Marketing Político: O homem por trás de seu voto

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Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente gostaria de agradecer por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar com a seguinte pergunta: Na comunicação há um vasto campo de escolha profissional a ser seguido, entre eles jornalismo e publicidade e marketing, que também possuem muitas áreas de escolhas, mas afinal o que faz um profissional do ramo de Marketing Político (popularmente conhecido como marqueteiro político) e qual a diferença principal entre a área do Marketing político para outras áreas do Marketing?

Conte Jr.Eu que agradeço pela oportunidade de expor um pouco dessa atividade do profissional de comunicação.

O trabalho consiste em identificar os pontos fortes e fracos do candidato para extrair o melhor dele, o preparar para possíveis ataques, mas principalmente estudar o movimento dos eleitores, as demandas reais da população, o que de fato vai fazer o eleitor decidir pelo candidato A e não pelo B.

O trabalho de Marquetólogo, ou Consultor Político, difere do marketing tradicional, sobretudo, na perspectiva que trabalhamos com uma pessoa e não com um produto, que muitas às vezes 'novo no mercado', portanto, desconhecido; com dezenas ou centenas de concorrentes, onde a escolha é do eleitor será somente por um. Não tem como votar em dois candidatos. E outro fator determinando, a eleição acaba, é uma disputa por cada eleitor/consumidor, porque não tem espaço para todos.

Com o produto podemos mudar embalagens, nomes, cores, sabores, criar variações. Com o político é diferente porque é uma pessoa como qualquer outra e também com características únicas, história de vida, posições pessoais, políticas, religiosas, entre outras.

Victor Hugo Cavalcante: O trabalho principal do responsável pelo trabalho de marketing é envolver o indivíduo a ponto dele comprar o que está sendo anunciado pelo profissional, na área política o que se vende é a candidatura do político em si, por se tratar da tentativa de "vender" pessoas e ideias esta área é mais complicada? Por quê?

Entendo que o papel do marketing é interpretar o que o consumidor quer e entregar isso a ele da forma mais exata possível. Com candidatos o processo deve ser esse, entender as demandas da sociedade para construir um plano de governo focado em necessidades reais.

O que é diferente é que cada indivíduo quer coisas específicas para si. Um quer emprego, outro sair do aluguel, outro o asfalto do bairro, creche, escola, melhores condições de saúde.

Há alguns anos era mais fácil cristalizar uma imagem totalmente construída, ainda estamos vivenciando isso, mediante mais de 30 anos de construção de imagem do Lula. Entretanto hoje isso se 'quebra' com a Internet. Portanto, quanto mais próximo à realidade e exequível o projeto tem mais chances de vencer nas urnas.

Victor Hugo Cavalcante: Como um bom marqueteiro político deve agir para "vender" seu cliente candidato a população? Existe algum passo a passo de sucesso para quem deseja trabalhar nesta área?

Em minha opinião, deve prioritariamente, saber interpretar os movimentos do eleitor-alvo e criar as mensagens corretas dentro do plano de ação do candidato. Entre uma infinidade de coisas, estratégias eleitorais, mobilização, ter criatividade para atrair o eleitor.

O passo- a- passo é gostar de política, estudar comunicação, fazer cursos específicos, fiz vários. Eu sou formado em jornalismo, o que me ajudou muito; eu nasci e cresci em meio a campanhas políticas; nas redações aprimorei meu olhar, capacidade de observação e como transmitir a mensagem de forma eficiente; tenho um e-book com mais de 50 mil downloads, um curso online desde 2015 com 100% de aprovação dos alunos; em 2019 lanço a segunda edição do meu próprio método para candidatos, assessores e consultores; desta vez com edição também impressa.

Victor Hugo Cavalcante: Retomando um pouco sobre a diferença entre a área de jornalismo e marketing, na área política quais são as diferenças entre estas áreas de comunicação social? Por se tratar de imagem política os trabalhos de assessoria e marqueteiro se confrontam bastante? Se Como os profissionais procuram evitar ou driblar este confronto?

Acredito que na área política os papeis devem ser bem definidos, quase antagônicos. O jornalismo deve questionar o plano de governo, a imagem, as ações, tudo mais é publicidade. O marketing mal intencionado usa muito o jornalismo no mal sentido, por má-fé de um lado e por desleixo de outro. Pela pressa do furo, pela não-checagem, para 'agradar' o político. São duas faces da mesma moeda.

Victor Hugo Cavalcante: Quais foram os trabalhos mais difíceis que você já trabalhou? Por quê?

Qualquer campanha pode ser fácil ou difícil, depende de quanto acredita, e tem disciplina e como é feita. Metodologia é tudo.

Victor Hugo Cavalcante: Nós estamos vivendo um grave e acirrado momento na política nacional, onde se mistura escândalos de corrupção, discursos acirrados entre rivais, Fake News e outras ações que colabora com este momento. Para você enquanto profissional na área, isso dificulta seu trabalho ao tentar vender a imagem de bom homem do candidato/cliente? Por quê?

As Fakes News sempre existiram e certamente atrapalham. O problema atual é a facilidade de criar um site e uma página, a quantidade de produção e a velocidade com que se espalham, além dos danos poderem ser irreversíveis em alguns casos. O combate passa por um trabalho de comunicação permanente, não tem como político ter amadores cuidando da comunicação, tem que ser um processo contínuo ao ponto de se aparecer uma notícia suspeita as pessoas duvidarem e pesquisarem.

Victor Hugo Cavalcante: Seria certo dizer que quem comanda as ações dos candidatos na eleição política são seus assessores e marqueteiros? Por quê?

Se depender de minha coordenação ele percorrerá minha agenda estratégica, não tem como montar uma campanha vencedora sem logística e organização; sem as mensagens corretas, para o público-alvo adequado.

Victor Hugo Cavalcante: Durante toda a eleição é comum vermos/lermos e ouvirmos falar sobre o trabalho do marqueteiro, mas depois quando o mesmo político se elege quase nunca ouvimos falar sobre seus profissionais (Há não ser em casos de escândalos de vez em quando). Afinal, o trabalho para após as eleições (Mesmo o candidato sendo eleito) ou apenas diminui a frequência do trabalho? Explica para a gente.

Esse é problema da maioria dos políticos, que depois de se elegem esquecem de dar continuidade no trabalho. Muitos por estarem iludidos com a vitória, outros por economia, outros porque usam a estrutura do estado, das assembleias, câmaras.

Victor Hugo Cavalcante: Quais são os assuntos que não podem faltar em um discurso eleitoral e que vocês costumam priorizar para seus candidatos a importância?

Existem variadas técnicas de oratória e discursos; mas acredito que o principal é causar a reflexão, fazer as pessoas pensarem profundamente na transformação, em que as coisas podem melhorar, que podemos ter uma classe política melhor, mais preparada, comprometida; e que o futuro está em aberto, depende de nossas escolhas e atitudes.