Karina Ramil: O fruto da arte

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Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta honrosa entrevista, e já que estamos no mês de outubro, conhecido como o Mês das crianças, gostaria de começar perguntando: Você nasceu fazendo parte de uma família de artistas, tal como seu pai Kleiton, da dupla com Kledir, e sua mãe Luciana Ramil que é produtora, entre outros membros da família, mas afinal, como foi crescer num meio artístico familiar? Isso te influenciou de alguma maneira a ser atriz? Qual era seu sonho de profissão quando era criança?

Karina Ramil:​ Acho que sim. Desde pequena acompanho a carreira do meu pai e dos meus tios que são artistas, então comecei a ter intimidade e curiosidade com o palco relativamente cedo. Além dos meus pais sempre terem me incentivado com cursos de artes plásticas, teatro e música. Então acho que ajudou nesse sentido, sempre tive muitos estímulos e que eu me lembre, sempre quis ser atriz. Claro que quando se é mais nova uma profissão só não mata a vontade (Risos), eu queria ser atriz, cantora, bailarina, modelo, mas acho que era pura ambição de querer trabalhar com arte. Ser atriz gritou mais forte.

Em uma entrevista para o site Diário Gaúcho em 2016 tu disse que tocava piano mas que nunca teve interesse em estrear em um musical. Você continua com esta ideia? Por quê?

Pois é, continuo com a mesma ideia sim. Hoje em dia eu tenho um pouco mais de referências de musicais que me enchem os olhos, mas ainda não me sinto apta a trabalhar num evento desses. Vejo amigos tão talentosos cantando e dançando que acho cada vez mais que estou pronta para outras artes. (Risos)

Qual o preparo que você realiza antes de contracenar em um vídeo do Porta dos Fundos ou em outro trabalho? O que e o quanto difere o jeito Karina de ser e contracenar com o roteiro que vocês recebem antes de gravar/atuar? Melhor dizendo, o quanto da atuação pessoa de Karina Ramil e o quanto de roteiro têm nos seus trabalhos de atuação?

Depende muito do trabalho, com certeza tem muito de Karina Ramil em tudo, até porque não teria como não ter. Mas percebo que no trabalho audiovisual, especialmente no porta, é tudo mais rápido. Eu estudo o texto em casa, penso nas leituras diferentes que ele pode ter, e chegando lá ainda tenho o direcionamento do diretor. Os textos geralmente são bem diretos então não tem muito o que fugir deles, é só curtir. Comparando ao teatro, por exemplo, a preparação é mais intensa porque você conta uma história ao vivo, então geralmente leva mais de mim.

Se fosse possível (Ou for!) contracenar com algum artista estrangeiro ou nacional, vivo ou falecido, qual seria seu desejo e por quê?

Nossa tanta gente! Acho que Fernanda Montenegro deve ser o sonho de todo artista brasileiro. Eu ficaria muitíssimo feliz se pudesse trabalhar com ela, só pra observá-la por alguns minutos. Mas tem muitos que eu amaria. Se fosse estrangeira, com certeza a Meryl Streep.

Muitos do grupo, e também ex-integrantes, mantém trabalhos importantes na televisão, você já afirmou numa entrevista que não tinha planos, mas tinha muito interesse em trabalhar com cinema, esta vontade continua? Você acha que existe alguma diferença entre o humor da web para o humor da TV e cinema? Por quê?

Continua muito, eu tenho um interesse imenso em trabalhar com cinema. E tenho achado o cinema independente brasileiro cada vez mais instigante, estou torcendo pra rolar algo em breve.

Acho que o Porta tem mais liberdade pra falar de assuntos que ainda podem ser tabu pra TV, eu vejo que as coisas tem avançado pra todos os lados, mas mesmo assim ainda existe essa diferença. Por serem os próprios donos e estar numa plataforma da internet podemos falar diretamente o que queremos falar, sem ter que "pisar em ovos". Citar nomes, falar de situações que são delicadas e ter tantas opiniões diferentes no mesmo espaço sendo respeitadas e representadas no mesmo espaço faz com que o Porta tenha um diferencial.

Embora você não tenha seguido a carreira musical herdada da família, você já disse que se influencia bastante pelo meio musical, afinal que influências são estas?

Minha família paterna sempre foi muito presente na minha vida e com eles a música. Tem de tudo: compositores, instrumentistas, intérpretes que cantam e tocam música popular, folclórica, erudita etc. As influências vêm daí, eu tenho curiosidade sobre o mundo Musical, até porque acho que a arte funciona como um todo, então temos que nos manter unidos. Ter um pai que toca de cantigas de ninar ao mestrado em composição de música eletroacústica, faz a gente expandir um pouco nossas referências sonoras. Acho que é por isso que não tenho preconceito com nenhum tipo de música até hoje.

No Programa do Porchat, estrelado pelo Fábio Porchat na TV Record, quando ele perguntou quais eram as perguntas que os integrantes mais odiavam responder surgiu uma resposta com a pergunta mais clichê de todas: "Qual é o limite do humor", porque você acha que esta pergunta é feita muitas vezes para os humoristas? Para você além da pergunta "É muita correria", se pudesse dar uma dica para os jornalistas de quais perguntas odeia ou não aguenta mais responder, qual seria?

Acho que estamos vivendo um momento de muitos questionamentos sobre os limites de tudo. A globalização e a internet fizeram com que tudo ficasse super visível, felizmente, podemos debater sobre todos os assuntos. Acho que a pergunta "Qual é o limite do humor" vem desse lugar. Até porque existe uma linha tênue entre a censura, o gosto pessoal e a opressão através do humor, o que provoca divergentes opiniões sobre o fato.

Agora sobre perguntas chatas, (risos), acho que algumas mulheres têm falado sobre isso, mas não me pergunte se quero ser mãe, qual roupa estou vestindo. Perguntar sobre o trabalho é sempre mais importante e terei mais vontade de responder.

Sobre cinema quais são seus atores e atrizes favoritos? E filmes? E quais são suas inspirações do mundo do cinema?

Eu amo muitos atores e atrizes diferentes, eu adoro observar como a pessoa se entrega de verdade ao trabalho. Vou falar dos filmes nacionais senão não conseguiria terminar de responder. Eu amo Estômago, curto tudo nesse filme e a atuação da Fabíula Nascimento e do João Miguel são de quebrar tudo. Assim como Hermila Guedes no Céu de Suely. E Fernanda Torres no Eu sei que vou te amar, não preciso nem falar, né? Os claramente escandalosos como Cidade de Deus, Central do Brasil e O Auto da Compadecida por tudo. E pra finalizar, eu ando acompanhando e amando os trabalhos de Anna Muylaert, Laís Bodanzky, Petra Costa e Julia Rezende.

Qual vídeo do Porta dos Fundos que você protagonizou que mais gostou de participar e de assistir? E qual o seu vídeo do canal predileto? Você se assiste nos vídeos do canal para procurar mudar algo em seus próximos vídeos?

Nossa, eu amei vários. Tem alguns que tenho carinho especial, tipo Woddy Allen que foi um dos primeiros que gravei. Dos mais recentes eu amei Monstro, porque foi divertido e achei o roteiro genial.

Assisto todos e acho que é da profissão buscarmos nos aperfeiçoar no trabalho. O porta foi o maior trabalho audiovisual que eu já fiz, acredito que estou amadurecendo e espero melhorar cada vez mais.

Quais peças que você atua que estão em cartaz ou estrearam recentemente? Conte-nos estas novidades.

Além das gravações intensas do Porta, estou no elenco de Infância, Tiros e Plumas da Cia OmondÉ com direção de Inez Viana - recentemente apresentada na Caixa Cultural em Brasilia e tenho projetos pro ano que vem que estão em andamento, inclusive gravando uma série, mas que ainda não posso dar detalhes.