Você não está sozinho

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Victor Hugo Cavalcante: Você se lembra de quando começou a ter pensamentos depressivos/suicidas?

Luciana do Rocio Mallon (44 anos): Quando eu tinha cinco anos, já no jardim-de-infância, percebi que não era igual as outras crianças e isto me dava tristeza.

Aos catorze anos, minha família foi transferida para uma cidade do interior do Paraná. Lá foi difícil me adaptar porque as pessoas eram preconceituosas. Como eu era obesa e masculinizada me xingavam de: sapatão, baleia, gorda, elefanta, etc. Além disto cantavam aquela música para mim:

- Maria Sapatão, Sapatão, Sapatão, etc.

No dia do amigo secreto, me deram uma cueca com a palavra "Sapatão" escrita em esmalte vermelho. No dia seguinte comprei veneno de rato e tomei na escola. Acordei no hospital. Pois tinham feito lavagem em mim.

Victor Hugo Cavalcante: Você se lembra de como era sua vida antes de começar a ter depressão e pensar em se suicidar?

Eu me lembro que antes de frequentar a escola eu parecia ser mais feliz.

Victor Hugo Cavalcante: Você já superou a depressão e vontade de cometer suícidio?

Mais ou menos. Pois tenho problemas familiares e de saúde bem pesados. Porém algo que me ajudou a superar a depressão foi a terapia de grupo dos Neuróticos Anônimos, sim o nome é este mesmo: Neuróticos Anônimos. Lá as pessoas se reúnem, falam dos seus problemas e há uma literatura interessante.

Victor Hugo Cavalcante: Em seus dias mais negros, o que você costuma/costumava sentir de si mesmo e do mundo quando pensa/pensava no suícidio?

Geralmente um dia fica muito dolorido quando os problemas familiares e de saúde começam a pesar. Por exemplo: tenho um problema sério no intestino e quando isto ataca, também provoca depressão.

Victor Hugo Cavalcante: Como sua família e seus amigos te ajudam a superar a depressão e a vontade de se matar?

Na verdade, não tenho muitos amigos na vida real. Porém possuo colegas na vida virtual. Os amigos virtuais são os que mais me ajudam nos momentos de depressão.

Victor Hugo Cavalcante: Você participa sessões de terapia? Se sim, como elas te ajudam contra a depressão?

No momento não participo. Mas já participei das reuniões dos Neuróticos Anônimos.

Victor Hugo Cavalcante: Falando sobre internet, o quanto elas te ajudam a vencer as batalhas da depressão e como elas te atrapalham?

Bem, tenho colegas virtuais que sempre me dão forças. Porém há pessoas que entram com perfis fakes para me colocar para baixo. Em 2017 fui assaltada e apanhei dos bandidos. Algumas pessoas entraram na minha página e falaram coisas como:

- Os bandidos não fizeram o serviço direito porque não mataram você.

Victor Hugo Cavalcante: O suicídio ainda é um tabu para muitos, o que você diria para quem quer cometer este terrível ato? E o que você diria para quem deseja ajudar a um possível suicida a lutar contra a depressão?

O suicídio é considerado crime e não vale a pena cometer. Existem instituições que ajudam pessoas que pensam nisto. Há o Centro de Valorização da Vida e os Neuróticos Anônimos. Em setembro o Centro de Valorização da Vida faz a campanha, Setembro Amarelo, que é muito interessante.

Nós do site Jornal Folkcomunicação gostaríamos de enfatizar que se você sofre ou conheça alguma vítima da depressão procure ajuda responsável.