No dia da mulher, Dolores 602 exalta a liberdade em clipe inédito

Créditos: Assessoria Flora Miguel

De Belo Horizonte (MG), por meio de uma atmosfera poética e política, a banda Dolores 602 lançou ontem (08/03) seu novo clipe, da canção Cartografia.

A música, que dá nome ao disco de estreia do grupo, lançado na semana passada, apresenta em sua versão audiovisual o corpo como casa de uma individualidade a ser respeitada, um universo de experiências, possibilidades, marcas e sensações únicas.

Dirigido por Xande Pires, com produção da Imago FilmesCartografia marca esta nova fase da Dolores 602, colocando em discussão a pauta do dia (e da vida): a luta pela liberdade de sermos quem somos.

Nas palavras de Camila Menezes (baixista e autora da música), a concepção do vídeo se encontra na questão de como é habitar um corpo e "de que forma a vida das pessoas, na busca de se  entenderem como são, reflete na constituição de seus corpos". Para ela, isso "nos leva a pensar que somos realmente únicas(os), que temos histórias complexas de afirmação e resistência e que, por isso mesmo, não estamos sozinhas(os)", reflete.

Cartografia também contou com a participação da artista plástica Maíra Paiva, que foi convidada a pintar nos corpos das(os) figurantes desenhos criados por ela mesma. As ilustrações surgiram dos relatos que Maíra ouviu de cada um, buscando cartografar na pele dessas pessoas um pouco de suas subjetividades.

"Essas ilustrações integram a narrativa no clipe, pensando que cartografar é um processo de constante transformação e descoberta, que nunca termina", explica Camila. "Optamos por um jogo de imagens que busca confundir o olhar, mostrando a diversidade dos corpos e a unidade que nasce da junção deles. A música traz uma poética sensorial, então utilizamos materiais como líquidos, mel e gelo que provocaram efeitos interessantes na pele. E tem a câmera super slow, que fez a diferença também, captando reações como arrepio, frio, calor e tato", detalha a compositora a respeito de como no clipe música e imagens se complementam e ao mesmo tempo contam sobre a vida e história das pessoas que habitam aqueles corpos.

Participaram do vídeo Idylla Silmarovi, João Maria Kaisen, Gabriela Meneses, Dudi Polonis, Demétrio Alves e Déa Trancoso, artistas e amigas(os) da banda. Além de atuarem no clipe, todos e todas também deram pequenos depoimentos que serão transformados em vídeos sobre suas histórias de vida, uma narrativa que remeterá à experiência de estar naquele corpo.

Shows de Lançamento

São Paulo e Belo Horizonte serão as primeiras cidades a receber os shows de lançamento de Cartografia, disco de estreia da Dolores 602, produzido pela banda em co-produção com Thiago Corrêa.

Na capital paulista a banda se apresenta na casa Breve, dia 16 de Março, tocando em Belo Horizonte semanas depois, no dia 6 de Abril, no Galpão Cine Horto.

Sobre DOLORES 602

DOLORES 602 é composta por Débora Ventura (voz, violão, guitarra), Camila Menezes (baixo, ukulele, voz), Isabella Figueira (bateria, gaita, escaleta) e Táskia Ferraz (guitarra, vocais). As quatro mineiras integram a banda há sete anos e juntas lançaram em 2014 seu primeiro EP. Este primeiro registro fonográfico trouxe a oportunidade de se apresentarem em diversos festivais de música, como o Festival Marreco e Festival Balaio (Patos de Minas), Festival Timbre (Uberlândia) e Música Mundo (Belo Horizonte). Também foram premiadas oito vezes com suas composições em festivais de canção pelo Brasil.

Disco físico

Com projeto gráfico assinado por Gustavo Magno, Marcelo Dante, Samuel Mendes e Thomaz Lanna Neves, o disco físico é composto por um caderno de bordo que contém muitas fotos do processo de gravação do disco, shows, viagens, bem como ilustrações e anotações feitas à mão, desdobrando o conceito geral de Cartografia. A concepção da impressão do encarte e da capa foi inspirada na técnica de risografia. Criada no Japão nos anos 80, a risografia utiliza duas cores superpostas, que gera impressões desiguais numa mesma tiragem. É um processo semi-artesanal, sujeito a erros e acertos e, assim como a sonoridade do disco, é vintage e moderna ao mesmo tempo. A escolha dessa técnica se alinhou conceitualmente com a ideia de que cartografar é sempre algo inacabado e aberto. O projeto foi realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte - Fundação Municipal de Cultura.