Onde vivem os medos: Explicando o medo para as crianças

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Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar com a seguinte pergunta: Como começou sua aventura no meio literário? 

Dani Grinberg: O prazer é todo meu. Eu iniciei a minha carreira de escritora de maneira informal há exatamente 8 anos quando ainda lecionava inglês de forma lúdica para crianças de 2 a 10 anos. Eu inventava histórias em inglês e a partir disso observava que elas não só aprendiam muito mais como também adoravam inventar e contar as suas próprias histórias em um segundo idioma. E desta forma inseria a gramática e todo o conteúdo de forma lúdica e interessante para as crianças.

E de repente as histórias foram aumentando e aumentando e quando me dei conta estava assinando o meu primeiro contrato com a Editora Cortez

Victor Hugo Cavalcante: Seu primeiro livro chamado O sapo e a lagarta e lançado pela Editora Cortez também é infantil, afinal porque e como você decidiu estrear como escritora no universo literário voltado ao publico infantil?

Eu sempre gostei muito do olhar das crianças, esse olhar curioso e colorido é na verdade muito parecido com o meu! Risos.

A história O sapo e a lagarta foi feita especialmente para a minha filhinha Mariana. Ela teve muita dificuldade durante o processo de alfabetização e um belo dia me pediu que eu escrevesse uma história boa, para ela ler na sala dela, na Escola Vera Cruz.

Aí criei essa história de amizade e transformação entre um sapo e uma lagarta.

A Mari conseguiu ler a história toda que inclusive na época foi ilustrada por ela e foi um sucesso na escola.

A partir disso resolvi procurar algumas editoras para lançar o livro.

Victor Hugo Cavalcante: Por ser jornalista você teve alguma facilidade em criar uma história para seus dois livros infantis publicados? Conte-nos um pouco do processo de inspiração para a criação da história destes dois livros (O sapo e a lagarta e A gigante caixinha de medos). 

O meu processo de inspiração é muito baseado em experiências vividas e que eu acabo dando uma releitura mais lúdica e colorida para sempre tentar ensinar algo ou ajudar as crianças. O fato de ser jornalista só viabilizou mais o processo, pois sempre gostei muito de escrever e desde criança amava ler, um hábito que herdei dos meus pais.

Victor Hugo Cavalcante: Sobre o seu novo livro, você se inspirou no medo de alguns de seus filhos para criar a história? Este livro tem um diferencial do primeiro livro publicado porque fala sobre medos e como ele é natural, e, além disso, pode ajudar os pais das crianças a lidarem com este sentimento, como foi o processo de inspiração e de pesquisa deste livro, você chegou a falar com especialistas na área psicológica?

A minha ideia ao escrever este livro foi exatamente falar de medo sem medo. Ao brincar e discutir os medos sentidos com naturalidade, conseguimos de certa forma entender e vencer os receios. Os adultos sempre tem uma tendência a complicar as coisas. E de certa forma, acabam passando os seus próprios medos para os filhos.

Neste livro tentei relacionar os medos mais comuns e que foram citados pelas próprias crianças em uma pesquisa de campo realizada no começo deste ano.

Quando a história ficou pronta cheguei a mostrar para um psiquiatra e ele adorou a maneira delicada e sensível com que eu amarrei a história e os exemplos de medos.

Victor Hugo Cavalcante: Diferentemente do seu primeiro livro você além de escrever o A gigante caixinha de medos também realizou a ilustração deste, afinal como surgiu esta ideia de fazer suas próprias ilustrações? 

Desenhar sempre foi muito difícil para mim, um grande desafio. E este ano eu me propus a vencer esta limitação e o medinho que tinha em relação ao desenho. Então me matriculei num curso de ilustração e me dediquei bastante. O resultado tá aí e fiquei muito satisfeita e orgulhosa do livro.

Victor Hugo Cavalcante: Pretende continuar escrevendo livros e ilustrando? Por quê?

Sim. Quando inventamos e escrevemos uma história, já imaginamos os personagens, os  cenários e todo o encantamento da história. Você conseguir dar forma artística para a escrita é algo mágico.

Um processo maravilhoso e muito divertido.

Sempre gostei muito de pintar, então poder ilustrar e pintar com aquarela é diversão pura.

Victor Hugo Cavalcante: Quando você era pequena quais livros infantis de faziam sonhar acordada ao ler ou ouvir contar histórias? E no que você acha que tais livros te influenciaram a escrever seus livros infantis?

Os meus livros favoritos são: O Pequeno Príncipe de Antoine Saint-Exupery, Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, A operação do Tio Onofre de Tatiana Belinky, Alice no país das maravilhas de Lewis Carroll, As aventuras de Tom Sawyer de Marc Twain, Contos de Grimm de Wilhelm e Jacob Grimm, Histórias maravilhosas de Andersen de Hans Christian Andersen, Onde vivem os monstros de Maurice Sendak e A lagarta comilona de Éric Carle.

Estes títulos me fizeram literalmente sonhar acordada na minha infância, eu adorava a hora da história, antes de dormir.

Victor Hugo Cavalcante: Sua paixão pela literatura infantil só aumentou com o nascimento de suas filhas "Isa" e "Mari". Você leu para elas ou elas leram as histórias contadas em ambos os livros antes de publica-los? O que elas acharam e como elas te incentivaram a continuar a escrever?

Sim, sempre li muito para as minhas pequenas. E hoje em dia isto é uma rotina cada vez mais difícil, pois as crianças estão perdendo o hábito da leitura. E os pais, quase sempre cansados ou ocupados não têm mais tempo de ler para os filhos. As minhas meninas, Isa (15) e Mari (9) são as maiores críticas das minhas histórias. E o mais legal é que não são todas as histórias que elas gostam não. Estas duas em particular, elas curtiram bastante. Testar e mostrar as histórias para as crianças é muito importante. Escrever para crianças é muito difícil, eles são sinceros, você tem que saber ouvir e olhar a vida como eles para que eles gostem da história e te respeitem.