Um universo de possibilidades com Marjorie Gerardi

Créditos: Aryane Faria

Victor Hugo Cavalcante: Primeiramente é um enorme prazer poder te entrevistar, e gostaria de começar perguntando: Você atuou recentemente na novela global Rock Story, sendo esta o seu primeiro trabalho novelístico, porém já é cartinha carimbada na TV com cerca de 200 comerciais na TV, afinal, porque você decidiu primeiro atuar em comerciais e não nas novelas? Como surgiu o convite de fazer a novela e contracenar com Vladimir Brichta, Herson Capri, Paulo Betti entre outros?

Marjorie Gerardi: A televisão foi uma consequência dos meus trabalhos no teatro e cinema. Foi assim que fui descoberta e que depois surgiu o teste, e com a aprovação, o convite para dar vida Tainá de Rock Story.

Quando fiquei sabendo dos meus colegas de elenco me animei muito. Admiro muito a carreira deles faz tempo, foi um presente atuar com cada um.

Além de novelas tu já gravou para filmes, séries e seriados, afinal para você quais foram os trabalhos mais prazerosos? Por quê?

Uns dos trabalhos mais prazerosos que fiz foi Minissérie Se Eu Fechar os Olhos Agora, ainda não sei definir muito bem o porquê me senti tão bem e feliz fazendo essa trabalho. Acho que foi uma junção de tudo.

Também me sinto muito bem e em boas mãos com a peça Diga Que Você Já Me Esqueceu com direção do Dan Rosseto e que está em cartaz no Teatro Viradalata. O elenco é incrível, o diretor é maravilhoso e a produção é muito atenciosa. Me senti muito bem acolhida.

Para você enquanto atriz qual é a maior diferenças entre atuar em séries/seriados e atuar em novelas e em filmes?

A diferença de atuar no teatro, no cinema e na televisão para mim é uma questão de energia.

Quando estou no teatro a liberdade criativa vai dos pés a cabeça, uma vibração completa do corpo, os sentimentos saem por todos os lados.

No cinema procuro deixar a energia nos olhos e nos pés. Nos olhos para ser a minha janela sentimental, e os pés é para me dar raiz e conseguir me aprofundar.

Já na televisão trabalho muito o texto a parte vocal, procuro ter vários pontos de apoio para me dar dinâmica.

Mas isso tudo depende muito do personagem.

O quanto de Marjorie tem em cada papel que você atua e o quanto de roteiro tem nos papeis?

Costumo dizer meu corpo é um universo cheio de possibilidades e que todos os personagens existem dentro de mim.

Aprendi a pensar assim com o diretor de uma cia de teatro que passei 4 anos.

Quais são suas principais influências artísticas? Se pudesse contracenar com algum ator ou atriz internacional e nacional qual seria seu preferido?

As minhas influências artísticas são muitas, gosto de ver muitas coisas para me inspirar. Desde filme, teatro e séries, até ir ao museu e me deparar com um quadro que eu acho que tem tudo a ver com o personagem que vou compor ou uma escultura. Também gosto de ler muito, essa é uma das minhas maiores fontes de inspiração, a literatura, trabalha com aquilo que nunca existiu na imagem, o personagem está na cabeça do leitor. A música também me ajuda muito e, o perfume, a fragrância também são uma fonte de composição.

Se pudesse contracenar com algum ator ou atriz internacional e nacional qual seria seu preferido?

Dos atores internacionais: Gostaria de um dia trabalhar com Marion Cotillard e Ricardo Darín.

Dos atores nacionais: Wagner Moura e Fernanda Montenegro.

Além da fama o que tu procura levar de aprendizado consequentes aos seus trabalhos artísticos?

Aprendo muito sobre mim sendo atriz, porque o trabalho do ator é estudar o ser humano. Procuro ser um ser humano melhor, mais conectado com o outro e com a natureza.

Alguns atores costumam dizer que não gostam de assistir seus trabalhos, como podemos citar Johnny Depp, contigo é assim também ou tu sempre se vê nos resultados finais de seus trabalhos televisivos? O quanto você faz uma auto - análise e se permite fazer uma auto-crítica do que faria de diferente?

Gosto de ver os resultados dos meus trabalhos, até para ver se eu acredito em mim. Acho que como uma forma de estudo. Mas procuro ser generosa comigo, mesmo se eu não gostei, foi o melhor que eu consegui fazer com o que eu tinha e na circunstância em que eu me encontrava.

Quando você atua como por exemplo na novela Rock Story, em que interpretou a personagem Tainá que é técnica de som da gravadora Som Discos, tu procura se aprofundar além do esperado para saber mais dessas profissões e construir o personagem perfeito?

Quando fiz Rock Story eu estudei muito o universo de uma técnica de som. E esse é um universo muito masculino e as poucas mulheres que eu encontrei eram bem fortes, até para se defenderem nas suas escolhas. Essa foi a base para eu construir a Tainá, o resto foi sendo dado para mim com os capítulos.

Ela defendia o amor livre, e muitas pessoas que eu conheci que tinham essa mesma ideologia eram pessoas muito descoladas e não tinham medo nem pudor de conversar com ninguém. Usei isso também.