Ricardo Fracari: Alçando voo ao cume musical

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Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta entrevista e gostaria de começar com a seguinte pergunta: Você está na música desde 1992, passou por diversas bandas, é precursor de cover do Bon Jovi no Brasil, mas agora tem uma banda tributo ao Bon Jovi e também é cantor autoral solo. Afinal, porque e como surgiu esta transição de cover para tributo na banda?

Ricardo Fracari: No começo da minha carreira, atuei em bandas que faziam cover, mas com o tempo percebi a necessidade de mudar isso. Cover é uma banda focada em parecer muito com o artista nos arranjos, visual, vestuário e trejeitos. Eu tenho 2.04m de altura, não sou parecido com o Jon Bon Jovi, que é bem pequeno. Então percebi que caberia melhor fazer os shows no formato tributo, que é uma homenagem ao artista, colocando um pouco da nossa cara, mas sem descaracterizar o Bon Jovi.

Você é conhecido pelo seu trabalho inicial como cover de Bon Jovi (E após como tributo), pela voz incrivelmente parecida. Se pudesse cantar uma música de autoria da banda estadunidense com o vocalista e líder Jon Bon Jovi qual seria? Quais as músicas da banda que representaria bem o Ricardo Francari? Por quê?

Uma música que não pode faltar em nenhum dos shows e é uma das mais lindas que o Bon Jovi já fez é Always. É a música com a qual mais me identifico e que me emociona nos shows porque todo mundo aguarda e quando canto o público vem junto. É sempre emocionante. Eu procuro cantar essa música o mais perto possível do público, gosto muito desse contato. Se eu pudesse, adoraria regravá-la, se encontrasse alguém que fizesse uma versão com uma letra linda em português, sem traduzir ao pé da letra, mas casando perfeitamente com o arranjo da música do Bon Jovi, que é magnífico.

O tributo musical é uma homenagem a um ídolo da música sem perder a identidade do homenageador. Ao contrário do cover que é uma total imitação do ídolo. Partindo desta ideia fica a pergunta: Como você consegue manipular o seu jeito de ser e agir nos palcos com o jeito da Bon Jovi tocar?

Tanto eu quanto os outros integrantes da The Circle Bon Jovi Tribute procuramos colocar a nossa cara, o nosso jeito nos shows. Mas, não vou negar que, tanto eu quanto os outros músicos, em determinados momentos lembramos de algum trejeito marcante do Bon Jovi em algum clipe ou show e acabamos imitando um pouco. Acaba saindo naturalmente, sem pretensão de parecer igual.

Três faixas do CD autoral viraram videoclipes disponíveis em seu  canal no YouTube. O vídeo da faixa Quem é que vai levar foi gravado em Las Vegas e tem um roteiro bem montado e instigante. Já Sempre te amei possui belíssima fotografia com tomadas feitas em Calico Ghost Town, uma cidade-fantasma na Califórnia, e também no Grand Canyon. O videoclipe da música O seu melhor, uma das mais dançantes do CD, é uma produção de estúdio que conta uma história dinâmica e bem-humorada. Para você qual foi a maior dificuldade ao gravar estes três videoclipes?

O primeiro clipe foi da música O seu melhor, gravado em um apartamento rústico de um amigo meu e foi tranquilo. A maior dificuldade foi mesmo financeira para gravar os outros dois clipes fora do Brasil. Para isso, contei com patrocinadores. Em Las Vegas, teve também um pouco de tensão. Porque logo na primeira cena que fomos gravar, um policial nos interrompeu, dizendo que não poderíamos ficar gravando lá, pois não tínhamos autorização. Nesse momento, tive receio de estar lá e não conseguir gravar o clipe. Mas, a equipe me tranquilizou, me explicando que o pouco que conseguíssemos gravar seria o suficiente.

Além da música, você tem outras duas paixões: Basquete e poker. Sendo que joga poker há mais de 20 anos, já tendo ganhado troféus e viajado pelo mundo para alguns jogos. Não por acaso, um de seus clipes foi gravado em Las Vegas, lugar pelo qual é apaixonado. Afinal, conta pra gente depois das gravações em Las Vegas você foi fazer um joguinho nos cassinos? (Risos) Falando sério agora, o quanto você acha que Las Vegas contribuiu para o trabalho sensacional do clipe? O local de gravação definiu a história contada no clipe ou foi o contrario?

A primeira vez que eu fui para Las Vegas foi há mais ou menos 22 anos. Lá eu fiz uma promessa que faria de tudo para ir pelo menos uma vez por ano. Porque é uma cidade fascinante, com os melhores shows do mundo e um universo fascinante para amantes do poker como eu. Mas, o clipe em Las Vegas surgiu de uma brincadeira entre eu e o produtor, quando disse a ele que meu sonho era gravar naquela cidade. Amadurecemos a ideia, fomos atrás dos patrocinadores e conseguimos ir. Porém, fomos para os EUA sem um roteiro, as ideias foram surgindo com o decorrer da gravação. Foi mais improvisado do que programado e o resultado foram esses dois clipes que vocês podem ver no meu canal do Youtube. Depois de ficarmos 10 dias gravando, a equipe de produção veio embora e eu fiquei por lá mais 5 dias jogando um pouquinho e descansando.

Fale-nos um pouco do CD Tá na hora de mudar, que mescla hits, baladas e dançantes, disponível gratuitamente pelo aplicativo Spotify.

A música Tá na hora de mudar, que dá nome ao CD, foi feita em uma época em que as pessoas se conscientizaram e foram para as ruas protestar contra a corrupção. É um grito de protesto contra a situação que o Brasil vive há alguns anos, com uma letra e arranjo bem fortes. Mas o CD tem um pouco de tudo. Canções românticas com letras incríveis de Leo Mancini e Rosana Mancini, além de músicas mais dançantes também. No geral, as músicas têm sempre mensagens positivas, falando de amor, de futuro, de coisas boas.

No clipe de Sempre te amei você ficou na beira do penhasco do Grand Canyon, você já afirmou que não sente medo de nada a não ser da cabeça do próprio ser humano, por quê? Quando você estava no penhasco você refletiu em algo de sua vida?

Medo do ser humano porque no mundo impera a ganância, um querendo passar por cima do outro, por causa sempre de dinheiro. Existe uma frase que eu levo comigo: "quanto mais eu conheço a cabeça e o ser humano, mais eu me apaixono pelos animais". Ligamos a TV e há tanta coisa ruim porque o ser humano causa tudo isso. Em relação ao penhasco, à sua frente está o Grand Canyon, uma coisa linda, feita por Deus, uma das maravilhas do mundo. Passa um filme da sua vida na cabeça. É uma grande sensação de liberdade. Cheguei a pensar em pular, mas se pudesse sair voando.

Seu trabalho autoral, paralelo aos shows de tributo, além do inegável tom de Bon Jovi, recebe influências de artistas como RPM, LS Jack e Journey, como surgiram estas influências musicais na sua vida?

A música veio forte para minha vida nos anos 80. Além de Bon Jovi, eu ouvia muito RPM, que foi uma das melhores, senão a melhor, banda daquela época. Eu era muito fã, ia a todos os shows, assistia aos programas que eles estavam e pensei: é isso que eu quero para a minha vida. LS Jack é uma banda que poucos conhecem e que tem uma musicalidade maravilhosa. Marcos Mena é um grande compositor que, infelizmente, sofreu um acidente durante uma cirurgia plástica e ficou comprometido. E Journey é sensacional, dispensa comentários!

Sonhos foi sua estreia como compositor. Como surgiu esta vontade de começar a compor músicas? Quais foram suas influências para compor Sonhos?

A música Sonhos surgiu em uma parceria com Fernando Quesada, baixista da banda Noturnal, de heavy metal melódico. Ele me ajudou, me deu força para compor porque era algo que eu nunca tinha feito. A letra é baseada no meu relacionamento, no que eu quero para minha vida, em como eu acho que as coisas devem ser. Não viver apenas pensando no futuro, deixando de viver o presente. Esquecer o passado do qual devemos guardar apenas as recordações boas, afinal o que passou já foi.

Pra você qual seria a principal diferença do Ricardo Fracari como cantor solo e autoral para cantor cover e tributo?

Não existe muita diferença entre o Fracari cantor cover e autoral. Eu amo a música, tanto cantando o meu som próprio quanto cantando as músicas de outros artistas. Eu sou aquele cara agitado no palco que gosta de trazer o público junto comigo o show inteiro, seja cantando as minhas músicas, do Bon Jovi ou de outros artistas. Gosto de descer do palco, cantar no meio de todos. É claro que iria ficar muito feliz se visse o público cantando as minhas músicas. Se em show, eu visse as pessoas cantando o refrão de Sonhos, iria ficar muito emocionado porque é o reconhecimento de um trabalho pelo qual eu luto há muitos anos.