Nas nuvens com Carol Hubner

Créditos: Jéssica Cabral

Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente muito obrigado por nos conceder esta honrosa entrevista e gostaria de começar com a seguinte pergunta: São mais de 12 anos nos palcos, 15 peças de teatro, 22 personagens, 30 teatros, estes números só aumentam cada vez mais, mas, conte-nos como toda essa paixão por teatro começou.

Carol Hubner: Minha paixão pelo teatro começou desde criança quando subi ao palco pela primeira vez, eu tinha 11 anos em um concurso de poesia, quando dois alunos da classe foram escolhidos para declarar uma poesia de Fernando Pessoa. Ali começou uma vontade, um desejo e ele foi aumentando cada vez mais. Iniciei no teatro mesmo com 13 anos na escola e não parei mais. Acredito que a liberdade em você poder estar fora de você mesmo, vivendo uma outra vida é aquilo que me encantou desde o começo. Hoje em dia quando eu fico fora dos palcos eu sinto um vazio muito grande. O teatro sempre me abraça.

Victor Hugo Cavalcante: Você participou da novela Esmeralda (2004) no SBT, onde deu vida a jovem Joana, desde então não "deu" mas as caras em outros trabalhos cênicos nas telinhas de TV, você sente saudade de voltar? Por quê?

Sim, hoje eu tenho saudade e vontade de voltar, mas foi depois de muito tempo. Estar na novela foi um período complicado pra mim, sai do reality, vivi muita coisa diferente e chegando para gravar diversas cenas com grandes atores. Foi difícil assimilar tudo isso.

Hoje tenho a liberdade com câmera que não tinha. Já faz 14 anos da minha primeira novela e me sinto preparada para voltar, agora está tudo certo nesta vertente também. Estou em casa.

Victor Hugo Cavalcante: Você fez parte do elenco de apoio do filme de Ensaio sobre a cegueira, de Fernando Meirelles, afinal você já sentiu alguma pontada de vontade de partir pra área cinematográfica? Por quê?

Sim, adoro. Ano passado fiz dois longas independentes. Tenho sete curtas na carreira. Fiz um teaser há pouco tempo com muita gente bacana. Hoje me sinto dentro desta onda do cinema e espero cada vez mais atuar nas telonas. Este ano ainda será lançado o filme Pecado Vermelho que filmei com um grande amigo o qual foi meu parceiro na casa dos artistas. Foi um lindo reencontro.

Victor Hugo Cavalcante: Nestes 12 anos de palco qual foi a peça teatral mais fantástica que você já atuou e porque? E qual foi a mais difícil?

A mais difícil sem dúvida é a que eu estou fazendo agora em Diga que você já me esqueceu, pois é uma peça com uma linguagem nova pra mim, nunca havia feito nada expressionista. A Lúcia também tem características marcantes e diferentes das minhas, acho que por vezes o oposto. Como encontrar essa pessoa dentro de algo tão diferente de mim? Foi bem complicado para acertar o tom da personagem, mas está sendo uma ótima experiência e aprendizado.

A mais fantástica é bem difícil escolher, porque eu passei por tantas personagens legais. Eu amei fazer Ervilha Sapo Junior, a Kelly de Enquanto as crianças dormem, mas não saberia escolher apenas uma. Eu sei que gosto de trabalhar com os extremos na comédia e no drama bem denso.

Victor Hugo Cavalcante: Como dito anteriormente, você já interpretou 22 personagens diferentes em diversas peças, nestas interpretações o quanto de cada personagem é roteiro e o quanto é Carol Hubner, melhor dizendo, o quanto da atuação pessoa de Carol Hubner e o quanto de roteiro têm nos seus trabalhos de atuação?

O primeiro está no roteiro. Eu pego o texto e tenho a minha primeira impressão. Dependendo do diretor, você tem a liberdade pra criar e ficar no que pensou para dar tom a personagem. Dependendo do diretor ele quer te levar pra um outro lugar.

Já tive caso de um diretor ter uma outra interpretação do texto e fazer com que eu fosse descobrir outras camadas desta personagem. Depois disso vai o que é meu e está dentro de mim, é a bolsa do ator que eu chamo, toda sua experiência de vida. Também sempre faço uma pesquisa para compor a personagem. 

Victor Hugo Cavalcante: Se pudesse definir qual foi o ano perfeito durante os mais de 10 anos de teatro, qual seria e porque?

Muito difícil, mas eu acho que tive alguns anos marcantes no teatro. Minha estreia em 2001 no Fringe, assisti a uma peça atrás da outra durante o festival, vivi o teatro intensamente durante aqueles dias.  

Em 2005 quando entrei para As filhas da mãe fazia peça todo final de semana em diferentes cidades. No ano de 2015 quando fui chamada pra fazer A Banheira. E o ano passado... ele foi especial, mas eu ainda não sei o que foi na verdade. (Risos) Pela primeira vez fui indicada há um prêmio com a peça Enquanto as crianças dormem na categoria de melhor elenco no Prêmio Aplauso Brasil. Ano passado fui à essa festa e estava tão feliz em estar lá e neste ano voltarei concorrendo ao prêmio. Não sei ainda como será, foi um ano muito especial, mas ainda não sei a real dimensão e como mensura-lo.  

Tiveram coisas lindas em outros anos, também.  

Victor Hugo Cavalcante: Se fosse possível (Ou for!) contracenar com algum artista estrangeiro ou nacional, vivo ou falecido, qual seria seu desejo e por quê?

Um cara que eu gostaria de estar ao lado seria o Jonny Depp, eu adoro a performance dele. O Christoph Waltz tem uma profundidade, entrega pra personagem que eu admiro muito.  

No âmbito nacional seria a Marieta Severo, sou muito fã do trabalho dela. Gostaria demais de aprender o lugar que a Marieta chegou. Ela faz a Dona Nenê e ela faz o demônio em forma de gente como na última novela Do outro lado do paraíso. Ao mesmo tempo em que você quer que ela morra, você quer assisti-la. Sinto que ela se diverte no trabalho e isso é muito legal.

Victor Hugo Cavalcante: Para você enquanto atriz qual é a maior diferença entre atuar em teatro e atuar em novelas e em filmes?

O tempo. São muito diferentes. O teatro você teoricamente tem mais tempo para trabalhar, assim como o cinema. Já a TV é mais dinâmico, a cada dia 20, 30 cenas diferentes. São ritmos distintos.

Victor Hugo Cavalcante: Quais são suas principais influências artísticas?

Minhas influencias são sempre alteradas de acordo com o momento em que estou vivendo ou personagem que desenvolvo.

Eu gosto demais de cinema, do Tarantino, amo filme de comédia americana, adoro todos os patetas, me divirto muito. Todo tempo temos diferentes aspectos e influências para uma personagem, eu até cheguei a Salvador Dali, o que não teria muita correlação exatamente, porém foi importante para o desenvolvimento da personagem.

Victor Hugo Cavalcante: O que tu procura levar de aprendizado consequentes aos seus trabalhos artísticos no teatro?

Ser mais generoso. Amar mais. Compreender mais. Quanto mais eu faço, mais eu preciso fazer isso.