Negociações entre varejo e indústria impulsionam o resultado do PIB no segundo trimestre

Créditos:

O consumo das famílias subiu 1,4% no segundo trimestre, após oito trimestres de retração e um mês de variação estável. No ponto de vista da Associação, o destaque negativo ficou por conta da queda no consumo das famílias - que atingiu -4,2% e prejudicou o desempenho do varejo brasileiro e, consequentemente, impactou os supermercados. Já o comércio apontou alta de 1,9%, sendo que a atividade supermercadista teve relevante participação.

Deste modo, o setor supermercadista apontou crescimento real de 0,39% no faturamento de janeiro a junho de 2017 (em relação ao mesmo período de 2016). Os primeiros sinais da recuperação em algumas variáveis econômicas podem ser percebidos nos estabelecimentos, principalmente a inflação moderada ao longo do tempo.

Entre 2015 e 2016, por exemplo, foi notado um alinhamento maior entre a indústria de alimentos e bebidas e o varejo supermercadista, um reforço para que o desempenho das vendas não fosse tão impactado diante do cenário econômico em constante declínio.

Houve redução de 2,73% nas vendas que, se comparada aos 3,6% em 2016, já demonstra um ritmo diferenciado. Este pode ser caracterizado pelas negociações constantes entre varejo e indústria, cujo exemplo é a oferta de mais promoções aos consumidores com o objetivo de não afetar o consumo de maneira expressiva.

Vale ressaltar que a base de comparação é baixa, uma vez que a economia vivenciou, ao longo de 2015 e 2016, resultados de queda no PIB. Em 2016, o Produto Interno Bruto caiu 3,6% em relação ao ano anterior e, em 2015, a economia já havia recuado 3,8% (desde 1931 não havia registro de dois anos consecutivos de queda no PIB).

No entanto, os primeiros sinais de recuperação já aparecem, caso do desemprego, que sinaliza queda e tem gerado maior massa salarial. A inflação está sob controle e em nível relativamente baixo para a economia brasileira, enquanto a renda real começa a se elevar dada à inflação em patamar baixo e estável ao longo dos últimos 12 meses.

"Para a sustentação deste cenário até o fim de 2017, a condução da política econômica deve estar voltada ao crescimento da produção do emprego e da renda, com a manutenção da inflação sob controle. Assim, teremos ganhos reais para a população, com reflexos positivos no consumo e nos investimentos, e a consequente retomada do crescimento econômico", afirma Rodrigo Mariano, economista da APAS (Associação Paulista de Supermercados).