Em A balada do cálamo, Atiq Rahimi narra seu amadurecimento literário no exílio

Créditos: Editora Estação Liberdade

Na prosa lírica de A balada do cálamo, o autor e diretor franco-afegão Atiq Rahimi procura dar forma à experiência traumática do exílio, ao mesmo tempo em que relembra sua história de vida e a autodescoberta como artista. Oscilando entre o presente em Paris e o passado errante, o livro mescla memórias a reflexões artísticas, iluminadas por caligrafias ecalimorfias (letras antropoformes) do autor.

A história de Atiq se desenrola em três palcos principais: a Cabul da infância, onde aprendeu a grafar o alfabeto persa com seu cálamo e vivenciou a prisão e a tortura de seu pai. De lá, a primeira fuga foi para a Índia, cuja rica e sensual cultura causou uma revolução interna no adolescente afegão.

Por fim, a França, onde recebeu asilo cultural em 1984 e construiu uma carreira premiada como cineasta e romancista, marcada também por traços autobiográficos - Terra e cinzas ecoa a experiência de sua família na guerra civil dos anos 1980 no Afeganistão; Syngué sabour foi inspirado pelo assassinato da amiga poeta afegã Nadia Anjuman pelo marido.

Esta balada (nome dado a canções narrativas na Idade Média e que em francês significa também passeio) visita estes lugares e tempos reais, mas está centrada no não-lugar do exílio e da lembrança. Em seu autorretrato íntimo, o autor rodopia pelos temas da escrita, do desejo e da guerra, costurando-os com suratas do Alcorão e a poesia sufi, meditações embaladas pelos textos védicos, e diálogos com a arte e a literatura francesa. Confira onde acontecerá o lançamento do livro:

Rio de Janeiro: Palestra Na dobra da língua: nostalgia, errância, guerra e liberdade, parte do ciclo A palavra fora do lugar
13 de junho, quarta-feira, às 17h (lançamento e sessão de autógrafos). Palestra: 19h

Local: Centro Cultural Banco do Brasil - Rua Primeiro de Março, 66. Centro.
Livraria da Travessa e auditório (4º andar).

São Paulo: Lançamento seguido de palestra: O exílio e a emancipação pela escrita e pelo cinema
14 de junho, quinta-feira, a partir das 19h
Local:  Livraria da Vila - Rua Fradique Coutinho, 915. Vila Madalena.

Repercussão do livro

"Pois, uma vez seco e talhado, o caule se torna o cálamo, palavra de origem latina, que é embebido em tinta ou giz líquido e com o qual o exilado, assim como o místico e os amantes, testifica sua aflição. [...] É o cálamo, pelo qual passa o sopro da escrita, que Atiq Rahimi escolheu para expressar sua separação do Afeganistão e de sua falecida mãe." Jean-Pierre Perin, Libération

"[No livro] o corpo está por toda parte. Corpos migrantes, corpos sexuais, corpos espirituais, enquanto as palavras questionam a encarnação e a matéria." Nils C. Ahl, Le Monde Des Livres

"O escritor, que é também artista e desenhista, e, como dito, cineasta, percebeu que sua verdadeira pátria é o verbo, a letra, as palavras, a língua em que ele escreve, e também a caligrafia persa à qual ele retornou, que ele usa para dedicar seus livros e ornamentar este." Jean-Claude Perrier, Livres Hebdo

Sobre o autor

Atiq Rahimi é um autor e cineasta nascido em 1962, em Cabul. Frequentou a escola franco-afegã Esteqlal e estudou letras na universidade da capital afegã. Em 1984, durante a guerra, deixou o país rumo ao Paquistão. Obteve asilo político na França, onde realizou doutorado em comunicação audiovisual na Sorbonne. Publicou Terra e cinzas e As mil casas do sonho e do terror, escritos em persa e posteriormente vertidos por ele para o francês. Sua primeira obra literária escrita em francês, Syngué sabour - Pedra-de-paciência, foi publicada em trinta países e venceu o prêmio Goncourt em 2008. Seu romance mais recente é Maldito seja Dostoiévski, de 2011. Destas obras, todas publicadas pela Estação Liberdade, Terra e cinzas e Syngué sabour foram adaptadas para o cinema em direção do próprio autor. Em 2009, Atiq esteve no Brasil como convidado da FLIP. Atualmente, vive e trabalha em Paris.