Na batida do Folk Como Ocê Gosta

Créditos: Fanpage da banda

Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar com a seguinte pergunta: O nome da banda é Folk Como Ocê Gosta, mas afinal, como surgiu este nome e poeticamente falando o que ser Folk significa para vocês?

Folk Como Ocê Gosta: É uma honra para nós poder fazer parte das seletas matérias do Jornal Folkcomunicação. Sobre o surgimento do nome, assim que decidimos nos assumir como banda, pois antes nos apresentávamos individualmente em saraus que promovíamos, passamos a sugerir nomes que fizessem menção direta ao gênero, tinha que ter "folk" no nome! O Rodrigo Oliveira brincou: "Folk Como Le Gusta!", em referência a super banda Funk Como Le Gusta, logo alguém rebateu: mas tem que ser Como OCÊ Gosta pra ficar bem caipira, afinal, somos do interior. E todos concordaram. O maior significado de "ser folk" pra gente é manter a essência, as raízes, a simplicidade, e isso tudo sempre esteve inerente ao nosso trabalho.

Victor Hugo Cavalcante: Quais são as principais influências musicais da banda dentro e fora do gênero Folk?

Trouxemos pra banda muito de nossas vivências e experiências, o Robert foi baixista de bandas de rockabilly, o Paulo já produziu artistas de choro, heavy metal, moda de viola e tocou com muita gente graúda de diversos estilos, o Rodrigo e eu (Glaucio) temos gostos parecidos dentro da MPB e rock nacional. Nesse caldeirão de influências a gente se encontrou no gênero, teve muito trabalho de pesquisa, mas no final todos já estávamos com os dois pés no folk, imersos por trabalhos que já vínhamos realizando individualmente e que tinha muito do rock rural.

Victor Hugo Cavalcante: A internet facilitou mais o acesso a novas músicas independentes e autorais, para vocês o quanto este acesso fácil ajuda e atrapalha a banda para divulgação? Por quê?

Só ajuda! Quando decidimos que seríamos independentes percebemos que a web seria nossa maior ferramenta e quanto ela seria essencial ao nosso trabalho. O Folk Como Ocê Gosta só existe porque nossas canções imploravam por serem ouvidas. Nossa maior motivação era espalhar essas músicas pelo mundo. E onde não conseguimos chegar fisicamente, a rede se faz presente.

Ser artista autoral independente é uma luta diária, ainda mais num momento em que o mercado se encontra completamente segmentado e massificado, onde as majors ditam o que toca e o que não toca.

Sem a internet nosso trabalho quase inviável.

Victor Hugo Cavalcante: Sem menosprezar nenhum outro show, mas qual foi o evento mais fantástico que vocês já fizeram e por quê?

Acredito que nossa apresentação mais memorável foi no Parque Vicentina Aranha em São José dos Campos/SP em 2017. Tocamos num domingo de manhã a céu aberto para um público novo e foi uma surpresa maravilhosa! O modo como a plateia nos acolheu e recebeu nosso show foi emocionante.

Victor Hugo Cavalcante: Do mundo Folk, quais são as bandas/cantores prediletos da banda e seus integrantes?

Nas viagens sempre rola no som do carro Paulo Simões, Belchior, Neil Young, Secos & Molhados, Raul Seixas, Simon & Garfunkel, Almir Sater, Zé Geraldo, muita coisa. É mais velharia mesmo! E nessas playlists não faltam amigos e parceiros da cena folk nacional, gente que já tivemos a honra de dividir o palco, gravar junto. Tornaram-se amigos e hoje a admiração só aumenta.

Victor Hugo Cavalcante: Como é a preparação de cada integrante e da banda como conjunto antes de cada show? O nervosismo ainda impera?

Passamos muito tempo juntos, quando não, discutimos todos os assuntos relacionados à banda por WhatsApp, nos falamos praticamente todos os dias.

Semanalmente nos reunimos para ensaios ou apenas para por a conversa em dia, tomar um café. Isso mantém a banda em sintonia, facilita pra tocar. O nervosismo é o nosso combustível, se a coisa se torna mecânica perde a emoção, deixa de ser arte.

Victor Hugo Cavalcante: Fale-nos um pouco das 11 faixas do disco Colheita ou Sorte Singular, lançado em dezembro de 2017.

Algumas canções já tinham história, o Paulo Garciia gravou Colheita, Ontem e Peço Ao Mar em discos que ele lançou no passado. Casal de Idosos foi composta pelo Rodrigo para um trabalho solo, mas a música acabou indo pro disco da banda, pois a gente já a tocava nos shows. Outras canções vieram do sarau onde a gente se encontrava semanalmente. Que era o intuito desses encontros, apresentar músicas autorais. Tem faixa que se transformou no estúdio, chegou de um jeito, que funcionava quando foi composta mas não conversava com o disco, e no processo de produção ficou com outra cara.

O disco surgiu de encontros, o que explica algumas composições como Aquela Conversa, Ô de Casa e Viver É Simples, músicas que falam exatamente de nossos encontros e conversas sobre onde chegar com nossa música, com nossas ideias.

Victor Hugo Cavalcante: Se cada integrante pudesse escolher uma faixa preferida do Colheita ou Sorte Singular qual seria e por quê?

Paulo Garciia: Peço Ao Mar. Acho que coloquei tanto sentimento nessa composição que talvez seja a música da minha vida.

Robert Sinclair: Viver É Simples. Foi uma reflexão que fiz sobre as necessidades da vida, percebo que para viver bem precisamos de pouco. A vida é muito simples.

Rodrigo Oliveira: Samba Pra Ana. A canção aborda temas sérios. É uma forma de lembrar que sempre há um caminho melhor. É uma canção de esperança!

Glaucio Leme: A canção Os Punks Viraram Hippies que compus para o álbum é muito comentada pelo público ao final dos shows, fico feliz com o reconhecimento, mas minha preferida é Sorte Singular do Rodrigo, é uma canção de amor, direta, pulsante. Gostei demais do resultado que foi para o disco. 

Victor Hugo Cavalcante: Como é poder tocar com grandes nomes da música tais como Humberto Gessinger e Novos Baianos?

É uma honra pra qualquer músico poder participar de um festival dessa importância com bandas e artistas que tanto nos influenciam. O Festival Forró da Lua Cheia já há décadas é referência pra quem ama música, um evento super plural, repleto de diversidade que merece todo reconhecimento, e pra gente foi uma enorme surpresa sermos convidados.

Victor Hugo Cavalcante: Quantos clipes além da música Ontem vocês possuem? Quais foram as principais dificuldades que vocês tiveram ao gravar estes clipes (Incluindo Ontem)?

Consideramos vídeos oficiais do Folk Como Ocê Gosta os clipes das músicas Colheita e Ontem. Eu (Glaucio) trabalho há muitos anos com produção audiovisual, mas como diz o ditado "casa de ferreiro, espeto de pau", a gente acaba sendo um pouco negligente em relação ao nosso material em vídeo. Gostaria de poder produzir mais material da banda, mas a prioridade é a música, sempre.

Nossos dois clipes foram produzidos, roteirizados e editados por mim com ajuda da banda e de parceiros, as gravações rolaram num clima bem descontraído, o resultado agradou demais a todos.

Em breve tem clipe novo do Folk Como Ocê Gosta, aguardem!  

Victor Hugo Cavalcante: Falando do videoclipe de Ontem, ele está no catálogo de vídeos do G1, vocês esperavam esta repercussão?

Esse clipe abriu muitas portas pra gente, além do portal G1 ele foi exibido na MTV, PlayTV, MusicBox Brasil e em algumas outras mídias. Pra gente que se educou musicalmente assistindo à MTV ter um clipe em sua programação é um motivo de muito orgulho, um sonho.

Victor Hugo Cavalcante: A Folk Como Ocê Gosta sempre se identificou como um coletivo ao invés de uma banda, porque esta escolha?

A banda mesmo surgiu por acaso! Semanalmente a gente se encontrava em saraus onde recebíamos convidados e apresentávamos canções autorais.

Rolavam muitas participações, improvisos e parcerias entre a gente, quando nos demos conta, já éramos banda. E mais do que isso, eram quatro cabeças pensando juntas em criar, divulgar e reforçar a cena musical e artística de nossa cidade e região. Era um lance que transcendia simplesmente a condição de banda. Foram diversos festivais e encontros que promovemos e que fortaleceu demais os laços com os outros artistas.

E especialmente nós da cena folk nacional, nos apoiamos muito uns nos outros e acreditamos que assim, coletivamente, nosso som irá alcançar cada vez mais ouvintes e admiradores desse gênero tão plural e verdadeiro.