Economia 2019: Começando o ano no verde

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Victor Hugo Cavalcante: Quais são os maiores mitos quando se fala em controle de despesas para o fim de ano?

Vitor França: Não sei se eu chamaria de mito, mas nota-se uma aparente contradição entre expectativa e realidade quando o assunto são despesas de final de ano, e despesas de maneira geral. De acordo com pesquisa da Boa Vista, 72% dos consumidores, ou seja, a grande maioria, disseram que gastarão menos dinheiro neste Natal e Fim de Ano em relação ao ano passado. Por outro lado, quando perguntamos a respeito do valor total que esperam gastar, constatamos um aumento de 4,5% do valor médio em relação à pesquisa anterior (de R$ 461,54 para R$ 482,54).

De maneira geral, os consumidores tendem a se mostrar conservadores antes das compras, esperam economizar, mas acabam gastando mais, por fatores como falta de planejamento, por exemplo, pois deixam as compras para última hora, não pesquisam preços e acabam comprando presentes que não estavam inicialmente nos planos.

Além disso, muitas vezes nem lembram exatamente quanto gastaram no ano anterior, mas mesmo assim afirmam que vão gastar menos, quando na verdade estão gastando mais.

Victor Hugo Cavalcante: No fim de ano muita gente viaja ou participa/realiza confraternizações, afinal, qual é a dica perfeita para quem quer economizar sem abrir mão de também aproveitar o fim de ano?

A principal dica é planejar e pesquisar com antecedência. Opções não faltam, mas é preciso ter clareza a respeito da própria situação financeira e evitar gastar mais do que o orçamento permite. Estamos a poucos dias do final de 2018, as lojas estão cada vez mais cheias, assim como bares e restaurantes. As passagens estão mais caras, assim como a estadia em hotéis. Quem se antecipou, planejou e pesquisou, com certeza conseguiu economizar. Quem deixou tudo para a última hora corre o risco de começar o próximo ano mais endividado.

Victor Hugo Cavalcante: Sobre o décimo terceiro salário, qual a melhor alternativa a fazer com ele, pagar as dívidas de fim de ano, gasta-lo no fim de ano ou guarda-lo para o próximo ano? Por que?

Tudo vai depender da situação financeira do consumidor. Se ele tem dívidas com juros altos, por exemplo, o décimo terceiro pode ser utilizado para pagar totalmente ou parcialmente esta dívida e diminuir, com isto, os gastos com juros. Se ele tem algum plano para o próximo ano, como uma viagem ou a troca do carro, por exemplo, é interessante aplicar os recursos até lá. O dinheiro também pode ser utilizado para os presentes e confraternizações de final de ano. É importante também estar atento aos gastos do início do ano, como IPVA, IPTU, anuidade do Conselho Profissional, matrícula da escola, material escolar. O décimo terceiro pode ser importante para evitar novas dívidas logo no início do ano.

Victor Hugo Cavalcante: Quais os maiores erros que as pessoas cometem ao receber a gratificação do décimo terceiro salário? E como conserta-los?

Um erro comum, por exemplo, é não levar em conta os gastos maiores no início do ano, que podem não caber no salário. Muita gente gasta todo o décimo terceiro e acaba se endividando, com juros altos, o que é pior, quando chegam os boletos de IPTU, IPVA, etc.

Victor Hugo Cavalcante: Os meses entre dezembro e janeiro costumam ser um período em que o consumidor "perde a mão" por distração, afinal, como evitar de perder dinheiro ao pagar as dívidas e compras  de fim de ano?

Não há uma receita mágica: é preciso ter conhecimento da própria situação financeira. Tem dívidas? Tem dinheiro guardado para emergências? Planeja os gastos? Quantos presentes vou comprar? Quanto pretendo gastar em cada um? E pesquisar preços, de preferência com antecedência, o que permite, por exemplo, fazer algumas compras no comércio eletrônico, que podem representar economia, mas envolvem um prazo maior para recebimento das mercadorias.

Victor Hugo Cavalcante: Já no começo do ano começa a preocupação de alguns com a compra do material escolar para seus filhos em fase estudantil, qual é a dica para economizar na compra destes materiais entre os meses de dezembro a janeiro? 

No caso da compra de material escolar, além do planejamento e pesquisa de preços com antecedência, uma opção que muitos pais costumam utilizar é a compra coletiva: os pais se unem e, na compra de volumes maiores de mercadorias, conseguem negociar descontos maiores com fornecedores. Feiras de troca também são uma boa opção para economia, especialmente no caso de livros e apostilas.

Victor Hugo Cavalcante: Para você enquanto economista, qual é o principal erro quanto a gastos supérfluos que o brasileiro comete na transição entre um ano e outro? E como evita-los? 

É preciso ter clareza do que o consumidor considera um gasto supérfluo, o que varia de pessoa para pessoa. A dica é ter pleno conhecimento de como se está gastando o dinheiro. Supérfluo pode ser considerado aquele gasto que não traz qualquer contrapartida em termos de satisfação, aquele "dinheiro jogado fora". Mas, como eu disse, se trata de uma questão de percepção. Há quem goste de presentear a família toda com pequenas lembranças. Muita gente pode dizer que isto é jogar dinheiro fora, mas há quem se sinta bem presenteando.

Victor Hugo Cavalcante: Sobre gastos supérfluos de fim de ano, para quem vai ficar em casa, o que seriam esses gastos supérfluos? E para quem vai viajar?

Tanto em um como em outro caso, entendo gastos supérfluos como aqueles que não trazem satisfação na mesma proporção. Tendo isto em mente, é preciso avaliar os gastos e fazer contas. Sempre cito o exemplo de colegas que vão viajar para o exterior e me perguntam qual o momento certo de comprar dólar, que é uma variável difícil de prever, dependente de diversas outras circunstâncias. Ainda assim, muitas vezes, mesmo que a moeda varie, a economia não vai se comparar à que ele teria caso mudasse simples hábitos do dia-a-dia, economizasse no supermercado, nos financiamentos, nas multas e tarifas, em restaurantes.

Victor Hugo Cavalcante: Sobre pagamento de dívidas: o mais recomendado é  pagar conforme forem surgindo ou pagar o que for mais importante agora e depois acumular as não tão importantes?

Como os juros e as multas no Brasil são altos, é recomendável, sempre que possível, manter os pagamentos em dia. Se não for possível, o recomendável é sempre pagar as com juros e multas mais altos em primeiro lugar, levando em consideração também a relevância das demais despesas e o risco representado por um eventual atraso. Em termos de prioridade, por exemplo, o plano de saúde pode ser priorizado em relação à TV à cabo. Mas também isto varia de consumidor para consumidor.