiplicar, vão diminuindo em número, portanto, na medida em que ocorre uma diminuição de número, ocorre o enfraquecimento do sistema de defesa e alguns agentes, como disse, oportunistas, passam, sim, a se manifestar, levando a quadros de pneumonias, diarreias, quadros neurológicos, que, muitas vezes, podem, inclusive, serem fatais.

Victor Hugo Cavalcante: Atualmente estão aparecendo alguns dados estarrecedores sobre a taxa de aumento de soropositivos, principalmente entre os idosos (103%), afinal, por que está ocorrendo esse aumento de pessoas infectadas entre os idosos?

Os idosos passam a ter um risco de contaminação, ou seja, vulnerabilidade, a partir do momento em que eles usavam o preservativo nas suas relações para prevenir gestações indesejadas, e não para se proteger de infecções sexualmente transmissíveis, entre elas, o próprio HIV. Então, dessa forma, eles acabam deixando de lado o preservativo, até porque, o preservativo é um instrumental que atrapalha a relação. Para o homem, há uma dificuldade de manejo e, como geralmente ele tem um relacionamento com uma mulher mais jovem, ele não quer desapontar, então, ele acaba não usando a camisinha. E a mulher, muitas vezes, se sente muito insegura de cobrar desse parceiro, novo, depois de tantos anos, seja solteira, seja viúva, seja separada, ela tem medo de exigir desse parceiro, então, logicamente, ela acaba não fazendo uso do preservativo e, à medida em que tem relação sexual eventualmente com alguém que seja é portador de HIV, acaba, logicamente, tendo o risco de se contaminar.

Victor Hugo Cavalcante: É verídica a informação de quem tem Aids atualmente "vive melhor" por conta do coquetel? Por quê? 

Medicações antirretrovirais específicas para a AIDS são medicações muito mais confortáveis, mais cômodas, elas acabam tendo menor número de comprimidos, fazendo, então, com que as pessoas tenham uma adesão ao tratamento muito maior, e vem com isso, uma tolerância dessas medicações, evitando aqueles episódios de náuseas, vômitos e diarreia. Então, o fato de as pessoas tomarem as suas medicações de forma regular faz com que elas tenham uma recuperação da sua imunologia, ou seja, o número de CD4 tende a aumentar, a quantidade de vírus na circulação, no sangue, no sêmen, acaba diminuindo e, portanto, menor risco de destruição dos linfócitos CD4, ou seja, eu tenho uma melhora tanto do ponto de vista imunológico quanto laboratorial, não detectando mais a presença do vírus nos líquidos corporais, diminuindo a chance de contaminação para outras pessoas.